MARCHA-CORRIDA EM MONCHIQUE:

Olhão, 23 de Maio de 2010 = Esta madrugada preparámo-nos todos para rumar até à Serra de Monchique.

Eram 7,33h quando o autocarro da Câmara Municipal de Olhão saiu do Largo da Estação em direcção à Vila de Monchique para mais uma Caminhada mas que teimam em chamar-lhe Marcha-Corrida quando na verdade eu não vejo ninguém a correr mas sim a caminhar.

Eram 8,42h quando chegámos a Monchique. O local da concentração foi escolhido aqui no Heliporto perto do centro da vila. Quando aqui chegámos quase não se via ninguém e o tempo não nos alegrava nada. Estava um pouco fresco e vinha do alto da serra uma brisa muito húmida que parecia nevoeiro e que borrifava tudo e todos. Mas não é uma simples humidade que faz esta gente parar.

Houve logo quem pusesse a malta ‘mexer’. As pessoas íam-se juntando e cada vez havia mais.

A Apolónia arranjou logo alguém para conversar porque as mulheres têm sempre alguma coisa para dizer.

E lá vai ela para o aquecimento que nunca dispensa.

O pessoal vai-se chegando e vai-se mexendo. Aqui é preciso fazer uma chamada de atenção. Em quase todas as caminhadas nota-se uma grande dificuldade de aqueles que têm o microfone nas mãos conseguirem segurar a multidão. Eu sei que isto de lidar com o público não é para toda a gente.Já estamos mais que fartos de ver meia-dúzia de chicos espertos que têm uma pressa danada para sair antes da hora armando sempre uma grande confusão. É evidente que são as pessoas do microfone que têm a obrigação de segurar os caminhantes. Eles não estão lá só para nos darem o aquecimento. Também têm o dever de ir controlando as massas, ou seja, entreter as pessoas até à hora certa.

Quando hoje a menina que estava controlando o aquecimento deu este por terminado ainda faltavam 15 minutos para as 9,30h que é a hora oficial da partida. Vai daí as pessoas lançaram-se de corrida para iniciar a caminhada provocando uma confusão total.

Mas desta vez a pronta intervenção da GNR meteu ordem na situação. Um carro da GNR furou até alcançar os primeiros e obrigou-os a esperar no meio da estrada pelos restantes e também pelas 9,30h. Só depois deram início à partida. Gostei de ver.

Aqui podemos ver todo o pessoal esperando.

E aqui vemos quando foi realmente dada a partida.

E vem tudo por aí abaixo de rompante. O caminho era muito estreito com muitas pedras soltas que davam muito mau andar.

Mas conseguimos chegar cá abaixo com uma certa dificuldade com tanta gente junta num espaço muito estreito.

Como tudo o que sobe tem que descer o inverso também se aplica. E como começámos a descer agora vamos ter de subir.

Primeiro lentamente e como ainda estamos no princípio até parece fácil.

Apanhámos este pedaço de estrada alcatroada que nos redobrou as forças. Aqui vai a malta que gosta de ficar nas fotografias. Vamos lá a ver se todos gostam do que vêm.Até parecem a guarda avançada do pelotão.

Este terreno aqui era muito bonito porque a paisagem estava muita amarela do Tojo, uma planta que se vê por todo o lado mas que é preciso muito cuidado porque tem muitos espinhos.

Desta vez o posto de abastecimento a meio do caminho foi feito de maneira diferente. Alguém entendeu que assim era muito mais fácil e parece-me que tinha razão porque se evitou a fila que sempre se encontra. Espalharam as águas e as laranjas pela beira da estrada e as pessoas ao passarem serviam-se.

Enquanto as pessoas vão chupanda as laranjas também vão dizendo adeus ao alcatrão.

Agora atravessamos uma zona um pouco mais aberta, o que é quase raro pois nesta serra o matagal é tão cerrado que nós ouvimos a água dos regatos a correr mas é muito difícil vê-la.

E o arvoredo já se vai vendo mais denso.

Quando me embrenhei no denso matagal para aliviar as águas quase ía caindo dentro deste regato.

E voltámos novamente ao fechado matagal. Esta foi a caminhada mais ‘fechada’ que já fiz. Muito diferente do barrocal ou da costa, muito mais bonito tanto verde mas muito mais difícil com tanta subida. Cheguei a ter uma certa dificuldade em respirar devido às longas subidas, mas aguentei.

E de repente, saído do nada, aparece-nos esta escadaria ladeada por muitas flores. Era sinal de que estávamos a entrar novamente na vila.

Mas ainda faltava o mais difícil. Aparece-nos também esta íngreme subida que a Apolónia ficou aflita.

A subida era tão difícil que colocaram uma corda a servir de corrimão e só assim a Apolónia conseguiu subir.

Mas chegámos cá acima. Lá em baixo deram-nos uma capa de plástico para a chuva e veio mesmo a calhar porque começou a chuver aquela chuva miudinha a que chamam de ‘molha tolos’ mas que também molha os espertos.

Esta fotografia tem duas curiosidades. A tal chuvinha miudinha já era bastante intensa e olhando para as pessoas umas estão bem protegidas mas outras parece que estão na praia. A outra curiosidade é que o homem dos jornais nos estava a enganar distribuíndo o jornal do dia 6 de maio. Com quase 3 semanas de atrazo, devem pensar que somos burros.

E agora é que estamos mesmo no final. O meu pedómetro marca 4680 metros.

Terminada a caminhada eu não podia deixar de dar um saltinho ao centro da Vila tanto mais que era já ali à frente. Passei aqui pela Calçada de Santo António, pelo Mercado Municipal.

E fui dar à Escola Preparatória de Monchique onde encontrei este grande painel de azulejos.

No centro de duas grandes serras (Foia e Picota), o concelho de Monchique entra na história com a presença dos romanos nas Caldas de Monchique, atraídos pelo poder curativo das suas águas. Nos séculos seguintes, a serra foi-se povoando lentamente e no século XVI Monchique era já uma povoação suficientemente importante para merecer a visita do rei D. Sebastião, que pretendeu conceder-lhe o estatuto de vila. A tecelagem da lã e do linho – os sólidos sorrobecos, orianos e estopas dos tempos antigos – entre outras actividades, como as relacionadas com a madeira de castanho, contribuíram para a prosperidade e desenvolvimento de Monchique, de tal forma que em 1773 foi promovida a vila.

As alterações económicas provenientes da industrialização significaram a perda da actividade têxtil e de outras manufacturas. Hoje, Monchique é vila airosa, virada para o turismo, com um artesanato activo e uma economia diversificada. Possuindo das florestas mais ricas do Algarve, ricas em sobreiros, eucaliptos, castanheiros, entre outros, Monchique tem também como ex-líbris esta mata que dá a conhecer aos seus visitantes através de safaris, parques zoológicos e naturais e expedições pedestres.

    

MULHER COM CESTO, Escultor Melicio, 1999. Escultura no centro de Monchique como muitas outras.

Um grande mural de azulejos embeleza o centro da vila.

As casas têm a arquitectura algarvia tradicional nas paredes brancas, nas cantarias, nas manchas de cor das portas e janelas, embora exibam as típicas chaminés de saia, tão diferentes do litoral. O facto de treparem por colinas íngremes, de as ruas estreitas abrirem a cada passo novas perspectivas sobre a serra verdejante, dá-lhes, porém, um certo exotismo, aumentado pela presença de cameleiras e hortênsias, de árvores de fruto, evocadoras de jardins e pomares. Justificação para um prolongado passeio de descoberta de um recanto diferente do Algarve.

No centro da vila podemos apreciar como trabalhavam as noras porque esta até trabalha.

Subindo esta pequena ladeira chegamos junto a este grande painel de azulejos e não resisto a chamar uma dúzia de nomes aos inteligentes que resolveram colocar duas árvores a tapar este belo painel de azulejos. Escuzavam de estar com tanto trabalho, bastava terem simplesmente pintado a parede. Daqui por mais uns anos, quando as árvores cresceram mais um pouco não se verá nada do painel. Muito mal.

Estando junto ao painel de azulejos e olhando para baixo vemos isto. A pedra da região predomina. Muito bem.

De todas as esculturas que vi nesta praça esta foi a que eu gostei mais. Trata-se de uma homenagem ao médico Dr. Humberto Messias, filho da terra.

Vejam como estava um dia triste esta manhã em Monchique.

Monchique fica na Serra de Monchique, uma cadeia montanhosa cheia de bosques de castanheiros e campos de flores silvestres que se tornam particularmente belos no início da Primavera, com o esplendor amarelo dos arbustos de mimosa. Um passeio até Picota, o segundo pico mais alto (773 metros), oferece vistas espectaculares sobre vales selvagens, precipícios e prados com uma enorme variedade de vegetação, do castanheiro à mimosa e acácia, pinheiros e sobreiros, além de campos férteis em socalcos. A própria vila de Monchique é pequena e despretensiosa, conhecida pela sua altitude (458 metros) e pelos produtos tradicionais da região, que incluem artefactos de madeira e couro, cestos, cortiça, camisolas de lã, presunto, mel e a famosa aguardente de medronho do Algarve. Uma cascata de casas brancas separadas por ruelas calcetadas desce até à praça principal, onde a população se reune em dias de festa. Ali perto, a igreja matriz, do século XVI, exibe um belo portal manuelino com colunas retorcidas que terminam em pináculos. A apenas 6 km, a encantadora vila de Caldas de Monchique, rodeada de tranquilas matas, orgulha-se das suas termas, conhecidas desde o tempo dos romanos. As suas águas quentes são utilizadas para tratar numerosos males, desde o reumatismo a problemas respiratórios e musculares, doenças de pele e digestivas. Uma pequena e acolhedora praça central, com cafés e esplanadas à sombra das árvores, completa o encanto algo antiquado de Caldas de Monchique.

Parece que aos domingos de manhã se realiza um mercado de rua nesta praça no centro de Monchique. A chuva miudinha que se fazia sentir não era nada bom para o mercado mas as pessoas abrigadas pela densa vegetação das árvores lá se íam desenrascando como podiam.

Igreja MatrizA Igreja Matriz de Monchique foi erigida nos séculos XV e XVI, sendo reconstruída, como tantas outras no país, após o terramoto de 1755. Tem portas laterais e portal manuelino, com uma decoração fora do vulgar: cinco pontas formam ângulos em volta da parte superior. O interior tem três naves separadas por colunas decoradas com os mesmos motivos do portal. No retábulo da capela-mor (do século XVIII), dois anjos seguram a Lua e o Sol. O brilho fulgurante da talha dourada faz sobressair todo o conjunto, que se destaca na brancura das paredes. Uma das capelas possui abóbada revestida de azulejos do século XVII; São Francisco e São Miguel estão representados nos painéis que cobrem as paredes. Destacam-se ainda, na Capela de Nossa Senhora do Carmo, um simples retábulo de madeira de forma pouco convencional, e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, do século XVIII, provavelmente da autoria do escultor Machado de Castro.
A Igreja não a vimos, já não havia tempo. Fica para a próxima.

E para terminar passei junto ao Mercado Municipal que tinha esta varanda. Qualquer vista por aqui é espectacular mesmo com nevoeiro.

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