O ASSASSINO DE SALAZAR de Joel Costa:

O ASSASSINO DE SALAZAR de Joel Costa – Acabei de ler ontem este livro de 415 págimas que muito
gostei. É uma história, mais sobre a mente assassina de um ex-combatente que
lhe tomou o gosto, do que propriamente sobre o assassinato de Salazar. Uma
ficção muito bem enquadrada na História. Como também sou ex-combatente e porque
conheci muitas mentes assassinas como esta que o autor descreve acho o livro
muito realista.   Amor, política e mistério numa Lisboa onde não era costume acontecer nada, mas onde tudo parecia
estar prestes a acontecer. No dia 9 de Março de 1971, António Luís Fabrício, um
jovem recém-licenciado em História, está sentado no café Monte Carlo a ler o jornal,
ao mesmo tempo que ouve a conversa da mesa do lado, entre Carlos de Oliveira e
Augusto Abelaira, dois dos seus escritores favoritos. É subitamente
surpreendido pelo comunicado que dá conta do atentado bombista à Base Aérea de
Tancos. Pouco depois, alguém o alicia par a um emprego que o compromete em
estranhas investigações históricas. No dia 24 de Abril de 1974, António Luís
Fabrício e Zemira, apaixonadíssimos, decidem passar a sua primeira noite de
amor no anonimato de um hotel. Ao romper da manhã são acordados pelo
acontecimento, pela ruptura. Aquela Madrugada no Ritz é o segundo título do
ciclo de romances de Joel Costa iniciado com O Assassino de Salazar. Narrativa
a várias vozes e a várias luzes do pós-salazarismo, um tempo de expectativas e
decepções, entre relativas aberturas po líticas, boatos, manifestações,
iminência de golpes de Estado e acções terroristas na cidade onde nada era
costume acontecer, onde tudo parecia estar para acontecer e não acontecia.  ”JOEL COSTA
personagem atípica e polidisciplinar, nasceu em Lisboa e não tem a mínima
formação universitária. Foi exercendo na vida e nas circunstâncias
intersticiais do tempo, o inteiro e o parcial, diversas e quase disparatadas
actividades: paquete, bancário, empregado de escritório, contra guerrilheiro
forçado, contabilista incompetente, dactilógrafo temporário, auxiliar de
cartografias, cantor lírico, sindicalista, actor de cinema, novelista de
gaveta, dramaturgo de cesto de papéis, conferencista de pequeno (e por vezes
mau) porte, assessor político, classificador de espectáculos e ghost writer –
embora, como grande admirador de romancistas americanos, também gostasse de ter
sido marinheiro, publicitário, porteiro da noite, alcoólico, piloto aviador na
II Guerra, estucador, jornalista e pastor evangélico.
Em 1994, por um acaso, inicia a inesperada actividade de autor radiofónico.
Colabora com a RDP-Antena 2 e é autor de trabalhos que têm merecido o
reconhecimento do público e da crítica: Questões de Família e Questões de Moral
– actualmente no ar (Segunda às 13h00 e 23h00) –, além de outras colaborações
avulsas. Em 2003, o grupo de teatro Intervalo levou à cena a sua comédia Isto é
a Gente a Falar. É autor dos livros Balada para Sérgio Varella Cid (2007); O
Assassino de Salazar (2007) e Aquela Madrugada no Ritz (2008).

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DA CASA PIA PARA SANTA APOLÓNIA:

A GNR obrigou o General a mudar de caminho.

DA CASA PIA PARA SANTA APOLÓNIA COM HUMBERTO DELGADO – Estávamos no dia 16 de Maio de 1958. Faz hoje 53
anos. Em Lisboa falava-se muito dos Casamentos de Santo António, que neste ano
se iam realizar pela primeira vez. De uma só vez teríamos 26 casais a contrair
matrimónio, num evento inserido nas Festas da Cidade. Nunca tal se tinha visto,
todos juntos numa só igreja. Por isso o povo comentava. Mas isso seria só a 3
de Junho próximo. Hoje, iria acontecer um outro evento, talvez muito mais
importante. Algo que estava a mexer com o povo. Sentia-se no ar uma grande
agitação e nervosismo das pessoas, que não estavam habituadas a estas
liberdades. Na Estação de Santa Apolónia juntou-se o povo para esperar a
chegada do General Humberto Delgado, que vinha do Porto. Neste dia eu e mais
alguns colegas do Asilo D. Maria Pia, em Xabregas, resolvemos pular o muro.
Pular o muro era um grande divertimento para nós para depois procurarmos outros
divertimentos nesta imensa cidade. A nossa intenção não era vir esperar o General.
Nós nem sequer sabíamos que ele existia. Mas ficámos a saber depois. Porque,
sem sabermos como, acabámos por chegar a Santa Apolónia muito aparvalhados por
ver tanta gente, coisa a que não estávamos habituados. Mas já sabíamos que onde
houvesse uma grande aglomeração de pessoas é porque havia festa. Todos nós já
sabíamos que, naquele tempo, não eram permitidas mais de 3 pessoas juntas.
Ainda por cima, a Cavalaria mostrava-se bastante nervosa. Apanhadas de surpresa
pelo levantamento espontâneo do entusiasmo popular por todo o País, o regime
tomou medidas de emergência destinadas a evitar mais demonstrações em Lisboa.
Assim, após a chegada de Delgado à Estação de Santa Apolónia, a 16 de Maio de
1958, as forças da Guarda Nacional Republicana e os agentes da PIDE exerceram
repressão sobre a população lisboeta que acorrera em massa para receber
Delgado. Eu estava lá. Ainda me lembro bem da forma como a Cavalaria carregava
sobre o povo. De tal forma o fizeram que esmagaram uma criança apanhada pelos
cavalos. A criança trazia uma lancheira que se espatifou pelo chão. Pelos vistos,
era uma criança-operária (naquele tempo as crianças trabalhavam) que ali foi
parar talvez levada pela curiosidade e pelo arrastar da multidão, tal como nós.
Foi mesmo ao pé de mim. O sangue jorrava em todas as direcções. O povo gritava.
Os cavaleiros rodopiavam os cavalos para evitar que o povo se acercasse do
cadáver da criança. Veio uma viatura que recolheu tudo num curto espaço de
tempo, sempre protegida pelos cavaleiros. Da mesma forma que apareceu, assim
desapareceu. Só as pessoas que estavam perto, como eu,  é que se aperceberam. O General chegou. O
carro onde ele entrou foi obrigado pela GNR a seguir por onde eles não queriam.
Esta Cavalaria da GNR já era bem conhecida por nós. Por duas vezes, durante
todos os anos que vivi na Casa Pia, eles entraram, no Maria Pia, para manter a
ordem e de espadas desembainhadas. Mas isso são outras histórias. Do que me
lembro muito bem é que no dia seguinte, Lisboa inteira, procurou nos jornais as
notícias do que vimos com os nossos olhos. Mas tudo foi abafado. Nada
transpirou. Mas a imprensa estrangeira, a partir deste momento começou a
dedicar mais atenção a Portugal, País habitualmente pacato. Só que, os
portugueses não liam os jornais estrangeiros. Ainda não havia TV e a Rádio, tal
como a imprensa eram religiosamente controlados pelo regime. Nada transpirava,
ou quase nada. Esta é uma pequena história de um homem que pagou com a vida a
ousadia de fazer frente a um regime ditatorial.

A HISTÓRIA (Compreender) de John H. Arnold:

A HISTÓR

A HISTÓRIA (Compreender) de John H. Arnold – Terminei hoje de ler este pequeno livro de 128
páginas que nos ensina a compreender a História. É muito interessante mas
também um pouco confuso, pela simples razão de que a História , só por si, é
uma autentica confusão. Mas tentar explicá-la não é fácil. Agora, aqui este
senhor, é realmente um mestre a explicar. Vale a pena perder tempo a tentar
compreender.

“John Arnold constrói em torno de alguns fragmentos de brilho do passado – um
assassino medieval, uma pensão do século XVII com uma mulher abandonada, um
discurso de uma mulher negra nascida em escravidão – uma exposição de toda a
história sobre o que é e não é. Escrevendo com lucidez e paixão, ele estabelece
para a inspeção de todos os modos de narrar e explorar o passado através da
narrativa, que tem sido utilizado desde Heródoto Hobsbawn. Sua gama de
conhecimentos e de interesses é fenomenal, mas suas habilidades como
comunicador faz a sua própria sutil análise da história da história tão
emocionante como um romance “-. Neal Ascherson

Nasceu em
28-11-1969 e é Professor na Universidade de Londres.

OS FALSOS MOEDEIROS de André Gide:

OS FALSOS MOEDEIROS DE André Gide – Terminei ontem de ler este
romance de 422 páginas, que não é o meu género. Muito parado, ao estilo do séc.
XIX que costumam ser uma grande seca. De qualquer forma, a maneira de escrever
é muito suave e deslizante. Embora lhe falte acção é compensado pela brilhante
maneira de escrever. Romance (Les Faux-Monnayeurs) de André Gide (1926),
apresenta em paralelo o desenvolvimento de uma intriga complexa, levantando o problema do bem e do mal, e o processo da escrita da obra, sob
a forma de uma personagem, Édouard, que escreve um romance intitulado Os
Falsos Moedeiros
. É considerado um dos textos mais representativos do
Modernismo literário francês.

André Paul Guillaume Gide (Paris,  22 de Novembro de 1869 — Paris, 19 de
Fevereiro de 1951) foi uu escritor francês.

Recebeu o Nobel da Literatura de 1947. Oriundo de
uma família da alta burguesia, foi o fundador da Editora Gallimar e da revista
Nouvelle Revue Française. Gide não somente era homossexual assumido, como
também falava abertamente em favor dos direitos dos homossexuais, tendo escrito
e publicado, entre 1910 e 1924, um livro destinado a combater os preconceitos
homofóbicos da sociedade de seu tempo, Corydon.

Liberdade e libertação recusando restrições
morais e puritanas, a sua obra articula-se ao redor da busca permanente da
honestidade intelectual: como ser igual a si mesmo, ao ponto de assumir a sua
pederastia e a sua homossexualidade, sem nunca deixar de respeitar os valores
em que se acredita? Entre as suas obras mais importantes estão Os Frutos da Terra a já mencionada Corydon,
A Sinfonia Pastoral
, O Imoralista e Os Falsos Moedeiros.

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