MARCHA-CORRIDA EM FERRAGUDO:

30/Maio/2010 = Hoje temos uma Marcha-Corrida em Ferragudo.

Às 8,04h minutos o autocarro da Câmara saiu do Largo da Estação de Olhão para irmos participar de mais uma Marcha-Corrida desta feita em Ferragudo, mesmo em frente a Portimão, do outro lado do Rio Arade.

Eram 9,06h quando chegámos a Ferragudo e fomos andando até ao ponto de encontro.

Antes porém, começo logo por tropeçar com este monumento dedicado ao Pescador. Uma obra de Francisco Bronze a pedido da Câmara Municipal de Lagos em 1993. 

E finalmente chegámos ao local da concentração, a Praça Raínha Dª Leonor. Embora ainda não estivesse na hora da partida parece que chegámos atrazados pois estava a terminar o aquecimento.

Entretanto, nós aproveitámos para registar a nossa presença nesta linda manhã em que o sol já picava.

Como não podia deixar de ser a partida foi outra grande confusão como de costume os da frente empurrando os de trás. Os organizadores têm que controlar as partidas. Se houver alguém da organização que pegue num microfone (é coisa que nunca falta) as pessoas sentem que há alguém que controla e só por isso, aguardam.

Mesmo no início da caminhada deparo-me com este triste espectáculo. Uma horrivel estátua da Raínha Dª Leonor que pelo que diz a placa foi a fundadora de Ferragudo em 21-8-1520. Para fundadora da localidade merecia por parte dos seus habitante melhor consideração. Mas ela não tem culpa dos filhos que criou. Não merecia uma estátua digna na Praça com o seu nome já existente?

Mas porque a caminhada não pára, a malta já lá vai.

O sol já vai alto e as temperaturas para hoje prometem incomodar um pouco pois vão passar dos 30º.

A Apolónia já arregaça as poucas mangas que tem. Ela é sempre a primeira a queixar-se do calor.

Cá está a guarda avançada de Olhão. E ainda falta aqui a ‘lebre’. (Em termos de atletismo, ‘lebre’ é a pessoa que puxa pelos outros). Ela veio, mas já lá vai e ninguém a segura. Ai daquele que lhe passar à frente.

Mas nós, os mais velhos, que já não temos as pernas em boas condições, preocupamo-nos mais com o estado dos caminhos por onde passamos. E por enquanto ainda vamos em alcatrão. O pior é que já estamos a descer o que quer dizer que vamos ter que subir porque, como diz o povo: tudo o que sobe tem que descer.

E de repente aparece o abastecimento mesmo na hora pois já tinha a garganta seca.

E pronto, acabou-se o alcatrão. Agora há que olhar bem para o chão porque as pedras soltas são um perigo.

Mas a paisagem é bonita, os caminhos estreitos e o pó no ar vai-nos dando temas de conversa.

Esta eu não compreendi. Será verdade ou apenas o sarcasmo de algum brincalhão? Não me admirava nada que fossem as duas coisas.

A ser verdade porque é que nos presentearam com dois rebuçados? E umas senhas para um sorteio qualquer?Arrependeram-se e estão a pedir desculpa?

Vendo este segundo poste parece-me que aqui há brincalhões.

Mas nós temos mais com que nos preocupar. Começámos a subir.

Vá lá que não foram assim tão dificeis as subidas. Muito pior foi em Monchique. Mas agora que já passou até parece que foi fácil.

Vá lá que as flores sempre nos alegram um pouco e estes hibiscos em flôr estão mesmo bonitos.

E no cimo da subida temos uma agradável surpresa. Já conseguimos ver a mar. A entrada da barra ao fundo. Uma vista espectacular.

Com a Marina de Portimão do lado de lá do Rio Arade.

E agora é sempre a descer. Até que enfim vejo alguém a correr. Só podia ser o Helder.

Elas vão tão entretidas na conversa que nem reparam na beleza do postal.

E chegámos à praia. A Apolónia leva na mão um ramo de pistáchio para o nosso filho tentar fazer um Bonsai para juntar aos 50 que já tem. Ao fundo pode ver-se o castelo.

Castelo de Ferragudo (Forte de S. João do Arade).
As suas origens remontam a uma torre de vigia erguida no reinado de D. João II (1481-1495).
Após algumas transformações, no final do século XIX foi utilizado como salão literário e mais tarde vendido em hasta pública por 600$000 réis.
No séc. XX foi pertença do poeta Coelho Carvalho que o remodelou como residência dando-lhe a actual aspecto. Este ano voltou a beneficiar de grandes melhoramentos. Esperemos que não volte a cair no esquecimento!

Pisar a areia já tem sabor a saudade… desde o ano passado.

Passámos junto à Praia do Grelo, que parece não haver restrições no uso de roupa embora não vissemos ninguém em pelota. Ou as estrangeiras ainda não vieram ou as portuguesas fazem um buraco na areia.

Como não temos tempo para averiguar a falta de nudistas vamos em frente que já se faz tarde.

Mas a paisagem é um espectáculo com a Marina de Portimão ao fundo.

E a cidade do outro lado com belas praias de areia branca muito convidativas.

Mas nós estamos em Ferragudo e vamos andando ao longo da sua avenida.

Abrindo caminho por entre as artes pescatórias espalhadas pelos passeios.

Passamos por este monumento dedicado à Operária-Conserveira com 4 belos painéis de azulejos em seu redor.

E chegámos ao fim da caminhada. Regressámos ao ponto de partida.

Agora preciso de explorar as redondezas. Enfio por esta rua acima em direcção à Igreja.

Mas antes de chegar à Igreja chama-me a atenção esta bonita rua estreitinha. Trata-se da Rua Dr. Luiz António dos Santos.

         

Também me deparo com um monumento que me fez recordar a minha infância. Este homem que vemos pintado na parede é BADEN POWELL (1857-1941). Militar inglês, Tenente-General e Chefe Mundial do Escotismo. Ele simplesmente inventou o escutismo. Mas fez muito mais do que isso. As suas aventuras em Banda Desenhada fizeram-me sonhar durante toda a minha juventude.

E chego finalmente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição,

A primitiva construção do século XVI ficou profundamente danificada pelo terramoto de 1755, tendo posteriormente sido reconstruída, sem que fosse mantida a traça original. No seu interior destaca-se um conjunto de de imagens dos séculos XVII e XVIII e uma bela representação de dupla face do século XV representando a Nossa Senhora e o Senhor Crucificado. Tem também uma magnífica colecção de ex-votos de marinheiros e pescadores.

 

Na parede, fora da igreja, tem esta imagem que penso ser de Nossa Senhora da Conceição.

Ainda na parede exterior tem este painel de azulejos representando Nossa Senhora das Almas.

Do átrio da igreja podemos avistar ao fundo a cidade de Portimão, ali tão perto.

E também a foz do Rio Arade.

Aqui podemos apreciar a fachada da Igreja. Em 1520, a Rainha D. Leonor viu as potencialidades do local e procurou garantir aos moradores os meios indispensáveis de segurança, que possibilitassem a sua continuidade e a fixação de outras pessoas. Os privilégios então concedidos foram idênticos aos atribuídos aos habitantes de Silves. O Bispo do Algarve foi uma das personalidades que se instalaram na zona.
É ao Bispo de Silves D. Fernando Coutinho que se deve a edificação, entre 1502 e 1537, da muralha que protegia a povoação bem como do castelo onde provavelmente residia aquando da sua morte.

Terminada a visita à Igreja regresso  por outras ruas para ver outras coisas.

Como estes bonitos batentes, que no Algarve se diz ‘manitas’.

Ferragudo é uma das mais belas silhuetas de vila à beira-mar que se podem encontrar em todo o Algarve. Debruçada sob as águas do Arade em atitude curiosa, a pacata povoação de Ferragudo, conserva a feliz conjuntura geológica que os homens souberam aproveitar em ruas íngremes e recortadas. Abraçada pelas águas do mar e do rio, a povoação de Ferragudo teria nascido por volta do século XIV. Pescadores que procuravam no mar o sustento para as suas famílias, instalaram-se nestas paragens, erigindo toscos e humildes casebres. No entanto, existem vestígios que nos atestam presença humana em Ferragudo no período da Pré-História. 

A foz do Arade foi, alvo de cobiça para os Fenícios e Cartagineses. Os Romanos assentaram arraiais, dedicando-se à pesca e à indústria da salga do peixe. A comprovar esta estada estão os achados arqueológicos encontrados junto ao Forte de S. João do Arade. Segundo fontes históricas, o topónimo Ferragudo provém da existência de um engenho de ferro (ferro agudo), implantado na Praia da Angrinha, cuja finalidade era a de elevar o pescado e as mercadorias das embarcações que ali acostavam. O crescimento da povoação e o seu consequente desenvolvimento conduziram Ferragudo, à condição de Freguesia no século XVIII.

Com o incremento da indústria conserveira, no início do século passado, Ferragudo tornou-se numa povoação próspera, disputando as primeiras posições no mercado nacional das pescas. Tempos áureos que terminaram com a decadência da indústria, atrazada, incapaz de acompanhar as novas tecnologias, tornando-se pouco rentável.  
A pesca continuou, assim, a ser a principal fonte de rendimento e sustento da população. Actualmente, Ferragudo continua a viver do mar mas numa perspectiva diferente. O turismo instalou-se, trazendo consigo o progresso e a riqueza. Às maravilhosas praias  e às excepcionais condições naturais que aqui se podem encontrar, aliaram-se as vilas, os aldeamentos, entre outras unidades de alojamento, tornando Ferragudo, uma região de reconhecida beleza, num lugar aprazível e ideal para umas férias tranquilas.

As lojas de artezanato e afins também por aqui proliferam bem arrumadinhas nas ruas estreitas.

Ferragudo é uma freguesia portuguesa situada no extremo poente do concelho de Lagoa, com 5,74 km² de área e 1 867 habitantes (2001). Densidade: 325,26 h/km². Foi elevada a vila em 13 de Maio de 1999.
Ferragudo, serve como "freguesia dormitório" de Portimão, uma vez que alberga habitantes que trabalham e que se movem diariamente para a cidade do concelho vizinho.
Juntamente com as freguesias de Lagoa e de Estômbar, constituíram o território do concelho de Lagoa após desanexação do concelho de Silves em 16 de Janeiro de 1773.
É uma terra de pescadores que desde sempre esteve intimamente ligada ao rio e ao mar. Hoje, embora mantenha a mesma ligação ao mar, a sua actividade económica está ligada à actividade turística.
Para além da vila, possui outros aglomerados urbanos em franca expansão, dos quais se destaca a Aldeia de S. Francisco, Vale de Azinhaga, Corgos, Gramacho, Presa de Moura e Vale de Lapa.
Possui ao longo da sua área territorial uma vasta extensão ribeirinha e marítima, da qual se destaca o seu pitoresco e belo cais de pesca, bem como uma pequena área de costa marítima na qual se destacam as praias: Angrinha, Caneiros, Torrados, Infanta, Afurada, João Lopes, Molhe, Pintadinho e a Praia Grande; assim como outras belezas naturais tais como a Ponta do Altar, falésias, furnas, algares e leixões.

O Helder anda sempre muito bem acompanhado. Quem o quer ver é sempre no meio das mulheres.

O time das camisolas roxas. Camisolas que sobresaem por tudo o que é canto. Até já fui assediado por raparigas que queriam a minha camisola e em mais do que uma localidade.

O calor aperta e ninguém tem vontade de entrar no autocarro, mas temos que ir andando.

Eram 11,18h quando deixámos Ferragudo e chegámos a Olhão precisamente uma hora depois.

MARCHA-CORRIDA EM MONCHIQUE:

Olhão, 23 de Maio de 2010 = Esta madrugada preparámo-nos todos para rumar até à Serra de Monchique.

Eram 7,33h quando o autocarro da Câmara Municipal de Olhão saiu do Largo da Estação em direcção à Vila de Monchique para mais uma Caminhada mas que teimam em chamar-lhe Marcha-Corrida quando na verdade eu não vejo ninguém a correr mas sim a caminhar.

Eram 8,42h quando chegámos a Monchique. O local da concentração foi escolhido aqui no Heliporto perto do centro da vila. Quando aqui chegámos quase não se via ninguém e o tempo não nos alegrava nada. Estava um pouco fresco e vinha do alto da serra uma brisa muito húmida que parecia nevoeiro e que borrifava tudo e todos. Mas não é uma simples humidade que faz esta gente parar.

Houve logo quem pusesse a malta ‘mexer’. As pessoas íam-se juntando e cada vez havia mais.

A Apolónia arranjou logo alguém para conversar porque as mulheres têm sempre alguma coisa para dizer.

E lá vai ela para o aquecimento que nunca dispensa.

O pessoal vai-se chegando e vai-se mexendo. Aqui é preciso fazer uma chamada de atenção. Em quase todas as caminhadas nota-se uma grande dificuldade de aqueles que têm o microfone nas mãos conseguirem segurar a multidão. Eu sei que isto de lidar com o público não é para toda a gente.Já estamos mais que fartos de ver meia-dúzia de chicos espertos que têm uma pressa danada para sair antes da hora armando sempre uma grande confusão. É evidente que são as pessoas do microfone que têm a obrigação de segurar os caminhantes. Eles não estão lá só para nos darem o aquecimento. Também têm o dever de ir controlando as massas, ou seja, entreter as pessoas até à hora certa.

Quando hoje a menina que estava controlando o aquecimento deu este por terminado ainda faltavam 15 minutos para as 9,30h que é a hora oficial da partida. Vai daí as pessoas lançaram-se de corrida para iniciar a caminhada provocando uma confusão total.

Mas desta vez a pronta intervenção da GNR meteu ordem na situação. Um carro da GNR furou até alcançar os primeiros e obrigou-os a esperar no meio da estrada pelos restantes e também pelas 9,30h. Só depois deram início à partida. Gostei de ver.

Aqui podemos ver todo o pessoal esperando.

E aqui vemos quando foi realmente dada a partida.

E vem tudo por aí abaixo de rompante. O caminho era muito estreito com muitas pedras soltas que davam muito mau andar.

Mas conseguimos chegar cá abaixo com uma certa dificuldade com tanta gente junta num espaço muito estreito.

Como tudo o que sobe tem que descer o inverso também se aplica. E como começámos a descer agora vamos ter de subir.

Primeiro lentamente e como ainda estamos no princípio até parece fácil.

Apanhámos este pedaço de estrada alcatroada que nos redobrou as forças. Aqui vai a malta que gosta de ficar nas fotografias. Vamos lá a ver se todos gostam do que vêm.Até parecem a guarda avançada do pelotão.

Este terreno aqui era muito bonito porque a paisagem estava muita amarela do Tojo, uma planta que se vê por todo o lado mas que é preciso muito cuidado porque tem muitos espinhos.

Desta vez o posto de abastecimento a meio do caminho foi feito de maneira diferente. Alguém entendeu que assim era muito mais fácil e parece-me que tinha razão porque se evitou a fila que sempre se encontra. Espalharam as águas e as laranjas pela beira da estrada e as pessoas ao passarem serviam-se.

Enquanto as pessoas vão chupanda as laranjas também vão dizendo adeus ao alcatrão.

Agora atravessamos uma zona um pouco mais aberta, o que é quase raro pois nesta serra o matagal é tão cerrado que nós ouvimos a água dos regatos a correr mas é muito difícil vê-la.

E o arvoredo já se vai vendo mais denso.

Quando me embrenhei no denso matagal para aliviar as águas quase ía caindo dentro deste regato.

E voltámos novamente ao fechado matagal. Esta foi a caminhada mais ‘fechada’ que já fiz. Muito diferente do barrocal ou da costa, muito mais bonito tanto verde mas muito mais difícil com tanta subida. Cheguei a ter uma certa dificuldade em respirar devido às longas subidas, mas aguentei.

E de repente, saído do nada, aparece-nos esta escadaria ladeada por muitas flores. Era sinal de que estávamos a entrar novamente na vila.

Mas ainda faltava o mais difícil. Aparece-nos também esta íngreme subida que a Apolónia ficou aflita.

A subida era tão difícil que colocaram uma corda a servir de corrimão e só assim a Apolónia conseguiu subir.

Mas chegámos cá acima. Lá em baixo deram-nos uma capa de plástico para a chuva e veio mesmo a calhar porque começou a chuver aquela chuva miudinha a que chamam de ‘molha tolos’ mas que também molha os espertos.

Esta fotografia tem duas curiosidades. A tal chuvinha miudinha já era bastante intensa e olhando para as pessoas umas estão bem protegidas mas outras parece que estão na praia. A outra curiosidade é que o homem dos jornais nos estava a enganar distribuíndo o jornal do dia 6 de maio. Com quase 3 semanas de atrazo, devem pensar que somos burros.

E agora é que estamos mesmo no final. O meu pedómetro marca 4680 metros.

Terminada a caminhada eu não podia deixar de dar um saltinho ao centro da Vila tanto mais que era já ali à frente. Passei aqui pela Calçada de Santo António, pelo Mercado Municipal.

E fui dar à Escola Preparatória de Monchique onde encontrei este grande painel de azulejos.

No centro de duas grandes serras (Foia e Picota), o concelho de Monchique entra na história com a presença dos romanos nas Caldas de Monchique, atraídos pelo poder curativo das suas águas. Nos séculos seguintes, a serra foi-se povoando lentamente e no século XVI Monchique era já uma povoação suficientemente importante para merecer a visita do rei D. Sebastião, que pretendeu conceder-lhe o estatuto de vila. A tecelagem da lã e do linho – os sólidos sorrobecos, orianos e estopas dos tempos antigos – entre outras actividades, como as relacionadas com a madeira de castanho, contribuíram para a prosperidade e desenvolvimento de Monchique, de tal forma que em 1773 foi promovida a vila.

As alterações económicas provenientes da industrialização significaram a perda da actividade têxtil e de outras manufacturas. Hoje, Monchique é vila airosa, virada para o turismo, com um artesanato activo e uma economia diversificada. Possuindo das florestas mais ricas do Algarve, ricas em sobreiros, eucaliptos, castanheiros, entre outros, Monchique tem também como ex-líbris esta mata que dá a conhecer aos seus visitantes através de safaris, parques zoológicos e naturais e expedições pedestres.

    

MULHER COM CESTO, Escultor Melicio, 1999. Escultura no centro de Monchique como muitas outras.

Um grande mural de azulejos embeleza o centro da vila.

As casas têm a arquitectura algarvia tradicional nas paredes brancas, nas cantarias, nas manchas de cor das portas e janelas, embora exibam as típicas chaminés de saia, tão diferentes do litoral. O facto de treparem por colinas íngremes, de as ruas estreitas abrirem a cada passo novas perspectivas sobre a serra verdejante, dá-lhes, porém, um certo exotismo, aumentado pela presença de cameleiras e hortênsias, de árvores de fruto, evocadoras de jardins e pomares. Justificação para um prolongado passeio de descoberta de um recanto diferente do Algarve.

No centro da vila podemos apreciar como trabalhavam as noras porque esta até trabalha.

Subindo esta pequena ladeira chegamos junto a este grande painel de azulejos e não resisto a chamar uma dúzia de nomes aos inteligentes que resolveram colocar duas árvores a tapar este belo painel de azulejos. Escuzavam de estar com tanto trabalho, bastava terem simplesmente pintado a parede. Daqui por mais uns anos, quando as árvores cresceram mais um pouco não se verá nada do painel. Muito mal.

Estando junto ao painel de azulejos e olhando para baixo vemos isto. A pedra da região predomina. Muito bem.

De todas as esculturas que vi nesta praça esta foi a que eu gostei mais. Trata-se de uma homenagem ao médico Dr. Humberto Messias, filho da terra.

Vejam como estava um dia triste esta manhã em Monchique.

Monchique fica na Serra de Monchique, uma cadeia montanhosa cheia de bosques de castanheiros e campos de flores silvestres que se tornam particularmente belos no início da Primavera, com o esplendor amarelo dos arbustos de mimosa. Um passeio até Picota, o segundo pico mais alto (773 metros), oferece vistas espectaculares sobre vales selvagens, precipícios e prados com uma enorme variedade de vegetação, do castanheiro à mimosa e acácia, pinheiros e sobreiros, além de campos férteis em socalcos. A própria vila de Monchique é pequena e despretensiosa, conhecida pela sua altitude (458 metros) e pelos produtos tradicionais da região, que incluem artefactos de madeira e couro, cestos, cortiça, camisolas de lã, presunto, mel e a famosa aguardente de medronho do Algarve. Uma cascata de casas brancas separadas por ruelas calcetadas desce até à praça principal, onde a população se reune em dias de festa. Ali perto, a igreja matriz, do século XVI, exibe um belo portal manuelino com colunas retorcidas que terminam em pináculos. A apenas 6 km, a encantadora vila de Caldas de Monchique, rodeada de tranquilas matas, orgulha-se das suas termas, conhecidas desde o tempo dos romanos. As suas águas quentes são utilizadas para tratar numerosos males, desde o reumatismo a problemas respiratórios e musculares, doenças de pele e digestivas. Uma pequena e acolhedora praça central, com cafés e esplanadas à sombra das árvores, completa o encanto algo antiquado de Caldas de Monchique.

Parece que aos domingos de manhã se realiza um mercado de rua nesta praça no centro de Monchique. A chuva miudinha que se fazia sentir não era nada bom para o mercado mas as pessoas abrigadas pela densa vegetação das árvores lá se íam desenrascando como podiam.

Igreja MatrizA Igreja Matriz de Monchique foi erigida nos séculos XV e XVI, sendo reconstruída, como tantas outras no país, após o terramoto de 1755. Tem portas laterais e portal manuelino, com uma decoração fora do vulgar: cinco pontas formam ângulos em volta da parte superior. O interior tem três naves separadas por colunas decoradas com os mesmos motivos do portal. No retábulo da capela-mor (do século XVIII), dois anjos seguram a Lua e o Sol. O brilho fulgurante da talha dourada faz sobressair todo o conjunto, que se destaca na brancura das paredes. Uma das capelas possui abóbada revestida de azulejos do século XVII; São Francisco e São Miguel estão representados nos painéis que cobrem as paredes. Destacam-se ainda, na Capela de Nossa Senhora do Carmo, um simples retábulo de madeira de forma pouco convencional, e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, do século XVIII, provavelmente da autoria do escultor Machado de Castro.
A Igreja não a vimos, já não havia tempo. Fica para a próxima.

E para terminar passei junto ao Mercado Municipal que tinha esta varanda. Qualquer vista por aqui é espectacular mesmo com nevoeiro.

MARCHA-PASSEIO EM ALBUFEIRA:

Olhão, 16/5/2010 = Hoje temos uma Marcha-Passeio em Albufeira.

Eram 8,30h quando saímos do Largo da Estação no autocarro da Câmara Municipal para nos integrarmos numa Marcha-Passeio a realizar em Albufeira.

Às 8,48h chegámos ao Estádio Municipal de Albufeira onde também assenta arraiais o Imortal Desportivo Clube, conhecida colectividade desta cidade.

Começámos por apreciar as instalações e entretanto o pessoal começava a chegar.

Á medida que os minutos passavam as pessoas eram cada vez mais aproveitando para pôr as conversas em dia.

Eu e a Apolónia deixámos aqui o registo da nossa presença como já vai sendo habitual.

A Apolónia já arranjou companhia para a caminhada.

O Helder encarregou-se de pegar nas rédeas do aquecimento porque a organização, neste aspecto deixou muito a desejar. O espaço era grande, havia uma instalação sonora razoável mas parece que não havia ninguém para dirigir o aquecimento. Ainda por cima, só depois de terem dado a partida é que fomos informados de que teríamos de dar uma volta à pista como forma de aquecimento.

E lá demos a tal voltinha ao estádio, provavelmente para ficarmos a saber o que era uma pista de ‘tartan’.

Tivemos que contornar o Estádio pelo lado de fora também e só depois metemos por uma ladeira acima.

Lá de cima íamos vendo o resto do pessoal lá em baixo.

Fomos seguindo pela pista de ciclismo até chegarmos à estrada.

Como se pode ver pelo cartaz, as indicações até estavam muito bonitas e vistosas mas falta uma pequena coisa: a indicação dos quilómetros já percorridos. As pessoas gostam de saber tudo e o ‘tudo’ também inclui a quilometragem. Quem não souber como se faz é só perguntar ao Helder que ele é especialista em organizar caminhadas.

Felizmente eu venho prevenido. Trago sempre o meu pedómetro. Um pedómetro é um pequeno aparelho de cintura que permite medir o número de passos e as distâncias percorridas.

Como esta se trata de uma caminhada urbana com alguns pedaços de campo por vezes chega a parecer um pouco monótona. Por vezes reparamos que certas árvores de grande porte formam ainda bolsas verdes muito agradáveis de ver e sentir o seu cheiro.

É o caso destes sobreiros que já devem ter uns anitos muito bons. Era o tema de conversa dos caminhantes e muitos diziam que não íam lá estar por muito tempo. A construção desenfreada tratar-lhes-há da saúde.

Chegámos a este posto de abastecimento onde nos deram uma garrafita de água e tivemos que decidir por onde ir. Optamos quase sempre pelo percurso pequeno porque a nossa idade já não dá para mais.

Como gosto muito de azulejos verifico com agrado que as placas toponímicas desta cidade têm muita qualidade.

Estamos quase no final da caminhada e verifico que as pessoas ainda se mantêm muito próximas umas das outras, talvez por não haver grandes subidas.

Mas aqui está uma. Isto de subidas para os velhos não é pêra doce. Toda a gente resmunga mas avançamos sempre.

E depois, como diz o povo, tudo o que sobe tem que descer. Portanto para baixo, também diz o povo, todos os santos ajudam.

Chegámos ao Estádio. Estávamos no ponto de partida. Agora era só subir uma pequena rampa.

Aqui na rampa as pessoas faziam bicha para mais uma água e um pão com chouriço.

Cá temos o Jornal do costume, a garrafa de água e o pão com chouriço.

E aqui podemos ver o local de entrega do pequeno lanche.

Devido ao calor que já se fazia sentir, a organização teve a bela ideia de colocar aqui um grande toldo com mesas e cadeiras para que os caminhantes pudessem tomar o lanche num ambiente agradável e fresco.

Depois de comidos e bebidos entrámos no autocarro para o regresso. Vi logo que vinhamos por um caminho diferente. Passámos a rotunda das lombrigas (não deve ser este o nome mas era assim que as pessoas diziam). A cor original, prateado, foi substituída pelas cores da Bandeira Nacional como forma de participação do Município no Euro 2004 (e assim ficou …). O engraçado é que já vi nomes como minhocas turísticas, lagartas e rotunda 6. Afinal, qual será o nome desta rotunda? Será que tem nome ou fica ao critério de cada um?

E por falar em rotundas, cá temos mais outra e esta tal como parece é. Rotunda dos Relógios.

Fomos andando por uma rua nas traseiras da Câmara Municipal e viemos dar a este miradouro que tem uma vista fabulosa da parte antiga da cidade.

E como estamos numa cidade turística até tem um comboio para os turistas verem a cidade sem se canssarem.

Mas daqui vê-se quase tudo, até o mar. E o curioso é que as gentes de Olhão até parece que nunca viram o mar.

Não há dúvida de que esta gente tem uma sorte danada por terem uma praia à beira de casa. Também já havia muita gente na praia, não parece mas já estamos em Maio.

Este é o local da antiga lota. Quem viu isto à quarenta anos atrás certamente que tem muito para dizer.

Estamos no cimo das escadas rolantes.É só luxos.

Desconhecem-se as origens de Albufeira, mas tudo leva a crer que a região já era povoada em tempos pré-históricos e que o local onde hoje se ergue a cidade teria sido, alguns séculos antes da nossa era, uma importante povoação com o seu porto marítimo. A primitiva povoação foi ocupada pelos romamos que lhe deram o nome de Baltum. Introduziram uma organização administrativa centralizada e desenvolveram uma intensa actividade agrícola e comercial. Construíram aquedutos, estradas e pontes das quais ainda hoje existem vestígios.

O topónimo Albufeira provém da denominação árabe "Al-buhera" que significa "castelo do mar", razão que poderá estar ligada à proximidade do oceano e/ou da lagoa que se formava na zona baixa da localidade. Os árabes construíram sólidas fortificações defensivas, tornando-a quase inexpugnável, o que até certo ponto não era infundado, porque Albufeira foi uma das praças que os árabes conservaram por mais tempo em seu poder. O desenvolvimento da agricultura foi notável e verificou-se a introdução de novas técnicas e de novas culturas. Os árabes usavam já a charrua e os adubos, assim como as noras para a elevação de águas nos poços. Introduziram novos sistemas de irrigação nos campos, salientando-se os açudes e levadas, transformando assim zonas incultas em hortas e pomares.

 Quando d. Afonso III ocupou o trono, já parte do Algarve tinha caído em poder dos cristãos. Templários e Hospitalários, ordens militares que auxiliavam na Reconquista, salteavam frequentemente as terras que ainda estavam sob domínio árabe., mas detinham-se sempre diante das fortes muralhas de Albufeira. Sómente depois da tomada de Faro é que a situação de Albufeira se tornou insustentável. Cercada de inimigos por todos os lados, a praça caiu em poder de D. Afonso III, que imediatamente a doou à Ordem de Aviz. Os mouros foram perseguidos de tal forma, que só escaparam ao furor dos vencedores os que fugiram e se refugiaram numa caverna, denominada Cova do Xorino, situada por baixo das rochas demilitantes da cidade pelo lado sul. No reinado de D. Manuel I jà a vila reconquistara a sua antiga importância, pois este monarca concedeu-lhe foral em 20 de Agosto de 1504.

Albufeira foi das cidades algarvias a mais castigada por cataclismos naturais. Mas foi o terramoto que causou maiores estragos. O mar invadiu a vila com ondas que atingiram 10m de altura, destruindo quase todos o edifícios, tendo apenas ficado de pé 27 habitações e estas muito arruinadas.A Igreja Matriz, antiga mesquita árabe adaptada ao culto cristão, onde a população se refugiara, pedindo misericórdia, desabou causando 227 vítimas. Depois deste terramoto continuou todo o Algarve a sofrer abalos violentos até 20 de Agosto do ano seguinte o que não impediu que se iniciassem as obras de reconstrução por ordem do Bispo D. Francisco Gomes de Avelar. Em 1833, durante a guerra civil entre absolutistas e liberais, Albufeira foi cercada e atacada pelos soldados  do Remexido: um chefe popular absolutista que danificou profundamente a vila e executou grande número dos seus habitantes. A partir de meados do século XIX verificou-se um desenvolvimento da economia graças à actividade piscatória.

 Nas primeiras décadas do século XX registou-se um aumento acentuado da exportação de peixe e de frutos secos. A vila tinha, então, cinco fábricas que empregavam 700 a 800 pessoas, sobretudo mulheres de pescadores. De 1930 a 1960 registaram-se tempos de decadência, as armações de pesca arruinaram-se, as fábricas fecharam, as embarcações desapareceram e muitas casas foram abandonadas. A população ficou reduzida a metade e a pesca tornou-se novamente numa actividade de subsistência..

No início da década de 60, assistiu-se ao nascimento do fenómeno turístico, Albufeira foi foi procurada por turistas nacionais, mas foi sobretudo com os ingleses que propsperou. Na década de 80, verificou-se um enorme surto urbanístico, tendo a cidade crescido para nascente, local para onde se transferiu a maior partes dos serviços administrativos, incluindo a Câmara Municipal.

As belíssimas praias de Albufeira e arredores mudaram a vida no Algarve.

Por isso, nem mesmo os olhanenses ficam indiferentes a tanta beleza.

O mar está calminho. Está mesmo um daqueles dias que só apetece ficar na praia o dia todo.

Reparem só nesta calmaria. Está ‘mar chão’ como diz a malta do mar.

Parece que ninguém quer arredar pé daqui.

Mas tem que ser. Devo aqui dizer que fiquei muito surpreendido por terminada a caminhada não termos voltado logo para Olhão como acontece sempre. Já sei que foi o Helder que teve a ideia de virmos ver a praia. E foi uma belíssima ideia. Espero que isto se mantenha, de futuro porque, se um dos objectivos destes passeios também é passear além de caminhar, então não custava nada passar pelo centro das vilas e aldeias onde vamos marchar. É que muitas das vezes nós nem sequer vemos as fachadas das igrejas ou de outros monumentos porque, de uma maneira em geral as caminhadas são quase sempre nos arredores.

Já repararam na beleza deste miradouro que nunca teríamos visto se não fosse esta voltinha de 15 minutos?

Muitos de nós já conhecemos Albufeira mas outros não conhecem esta parte da cidade. Quantas cidades, vilas e aldeias nós poderemos vir a conhecer apenas com mais 15 minutos?

Eu sei que às vezes ou não apetece ou têm muita pressa. Tudo bem, mas quando apetecer nós ficamos à espera.

Esta rapaziada fez questão de ficar no boneco, por isso, aqui fica o registo.

E agora é que vamos mesmo, porque os 15 minutos já devem de ir em meia hora.

Antes de sairmos de Albufeira ainda passámos por esta rotunda que é conhecida por Rotunda do IRS. Porque será? Mas vim a saber que aqui as rotundas são conhecidas por números, talvez à espera de que o povo as baptize como tem vindo a acontecer.

PASSEIO A PORTEL:

Olhão, 12/Maio/2010 = Eram 7,38h da manhã quando saímos do Largo da Estação para uma excursão organizada pela Câmara Municipal.

O projecto "Mais Vida à Vida" iniciou-se no ano de 2001 e tem desde então permitido que a população, com idade igual ou superior a 60 anos, residente no Concelho de Olhão, visite e conhça novas localidades, com enfoque especial, para a descoberta do, relevante, património natural e constrído. Este ano os "Passeios da Primavera" irão visitar as históricas povoações de Portel e de Moura, passando pela Barragem do Alqueva.

Às 7,51h chegámos a Moncarapacho para receber as pessoas desta localidade e às 9,00h entrávamos na Estação de Serviço de Almodovar para esticar as pernas, aliviar as águas e fazer despesa neste estabelecimento que também precisam de viver. Às 9,25h arrancámos rumo a Portel.

Às 10,47h entrámos em Portel e descemos nesta praça que tem um candeeiro lindo dos tempos do ferro fundido. O Concelho de Portel faz parte do Distrito de Évora, está localizxado naza sul e encontra-se praticamente equidistante das cidades de Évora e Beja (respectivamente, a 42 e a 38 kms.), com as quais está em ligação por meio do IP2.

Subindo a Rua do Espírito Santo chamou-me a atenção este abaulado entre janelas. Serviria para alguma coisa ou será apenas decoração? Nunca vi nada igual mas lá que é bonito, é. Administrativamente, a área do Concelho de Portel acha-se dividida em 8 freguesias: Alqueva, Amieira, Monte do Trigo, Portel, Santana, S. Bartolomeu do Outeiro e Vera Cruz.

Ainda neste prédio pode ver-se este brasão em pedra que me disseram ser o Hospital. Situado na zona de transição entre o Alto e o Baixa Alentejo, o concelho caracteriza-se fisicamente por incorporar em grande parte a Serra de Portyel, acidente geográfico que toma a forma de uma ferradura alongada, com as extremidades orientadas na direcção de poente. No interior da serra, estende-se uma zona de terras baixas irrigadas por numerosos cursos de água. Como resultado recente da intervenção humana, assinalemos ainda na área concelhia a presença de duas importantes albufeiras, a de Alvito e a de Alqueva, que delimitam a poente e a nascente a área concelhia.

E viemos parar nesta Igreja do Espírito Santo do século XVI.

Ao entrarmos nota-se qualquer coisa de diferente. Tem dois andares com altares em cima e em baixo. A Igreja é pequena porque aqui mesmo ao lado esquerdo funcionava e parece que ainda funciona, um hospital. As paredes não têm interesse nenhum mas os altares sim e o tecto também.

Subimos ao primeiro andar para ver este altar nas alturas. Ainda gostava de saber para que servem tantos altares. Se é para dar missas, um chegava. Agora se é para que todos os santinhos tenham o seu lugar, a conversa já é outra. O que eu também não compreendo é a falta de informação escrita sobre esta igreja.

Saímos da Igreja e continuamos subindo apreciando becos e escadinhas. Historicamente, o Concelho de Portel tem origem em meados do século XIII, quando, a partir de 1257, D. João Peres de Aboim, que viria também a ser conhecido por D. João de Portel, entra na posse de uma extensa área, destacada do Concelho de Évora.. Este vasto território passou então a formar o termo do Concelho de Portel, vila a que é outorgado foral em 1262. Já bastante mais tarde, em meados do século XIX, foi anexada ao município uma nova área, a do então extinto Concelho de Oriola.

E estamos quase no final da rua. A vila de Portel nasceu praticamente com D. João de Portel, e desenvolveu-se à sombra do castelo por ele fundado ou por ele remodelado. Incorporada na Coroa em 1301, no reinado de D. Dinis, a vila é mais tarde, em 1385, integrada no senhorio de D. Nuno Álvares Pereira. Este, por seu turno, vai doá-la, em 1422, a seu neto D. Fernando, passando então Portel a estar integrada no património da Casa de Bragança.

Aqui está uma autêntica rua alentejana sem um único carro. Hà muito tempo que eu não conseguia fotografar uma rua sem carros. Só por isso valeu a pena cá vir.

E chegámos à Capela de Santo António, do século XVI-XVII, com azulejaria seiscentista de tapete a revesti-la interiormente.

Actualmente a Capela está desactivada e guardaram o altar noutro local porque precisavam de um espaço para eventos. Eventos pequenos porque o seu espaço é muito limitado.

Apesar de ter um espaço muito pequeno é um autentico espectáculo de azulejaria. Só a abóbada do tecto não tem azulejos porque todas as paredes são revestidas.

Vejam só esta velhinha pia baptismal rodeadas de azulejos.

Já se vê a Torre do Castelo a a Igreja da Misericordia (século XVII) que não pudemos ver porque se encontrava fechada.

E chegamos à Praça de D. Nuno Álvares Pereira São Nuno de Santa Maria (1360-1431) e ao fundo o edifício da Câmara Municipal.

Esta é a entrada lastimosa da Câmara Municipal. Deixarem estes horrorosos fios negros proliferarem por toda as cidades e vilas deste País já é vergonhoso mas permitir que se agarrem como lapas às paredes de monumentos como é este caso, é simplesmente inacreditável. É assim que se preservam neste País os legados do passado.

Chegámos finalmente ao Castelo. Assente num elevado outeiro, o seu conjunto fortificado é composto por duas ordens de muralhas. Uma cerca exterior, construída em taipa, que envolve a Vila Velha e o próprio Castelo, e este que, no início do século XVI, foi transformado num paço fortificado.

Deste patamar já temos uma bela vista mas ainda só estamos no chão do Castelo.

E entramos para ver as ruínas do Castelo. As muralhas exteriores não estão lá muito mal porque se vai lavando a cara de vez em quando, mas no interior está tudo em ruínas. Sendo o Castelo o monumento mais marcante da vila de Portel não se compreende porque é que só lhe lavaram a cara. Certamente há outras prioridades.

Com o decorrer do tempo, porém, a Vila Velha, cercada por muros, vai sendo abandonada. Extramuros, primeiro, a partir da encosta da colina, e, depois, estendendo-se pelas zonas baixas, desenvolve-se um novo núcleo de povoamento, orientado predominantemente para noroeste, em função dos eixos vários conducentes a Évora. Mais tarde, já na época moderna, cria-se a sul do núcleo histórico uma nova e extensa malha urbana, de traçado regular.

O monumento mais marcante da vila de Portel é decerto o seu conjunto fortificado, em que se destaca a imagem do Castelo, de planta octogonal, e a imponente torre de menagem a ela adossada, que se supõe ter sido erguida no reinado de D. Dinis. Já quanto à vasta cerca que envolve a colina, edificada em taipa, há quem lhe atribua uma origem árabe, ou quem defenda que a sua edificação se ficou a dever à iniciativa de D. João de Portel.

E é claro que as vista lá de cima das muralhas do Castelo são um espectáculo a perder de vista.

Vê-se, lá em baixo a Igreja Matriz com um enorne jardim de oliveiras por trás. Todas as terras têm sofrido uma transformação paisagistica muito grande com o intuito de se arranjar primeiro aquilo que os olhos vêm.

A parte de fora do Castelo também está muito bonita porque… os olhos vêm em primeiro.

E agora que já vimos o Castelo vamos andando porque já está pingando. Mas felizmente os aguaceiros prometidos pela Meteorologia não nos chegaram a incomodar.

São casas pequenas mas que devem ter uma grande lareira pelo porte da chaminé. É uma arquitectura muito alentejana e muito bonita, apesar de simples.

Cá está outra com alguma verdura que lhe dá outra graça mas a chaminé é realmente muito desproporcional em relação à casa. O que não deixa de ter a sua beleza.

E agora observemos esta rua antiga. Tem duas escadarias, uma privada e outra pública. Não deixa de ser engraçado.

Se não fossem os fios pretos pendurados em paredes brancas até que ficaria um postal muito típico.

 

Construído entre 1754 e 1766, este templo veio substituir a primitiva igreja matriz, de fundação medieval, situada na vila muralhada. Nas centúrias seguintes, sofreu reformulações interiores na nave e no presbitério.
Apresenta espaço unificado, com cobertura em abóbada de berço, cinco altares colaterais e dois púlpitos. Na capela-mor, observam-se telas da autoria da pintora Maria Fernanda Toscano Rico.

 

Já estamos cá em baixo e são horas de ir andando para o autocarro que nos levará para outras paragens.

Ainda damos uma última vista à paisagem que neste local tem uma vista fantástica. E agora vamos até à Amieira.

PASSEIO A AMIEIRA:

Ao sairmos de Portel fomos direitos à Marina da Amieira.
Nem sequer parámos. O que vimos foi de dentro do autocarro e de longe. Não teria sido má ideia pararmos um pouco para termos uma pequena ideia da Marina. Por outro lado também compreendo que só para sair do autocarro as pessoas levam um tempão. De qualquer das formas 5 minutos teriam sido suficientes para ver o ambiente mais de perto.
Agora digam lá o que é que se vê aqui de cima. Nada. Só água.
A paisagem até é bonita mas  continuo a dizer que só vimos água.
Teria sido interessante ver a Marina e o que por lá havia. É preciso ver que há quem faça excursões só para lá irem almoçar. Certamente que deve ter alguma coisa de interessante.
Tirando uma vaca que se atravessou no caminho do autocarro não vimos mais nada de interesse.
Estatua de Mestre Baptista e Forcados na Amieira.
AMIEIRA – Freguesia do concelho de Portel, comarca de Reguengos de Monsaraz, distrito e diocese de Évora e fica a 13 kms da sede do concelho.
Por isso apressámo-nos para ir comer. Entrámos na vila da Amieira que fica a poucos quilómetros da Marina e parámos num Restaurante de nome O Aficionado. O nome faz jus ao ambiente. O dono deve ser algum maluco por touradas porque toda a decoração era relativa a touradas. Eu até sou ribatejano mas detesto touradas. Claro que isso não me impediu de comer com gosto.
 
E aqui está algo curioso. Uma replica do Estádio do Benfica cheio de moedas de 1 cêntimo. Ainda gostava de saber qual é o objectivo desta colecta. Será para ajudar a pagar o Estádio?
Ao entrarmos passamos pelo Bar em que tudo diz respeito a touradas.
Quadros destes são aos montes e por todo o lado no Bar.
E no Restaurante não faltavam as fotografias sobre touradas.
 
Esta é uma vista geral do Restaurante.
Assim que nos sentámos à mesa o pessoal atacou o presunto, por sinal com muito bom aspecto. Água e vinho alentejano como não podia deixar de ser. Achei estranho não haver azeitonas na terra delas mas duas coisas salgadas era demais por isso achei boa opção não as terem incluído. Também achei estranho não haver manteiga mas como eu sou contra este produto ainda achei melhor não a ver. Falta dizer que o pão era de boa qualidade. Demasiado boa qualidade. Até o pão alentejano continua cada vez mais branco o que lhe tira qualidade nutricional. Aqui dou um excelente.
Primeiro começámos por um óptimo Creme de Feijão Verde e como a fominha já se fazia sentir caiu muito bem. Por se ver que era uma sopa feita no restaurante eu dava um excelente.
E depois veio o prato principal. Bacalhau de Cebolada que não estava mal. Neste caso o bacalhau é passado por farinha e frito depois. Coloca-se a cebolada em cima e vai ao forno (ou não). O prato estava bom mas eu preferia que não tivesse sido frito, bastava levá-lo ao forno. Teria ficado muito mais macio, tanto mais que eram boas e grossas postas. De cozinha percebo eu e também sei que em hotelaria se usam processos errados pensando que facilita o serviço e por vezes estragam tudo como foi o caso deste prato. O bacalhau chegou à mesa demasiado duro e foi pena porque até era de boa qualidade e não estava nada salgado. De qualquer forma estava bom mas não excelente.
A Cassata de Baunilha com Chocolate também estava boa mas aqui não é mérito do restaurante porque se trata de um produto comercial. É só comprá-lo já feito e distribuí-lo na hora. Poupa muita mão-de-obra mas tem o inconveniente de não dar nome ao restaurante. De qualquer forma também estava bom mas não excelente.  
Estes bolinhos secos servidos com o café deixaram-me na dúvida se teriam sido feitos no restaurante ou não mas como cheiravam a frescos estou em crer que sim. Sempre me ensinaram que em caso de dúvida nunca se deve prejudicar ninguém por isso dou um excelente porque até gostei deles. Foi ainda servido um Licor de Poejo que toda a gente gostou. Como não bebo álcool estou em crer que devia estar excelente.
Três excelentes e dois bons. Quer dizer que na prática o excelente ganha porque não incluo a simpatia, nem o serviço, nem a decoração, nem o asseio que nestes casos de grupos pouco conta. Mas no cômputo geral foi agradável.
Como aficionados que eram não podiam deixar de ter um painel de azulejos destes a condizer com a sua condição. E daqui seguimos para a Barragem do Alqueva.

PASSEIO À BARRAGEM DO ALQUEVA:

 

E de repente o espelho de água da bacia do Alqueva começa a surgir à nossa vista.

São multiplas formas de água serpenteando no meio dos cabeços formando uma vista espectacular.

Guadiana é um rio internacional que nasce a uma altitude de cerca de 1700 m, nas lagoas de Ruidera, na província espanhola de Ciudad Real. Renasce no Ojos del Guadiana e desagua no Oceano Atlântico, através de um grande estuário entre a cidade portuguesa de Vila Real de Santo António e a espanhola Ayamonte no Golfo de Cádis, um braço do Oceano Atlântico. Os romanos chamavam-lhe ‘Anas’ ao que os Mouros juntaram ‘Uádi’, a palavra árabe para rio, sendo então o ‘Uádi Ana’; a forma vernácula ‘Odiana’ perdurou até ao século XVIII, altura em que foi substituída pelo termo de origem castelhana Guadiana.

Até que o betão aparece-nos na nossa visão de uma maneira repentina que nos deixa quase sem fôlego.

A Barragem de Alqueva é a maior barragem portuguesa, situada no rio Guadiana, no Alentejo interior, perto da aldeia de Alqueva. Foi construída com o objectivo de regadio para toda a zona do Alentejo e produção de energia eléctrica, para além de outras actividades complementares. O Guadiana faz por duas vezes fronteira entre Portugal e Espanha. Primeiro entre o rio Caia e a ribeira de Cucos, e depois desde o rio Chança até à foz. É navegável até Mértola. O primeiro sector da fronteira não está demarcado entre a ribeira de Olivença e a ribeira de Táliga, devido ao litígio fronteiriço de Olivença. No seu curso total, de 829 km, o rio é navegável até uma distância de 68 km da sua foz.

Estamos circulando no tabuleiro superior o que nos dá uma vista espectacular.

O plano de rega do Alentejo, no sul de Portugal, incluindo um conjunto de albufeiras de armazenamento e uma rede d distribuição, permitirá irrigar mais de 110 mil hectares de solos agrícolas numa região carecida de água e em prolongado processo de desertificação biofísica e humana. As barragens colocam contudo, uma variedade de problemas que requerem consideração atenta, designadamente riscos geotécnicos e sísmicos e impactos biológicos, climáticos, agrícolas, sociais e económicos, nos territórios e nas populações adjacentes. No rio Guadiana, no Alentejo interior, perto da fronteira espanhola, está situada a Barragem do Alqueva, a maior barragem portuguesa. Foi construída com o objectivo de regadio para toda a zona do Alentejo e produção de energia eléctrica para além de outras actividades complementares.

Lá em baixo pode ver-se uma outra estrada. No caso em análise, a barragem do Alqueva, foi necessário o abate de árvores da mata ribeirinha que eram predominantemente de grande porte, oferecendo condições adquadas para a nidificação de vários animais. Estas são o suporte para inúmeras espécies, desempenhando um importante papel para todo o ecossistema. Após a construção da barragem, toda a zona ribeirinha a montante e a jusante sofreu mudanças bruscas e irreversíveis.

A Barragem de Alqueva, quase na sua cota máxima, transformou o Rio Guadiana no maior lago artificial da Europa.

Grande parte do território da freguesia da Luz (Mourão), a tão falada Aldeia da Luz, foi submerso pelas águas da albufeira da Barragem de Alqueva, a partir de 2002. Foi construída uma nova aldeia, para onde se mudaram todos os habitantes da Luz.

Desde sempre foi discutida a qualidade da água que iria encher a barragem do Alqueva. Muito foi discutido sobre o impacto ambiental de tal empreendimento. Várias vozes se elevaram contra a sua construção. Afinal sempre começou e finalmente numa 6ª feira, 8 de Fevereiro de 2002 as comportas encerraram. E a destruição de vários habitats se iniciou. Nada resistiu incluindo todo o património arqueológico da região do regolfo. Nem os 1800 milhões de euros estimados inicialmente.

Afinal parece que o objectivo da agricultura não tem pernas para andar e sim os campos de golfe serão os grandes vencedores. Do projecto inicial de 400 camas passou-se para um megalómano projecto de 24000. Esquecendo que a qualidade da água que abastece a albufeira não tem as mínimas condições para banhos. E só pode ser utilizada para consumo humano depois de um rigoroso tratamento.

 A barragem de Alqueva forma uma albufeira com grande capacidade de armazenamento, sendo de destacar as seguintes características: 3150Hm³ de capacidade útil; 96 metros de altura; 1160Km de margens: 250km² de área.
Curiosidades: A energia produzida pela central hidroeléctrica de Alqueva evitará a emissão anual de 360000 ton de CO2 . O Alqueva é o maior lago artificial da Europa.

Foi uma pena não termos parado um pouco quanto mais não fosse apenas por 5 minutos. Todas estas fotografias foram tiradas através do vidro do autocarro que nem sempre ficam bem mas ao vê-las a minha desilusão abrandou um pouco porque afinal até não ficaram assim tão mal.

PASSEIO A MOURA:

Eram 15,30h quando chegámos a Moura e levaram-nos até ao Largo da Mouraria onde iniciámos a nossa visita. A influência árabe é ainda visível nesta vila tranquila, rodeada de oliveiras e sobreiros, sobretudo nas ruas estreitas da Mouraria, de casas baixas e caiadas de branco e pelicurares chaminés.
Penetrámos por aqui adentro parecendo que estávamos noutro mundo tal era a brancura destas casas em ruas estreitas e ainda empedradas. Só é pena que estes fios pretos pregados em tudo o que é parede por todas as terras deste país estrague uma paisagem linda como esta.
No Largo da Mouraria e à sombra destas casitas lá fomos ouvindo as explicações de quem sabe.

(Durante a ocupação romana da Península Ibérica, chamar-se-ia Arucci ou Civitas Aruccitana Nova. As invasões muçulmanas renomearam-na para Al-Manijah. A designação actual de Moura surge ligada à Lenda da Moura Salúquia. Foi conquistada em 1166 pelos irmãos D. Pedro e D. Álvaro Rodrigues, só foi definitivamente conquistada em 1295 no reinado de D. Dinis. Recebeu foral de D. Dinis em 1295. D. Manuel I concedeu-lhe foral novo em 1512. Em 1554 recebeu o título de Notável Vila de Moura, das mãos de Dom João III de Portugal. A proximidade da fronteira espanhola fez com que nas suas cercanias se edificassem postos de vigia ou atalaias, colocados em pontos elevados estratégicos, constituídos por construções troncopiramidais de altura razoável e de difícil acesso, que foram postos à prova durante a Guerra da Restauração e a Guerra da Sucessão. Em 1707, o duque de Ossuna cercou Moura e só em 1709 é que se viu definitivamente livre do ocupante espanhol que antes de se retirar destruiu as fortificações. Moura foi elevada a cidade por lei de 1 de Fevereiro de 1988.Foi em Moura que viveu Bartolo, uma personagem importantíssima na história da cidade visto que liderou o exército que expulsou definitivamente os espanhóis aquando da sua ocupação.)

São curiosas estas chaminés. Demasiado largas e parecendo muito pesadas dão um aspecto de imponência muito maior do que as próprias casas.
(A original Capela de São João Baptista, existente já no início do século XIV, não apresentava um espaço interior muito maior do que a primitiva matriz, sendo necessário trasformar a Capela da Almas, edificada ao lado de S. João Baptista, na sacristia da nova Matriz, alargando assim o corpo da capela. 
Na fachada foi rasgado ao centro o portal principal, que ‘apresenta uma feição do Tardo-Gótico internacional, embora com tratamento português’. O conjunto apresenta um rico programa decorativo, formando por relevos de folhagens, boleados, colunas torsas e espiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. 

Do lado diretito da fachada foi construída a torre sineiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. que apresenta no segundo registo um balcão alpendrado com altar de gosto maneirista e inspiração serliana, mandado edificar no terceiro quartel do século XVI por Frei Luís Lopes, um dos curas da igreja. Embora tenha sido planeado no século XVI, este varandim só foi construído em 1610, tendo como finalidade servir de espaço à realização de celebrações escarísticas destinadas aos presos da cadeia local, situada em frente à Matriz.)  Depois fomos descendo até chegarmos junto deste chafariz:

O Chafariz de Santa Comba é obra do século XIX, com duas bicas, tendo a meio da fachada de mármore a imagem da Santa.
Como não podia deixar de ser lá encontro mais um filho bastardo. Nos tempos medievais os nobres de origem bastarda não tinham o direito de colocar os seus brasões familiares por cimas das suas portas principais como faziam todos os nobres de boa descendência. Só tinham direito a colocá-los nas esquinas das casas senhoriais para que todos vissem bem a sua condição social. Aqui está mais um.
A Igreja de S. Pedro data de 1674 segundo inscrição no seu portal. Esta antiga igreja da colegiada de S. Pedro do séc. XVII foi consolidada e restaurada em 12/12/1962 a março de 1964. Até meados dos anos 90 a igreja é utilizada exclusivamente como capela mortuária e em 17 de Dezembro de 2004 é inaugurada como Museu de Arte Sacra.
Ao lado da Igreja pode ver-se esta torre sineira muito interessante.
Um pouco mais à frente da Igreja de S. Pedro cortamos à esquerda e entramos nesta linda rua.
A rua é um espectáculo para a vista.
Toda ela é um autêntico jardim.
E o curioso é que todas as flores estão muito bem tratadas…
E apresentam uma agradável frescura.
Ouvi dizer que a autarquia distribui flores pelas casas que depois só têm que cuidar delas. Parece-me uma boa ideia porque os turistas gostam todos de ver ruas floridas.
Andando ao longo das ruas floridas viemos dar em frente à Igreja de São João Baptista.
(A original Capela de São João Baptista, existente já no início do século XIV, não apresentava um espaço interior muito maior do que a primitiva matriz, sendo necessário trasformar a Capela da Almas, edificada ao lado de S. João Baptista, na sacristia da nova Matriz, alargando assim o corpo da capela. 

Na fachada foi rasgado ao centro o portal principal, que ‘apresenta uma feição do Tardo-Gótico internacional, embora com tratamento português’. O conjunto apresenta um rico programa decorativo, formando por relevos de folhagens, boleados, colunas torsas e espiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. 

Do lado diretito da fachada foi construída a torre sineiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. que apresenta no segundo registo um balcão alpendrado com altar de gosto maneirista e inspiração serliana, mandado edificar no terceiro quartel do século XVI por Frei Luís Lopes, um dos curas da igreja. Embora tenha sido planeado no século XVI, este varandim só foi construído em 1610, tendo como finalidade servir de espaço à realização de celebrações escarísticas destinadas aos presos da cadeia local, situada em frente à Matriz.)  Vamos primeiro visitar o Castelo e depois já viremos visitar esta Igreja.

 O Chafariz das Três Bicas é uma bela obra barroca em mármore, coroada pelas armas de D. João V, sobre o qual se ergue a varanda do antigo palácio, actual biblioteca municipal, que está mesmo em frente à Igreja de São João Baptista.
Enquanto nos reunimos vamos olhando em redor descobrindo mais coisas interessantes para ver.
 
Como por exemplo, a entrada do Castelo. Entrando por aqui e subindo uma pequena rampa estamos dentro da fortificação, ou melhor, o que resta dela.
Começando logo a explorar as redondezas verifico que lá de cima do Castelo se vê o jardim lá em baixo. Já lá vamos.
Entretanto vamos ouvindo as histórias do Castelo explicadas por este funcionário da Câmara Municipal que tem andado connosco.
E sobre esta torre meio destruída ouvimos a história de uma moura que deu o nome à cidade.
A mesma torre vista do jardim. Torre de Salúquia do século XVI. Construção de perfil circular que, segundo a tradição popular, corresponde à torre de onde se teria lançado a derradeira alcaideça do período árabe, episódio que deu origem à lenda da moura Salúquia.
(A Torre de Salúquia é, contudo uma construção dos inícios do século XVI devendo datar das campanhas conduzidas por Francisco de Arruda. A estrutura da torre sofreu obras de consolidação em 1961.  A lenda conta a trágica história do casamento entre Salúquia, governadora de Moura, e o príncipe Brafma, senhor de Aroche.
O príncipe dirigia-se para Moura, onde devia desposar Salúquia, quando foi surpreendido por uma emboscada dos cavaleiros cristãos. Vencidos e mortos os mouros, os cristãos envergaram as suas roupas e dirigiram-se para Moura, fazendo-se passar pela comitiva do casamento. Salúquia mandou-lhes abrir as portas mas dando pelo engano lançou-se das muralhas do castelo com as chaves da fortaleza na mão. A lenda encontra-se perpetuada nas armas da cidade, que apresentam Salúquia caída junto à torre do castelo.)
Vista do Castelo de Moura vendo-se lá ao fundo o rio Ardila que vai desaguar no Guadiana na bacia da Barragem do Alqueva.
A Torre de Menagem do Castelo de Moura.
Continuamos passeando dentro do Castelo de Moura.
Damos a volta dentro do Castelo vendo que ainda há muita coisa por fazer embora recentes escavações tenham posto a descoberto estes caminhos empedrados ainda em muito bom estado.
Seria iniciado, por D. Ângela de Moura, (ainda lá estão as suas armas) em 1562, o convento feminino de São Domingos, no interior da cerca, sobre as fundações da antiga mesquita. Aqui funcionou a Roda dos Enjeitados.
(As rodas eram cilindros giratórios com uma grande cavidade lateral que se colocavam junto às portarias dos conventos. As rodas existiam sobretudo nos mosteiros de clausura mas também em alguns conventos. Inicialmente serviam de meio de comunicação entre o interior e o exterior do convento. Na abertura lateral, eram colocados objectos pelas pessoas que se encontravam no exterior do convento. Após a colocação do objecto, aquele que se encontrava no exterior tocava uma sineta e a irmã "rodeira", no interior do convento, aí fazia girar a roda, retirando de seguida os objectos aí colocados.
Mais tarde começaram a colocar crianças enjeitadas ou fruto de ligações "inconvenientes". Estes "filhos de ninguém" eram, muitas vezes, filhos de raparigas pobres, fruto de relações proibidas, ou mesmo crianças encontradas por eremitas que as recolhiam e as educavam até as colocarem na Roda. Por vezes as mães dos enjeitados deixavam algumas marcas identificativas (fitinhas, pequenos bordados com monogramas, medalhinhas), a fim de, um dia mais tarde, as poderem recuperar. Quando atingiam a idade de aprendizagem, as crianças eram transferidas para a Casa Pia, uma instituição de acolhimento que as educava e preparava para a vida adulta.
De tanto ser usada, a roda acabou por se tornar legítima chegando a ser oficializada nos finais do século XVIII e a receber a designação de Roda dos Expostos ou dos Enjeitados. O intendente geral da Polícia do Reino, Pina Manique, reconheceu oficialmente a instituição da roda através da circular de 24 de Maio de 1783, com o objectivo de pôr fim aos infanticídios e acabar com o horroroso comércio ilegal de crianças portuguesas na raia, onde os espanhóis as vinham comprar. A Roda dos Enjeitados passou a existir em todas as terras, vindo a perder a sua importância e uso com o advento do Liberalismo em Portugal, na primeira metade do século XIX.)
E voltamos à Igreja de S. João Baptista. Vamos entrar.
Este é o interior da nave principal.
Porque tem muitos azulejos chamou a minha atenção. Não são bonitos?
Bonitos e antigos.
Tem vários altares e paredes cobertas de alto a baixo.
A estrutura do tecto que mais parece uma teia de aranha é realmente curiosa.
Este é o altar principal. A iluminação das janelas com o reflexo dos azulejos é perfeita.
E agora vamos até ao Jardim Doutor Santiago.

O estabelecimento termal localiza-se na entrada do Jardim do Dr. Santiago, servindo de portaria a este jardim municipal. Consta de dois edifícios idênticos, com frentes em varandim corrido. Só se encontra aberto o banho do lado esquerdo, outrora destinado ao sexo feminino, com cinco quartos de banho (de belas banheiras em mármore), servindo um deles para banhos de higiene.         

 A mina de água ainda se pode ver e escorre .

Este antigo carro de rega foi utilizado pelos serviços camarários entre 1937 a 1972 em exposição neste jardim.
Também neste jardim se pode apreciar ainda este relógio de sol.
E como estamos numas termas água é coisa que, por enquanto, não falta para jorrar neste chafariz.
Neste cantinho do jardim ainda podemos ver um fresquinho parque de merendas.
E um coreto é coisa que no passado não podia faltar. Agora já só servem para embelezar a paisagem mas eu ainda me lembro do tempo em que, lá na minha terra, que também tem um, toda a gente muito gostava de ouvir a banda filarmónica lá dos sítios.
E como o passeio está a terminar, aqui deixamos o testemunho da nossa presença para mais tarde recordarmos.
E para terminar ainda fomos ver este Museu de como se fazia o azeite antigamente. Apesar de eu já caminhar para velho, tenho quase 68, gosto muito de ver um bom Museu mas como não sou saudosista gosto muito mais de visitar uma boa fábrico moderna em plena laboração, coisa que pouco se faz. Saber como se faz hoje o azeite também é muito importante quanto mais não seja para ficarmos descansados ao consumi-lo, ou para não termos ideias erradas acerca da sua fabricação e consumo.
Adorámos o passeio e só tivemos pena de não termos parado na Barragem do Alqueva que devida à sua grandeza merecia pelo menos 5 minutos de paragem.

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