MARCHA-CORRIDA EM LOULÉ, 24-10-2010:

LOULÉ, 24/10/2010 = O Calendário das Marchas-Corridas mandava-nos hoje para a cidade de Loulé.

Esram 9,03 minutos quando saímos do Largo da Estação, de Olhão.

Trinta e cinco minutos depois estávamos no local da concentração, junto ao Pavilhão Desportivo Municipal, em Loulé.

Quando aqui chegámos já toda esta malta se mexia em redor deste borracho, perdão… da profª Rita.

Os camisolas roxas também não faltaram à chamada. Esperemos que os cortes orçamentais não nos atinjam como sucedeu com o pessoal de Algoz. Esperemos que voltem depressa.

E lá foi dada a partida, antes da hora, para variar.

Tivemos que contornar o Pavilhão.

Com o pessoal ainda cheio de força e vontade.

 E entrámos no campo, quase sempre por caminhos alcatroados.

Pelos arredores da cidade com bom tempo e sol à algarvia.

Ou atravessando pequenos aglomerados que estimulam o apetite para belas vistas.

Começamos a ver o campo. Lindo.

Os nossos olhos arregalam a vista pela beleza circundante.

Vistas estas que nos fazem encher os pulmões de ar. Dá gosto e vontade de respirar fundo.

Até porque bem precisamos de forças para as subidas que se avizinham.

Que felizmente, não foram subidas, muito inclinadas.

E já estamos novamente em terreno direito.

Passámos a barreira dos 3 kms. Estamos a meio do percurso. Note-se que este ano a sinalização estava muito melhor. Quem fazia o percurso grande só tinha que se guiar por estas tabuletas azuis escuras e a marcha pequena havia outras tabuletas de azul claro. Também havia setas amarelas que indicavam que se devia seguir a sua posição. E a 500 metros antes da zona de abastecimentos também era colocada uma tabuleta cor-de-laranja dizendo ZA. Tudo quase perfeito. Digo quase, porque mesmo assim, ainda encontrei gente que não toma sentido e vai sempre com os olhos no chão. Claro que não vêm nada. E depois ainda reclamam.

Finalmente encontrei medronhos. Os desta árvore estavam mesmo madurinhos. A árvore ficou depenada em segundos mesmo pertencendo a uma casa cujos donos vão sofrer uma desilusão. Escaparam estes da foto porque estavam muito altos.

O fruto do medronheiro é comestível e com ele pode-se preparar uma aguardente de excelente qualidade. As folhas são usadas na medicina popular pelas suas propriedades diuréticas e anti-sépticas. As folhas e as cascas são muito ricas em taninos e eram usadas para curtir peles. A sua madeira é muito apreciada para fabricar carvão vegetal. O medronheiro é uma espécie relativamente comum no Algarve. Esta espécie aparece, normalmente, com porte arbustivo, podendo no entanto, com a idade e quando as condições ecológicas são favoráveis, aparecer como pequena árvore.  O medronheiro (Arbutus unedo) é uma árvore frutífera e ornamental da famíli Ericaceae, também conhecida como meródios, ervedeiro, êrvedo ou êrvodo. É uma planta nativa da região mediterrânica e Europa Ocidental podendo ser encontrada tão a norte como no oeste da França e Irlanda. O seu fruto é denominado medronho. Em Portugal, pode ser encontrado por todo o país, mas a maior concentração ocorre nas serras do Caldeirão e Monchique.

A caminhada continua por boas estradas, embora eu prefira os caminhos secos fora das estradas.

E agora uma bela descida com uma vista linda.

E passamos junto à Quinta das Celebridades mas que nada se vê porque os muros nada deixam ver.

Enfiamos por caminhos onde velhos e altos carvalhos dão sombras e vistas espectaculares.

Até parece que enfiamos por medonhos matagais mas mais não são do que árvores de pequenas propriedades.

Sob as vista destas bela Buganvília chegamos à estrada…

… onde está instalada a zona de abastecimento em que nos deram uma sandes de queijo e fiambre e um pero tudo devidamente acondicionado como se pode ver na última foto, porque a ASAE assim o exije.

E agora temos que gramar uma subidinha aparentemente fácil.

Neste ponto, como mandam as setas temos que enfiar por um caminho muito estreito. 4 kms estavam percorridos.

Pode parecer um caminho difícil, mas não é.

Como só passa uma pessoa de cada vez, torna-se muito fácil andar.

Este é o bocado que eu mais gosto.

Muito calmo, com muita vegetação e com muros altos que nos dá uma sensação de protecção e tranquilidade.

Fomos interrompidos na nossa calma caminhada pelo aparecimento de algumas casas mas que até deu para apreciar esta paisagem algarvia. Somos uns previligiados porques destas coisas não vêm, nem sonham, os turistas.

E vamos ladeira abaixo porque o tal caminho de cabras ainda não acabou.

Entrámos novamente nele…

… que vai durar até ao fim do passeio.

A Apolónia lá vem por caminhos que ela não gosta. Só gosta do alcatrão porque tem horror à terra.

Este é o tipo de foto que eu mais gosto numa caminhada. A pequenez do homem perante a Natureza.

E chegámos todos ao fim. Cansados mas contentes por termos feito mais 5,5kms com relativa facilidade.

Cá está a embalagem que nos foi afertada na zona de abastecimento. Dá para aguentar até ao almoço. Até à próxima.

PASSEIO ÀS MINAS DO LOUSAL:

OLHÃO, 22-10-2010 = Ainda era de noite quando saímos do Largo da Estação às 7,43h.

E parámos na Mimosa às 9,37h para o respectivo café e chi-chi.  

Chegámos às Minas do Lousal eram 10,20h e apareceu-nos pela frente esta pequena ‘vagonete’.  Este espaço, que funciona nas próprias antigas instalações da mina é o primeiro do seu género em Portugal, tendo sido inaugurado a 20 de Maio de 2001. Entre outras características, destacam-se as estruturas de trabalho recuperadas especialmente para serem visitadas pelo público: instalações, escavações e galerias da mina e mesmo os motores da central eléctrica que abastecia não só a mina como também a população local.  Integrada na Faixa Piritosa Ibérica, que, com cerca de 250 kms de extensão e uma largura que chega a atingir  os 40 kms, tem início no vale do Sado e prolonga-se até ao vale de Guadalquivir, próximo de Sevilha, a mina do Lousal (situada na freguesia de Azinheira dos Barros, concelho de Grândula, distrito de Setúbal) foi explorada entre 1900 e 1988, data em que foi dada como encerrada a sua actividade extractiva. 

Nas minas do Lousal, entre Canal Caveira e Ermidas do Sado, foram extraídas pirites de cobre entre 1900 e 1988. Após o seu encerramento foi criada a Fundação Frederic Velge, que envolve a empresa proprietária da mina e a Câmara de Grândola. No mesmo local foi criado o Museu Mineiro, que pretende preservar a memória e o conhecimento das gerações de trabalhadores que escavaram as minas do Lousal, hoje transformadas numa espécie de local arqueológico, onde se pode observar e aprender o funcionamento da mina através dos vestígios do trabalho que lá foi feito ao longo das décadas.

O Museu de Ciência Viva insere-se na segunda fase de musealização da aldeia mineira do Lousal. O grande atractivo deste centro será a tecnologia CAVE – Automatic Virtual Environment, oriunda dos Estados Unidos, que ainda não existe em Portugal e que permitirá, “através da computação gráfica virtual a três dimensões, com 8.295.000 pixel em tempo real, simular cenários à escala real com recurso a tecnologia digital ‘mock-up”.Uma tecnologia que permitirá “não só a percepção visual como também a auditiva, temperatura e até cheiro”, revela Miguel Dias, responsável pela infra-estrutura de realidade virtual do Lousal. Este Museu de Ciência Viva terá ainda, “além da função lúdico-didáctica”, o lado da investigação, representando uma “nova ferramenta para os industriais”, que passam a dispor de tecnologia “muito avançada” para “simular e testar os seus produtos antes dos mesmos estarem concluídos”.

Assim que entrámos fomos ver o Museu das Minas. Pouca coisa porque, segundo soubemos, quase tudo foi roubado ou destruído. Mesmo assim, temos um Museu apresentável. Viemos para este Auditório onde nos foi apresentado um documentário sobre as Minas do Lousal, de 17 minutos, de 1958 e comentado por Fernando Pessa.

Eis um dos objectos que escapou ao vandalismo. Ainda me lembro bem destas balanças.

Depois levaram-nos para este edifício à direita onde está a Central Eléctrica que vale a pena ver.

Isto sim, é um autêntico Museu. Devido ao tamanho e ao peso compreendi porque é que a Central Eléctrica escapou ao vandalismo.

Tudo muito bonito e restaurado e com muita coisa interessante para ver.

Muitas maquetes explicativas dos complexos engenhos.

A Apolónia ficou fascinada com o peso das brocas que perfuravam as rochas. São pesadissímas. Laborar com elas nas mãos não devia ser coisa fácil.

Tudo estava demonstrado e explicado até ao mais pequenino pormenor.

Até havia carro de bombeiros puxado… por 2 homens.

Depois de saírmos da Central Eléctrica viemos apreciando os antigos escritórios onde agora estão as lojas de artezanato. Eu aventurei-me até aqui onde estão as entradas (seladas) para as minas. O comboio estava sendo pintado mas o resto ainda vai ter que esperar muito.

Tudo estava neste estado. O que não foi roubado ou vandalizado a erosão tratou do resto. Recuperar tudo isto, com visitas guiadas às minas, é a 3ª fase do projecto. Talvez depois, quando esta crise passar.

Como ainda era cedo para o almoço resolvemos vir a pé ver estas igrejas que eu tinha visto quando passámos de autocarro. Mas estavam fechadas. Nada consegui encontrar que me pudesse elucidar. Pela arquitectura não parecem muito antigas mas as novas cores às vezes enganam.

Quando vinhamos de volta das igrejas é que eu reparei nas lagoas de água muito azulinhas mas que me disseram  ser muito tóxicas. Como a beleza engana.

 

E por aqui nos ficamos. Como de costume, sempre que vamos a um Museu encontramos montes de panfletos sobre os mais variadíssimos assuntos, menos um que nos ajude a compreender o Museu em questão. Aqui passou-se exactamente o mesmo.

RESTAURANTE ARMAZÉM CENTRAL, MINAS DO LOUSAL:

As Minas do Lousal são servidas por este excelente restaurante chamado ARMAZÉM CENTRAL. Aqui viemos almoçar e, como dizem eles um lugar de paladares, de cultura e das gentes do Alentejo. De tudo isto provámos e concordámos.
 
Espaço a condizer com a tradição mineira que se vê um pouco em redor sem contudo exagerar. Um lugar de boas comidas alentejanas, que afinal era o que nos interessava.
 
Ora vejam só os aperitivos. Pasta de Camarão com palitos de pão frito. Favas Guisadas com Chouriços. Azeitonas da época temperadas com alho. Salpicão às rodelas e Queijo alentejano. Entradas destas só nos abre o apetite.  
 
As bebidas foram um jarro com sumos de frutas. Um tinto da casa e água engarrafada.
 
Logo a seguir aparece-nos esta Sopa à Mineira. Feijão encarnado com repolho e massa de cotovelos. Uma delícia.
 
E como prato principal tudo bem alentejano. Fatias de Carne de Porco Assada no Forno com os seguintes acompanhamentos: Tomate grelhado, Migas esfareladas, Batata cozida com casca, Rojões de Porco Preto, Arroz de Legumes e Salada de Alface, Tomate e Cebola. A fatia de laranja é só para inglês ver mas também se come. Há minha volta toda a gente repetiu. Palavras para quê. Só comendo!
 
E para os mais gulosos havia estas espectaculares Farófias. Já viram Farófias mais lindas? Eu que não como doces nunca provei e gostei. Claro que a Apolónia come sempre as dela e as minhas.
 
Um aspecto da nossa mesa. A Apolónia é sempre a última vejam como ainda saboreia as Farófias.
 
Nesta mesa, a um canto da sala, enquanto comiam não se ouvia uma mosca. Quando paravam começavam a cantar. Depressa reparámos que se tratava de um Grupo de Cantares Alentejanos "Mineiros do Lousal". Comeram, cantaram e encantaram toda a gente. É um Grupo privativo do restaurante para entreter as pessoas. Muito bem pensado.

PASSEIO A SINES:

SINES, 22-10-2010 = Sines é um concelho situado exactamente no centro da costa sudoeste de Portugal. Sines, capital do concelho, berço histórico do navegador Vasco da Gama, é uma pequena cidade do litoral. Nas terras deste concelho há vestígios da época romana, do Visigodos e Vândalos. No final do séc. XII, início do séc. XIII, foram reconquistadas aos mouros e, e 1217, foi confiada aos Cavaleiros da Ordem de Santiago, sediados em Santiago do Cacém.Em Novembro de 1362, foi-lhe outorgad foral por D. Pedro I (1357-1367) e, em Julho de 1512, D. Manuel I (1495-1521) outorgou-lhe o Foral Novo. Após a Convenção de Évora-Monte, em Julho de 1834, D. Miguel embarcou de Sines para o exílio. A história recente de Sines está ligada ao início da construção de um porto comercial, permitindo a acostagem de navios de grande capacidade de carga, o que impulsionou o seu desenvolvimento industrial e populacional a partir de 1971.Foi elevada a cidade a 12 de Julho de 1997.

O autocarro onde vinhamos viajando desde Olhão, parou fora do centro da cidade e por isso tivemos que caminhar um pouco.

Caminhar um pouco até soube bem para esticar as pernas. Até já se via a torre do castelo.  À época da Reconquista Cristã da península Ibérica, a região foi conquistada por D. Sancho I(1185-1211) entre o final do séc. XII e o início do séc. XIII. O seu filho e sucessor, D. Afonso II (1211-1223) fez a doação dos domínios de Sines aos cavaleiros da Ordem de Santiago. A povoação de pescadores recebeu Carta foral de D. Pedro I (1357-1367) em Novembro de 1362, desligando-se de Santiago do Cacém, com a determinação da edificação de uma fortificação. Sem que a mesma tivesse se materializado, e sendo esse trecho da costa tradicionalmente assolado pelas razias de corsários, visando prover à defesa da vila, D. João I (1385-1433) isentou os seus moradores do serviço militar nas campanhas da fronteira (1395).O castelo foi erguido, de raiz, apenas em 1424, por solicitação do procurador do povo, Francisco Neto Chainho Pão Alvo. Foi seu Alcaide-mor, mais tarde, Estevão da Gama, pai do navegador Vasco da Gama, que aqui teria nascido em 1469.Sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a povoação recebeu o Foral Novo (Julho de 1512), fase em que passou por extensas obras de modernização e ampliação, visíveis na estrutura das torres no lado Oeste e na janela do Palácio do Alcaide-mor.

E pelos vistos, todas as pedras pareciam estar no seu lugar. Deve ter sido sujeito a reparações porque um castelo tão arrumadinho como este não se vê todos os dias.

E para ser sincero, fez-me uma certa confusão ver um castelo com as pedras muito limpinhas. Por esta porta entrámos…

… e por esta porta saímos. É claro que o castelo está bonito e apresentável. Nós é que temos o mau hábito de estar sempre a pôr defeitos.

Subi à torre do castelo e fiquei de boca aberta ao ver este magnífico espectáculo.

Tanto de um lado como do outro da baía, que segundo dizem é uma das mais profundas.

Os meus companheiros excursionistas passam lá em baixo muito pequeninos.

Até a Apolónia se espanta por me ver tão alto.

Mas eles também têm uma vista linda, apesar de estarem mais abaixo.

Da torre em que me encontrava, olhando à minha direita, continua a ver-se uma terra linda.

Nem faltam os buraquinhos de casas antigas. As escavações arqueológicas de 1976: "quando te escavaram o ventre encontraram traços adormecidos doutros povos."

A Igreja Matriz, ali ao lado, vista da torre do castelo. Já lá vamos.

O pessoal não arreda pé. A vista é um encanto. Apesar de meio encoberto, o tempo está uma delícia. Nem uma aragem de vento, nem frio, nem calor. Apetecia mesmo passear.

E com vistas assim quem é que tem pressa.

Até aproveitam para falar… com alguém.

O Hélder vendendo o seu peixe. Será por ele que não arredam pé?

Até os canhões vão ficar mais polidos porque todos se encostam para descansar.

Parece de desta é que vão andando…

Mas entretanto aparece mais outro canhão. Parece que o castelo estava bem defendido.

Ora aqui temos o homem mais importante da terra. Vasco da Gama (1469-1524), descobridor e almirante do mar da Índia, 1º Conde da Vidigueira e Vice-Rei da Índia.

O almirante olha para o mar, mas quando os ventos sopram fortes a cabeça vira para ver o bonito casario.

Homem de sorte, este almirante. Foram colocá-lo num sítio de onde só se vêm coisas bonitas.

Até nas suas costas o almirante tem a Igreja Matriz. A construção primitiva da igreja matriz remonta à Idade Média. Foi nela que Vasco da Gama, inicialmente destinado pelos pais à carreira eclesiástica, recebeu das mãos do bispo de Safim, em 1480, a prima tonsura. (A "tonsura" é uma cerimónia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau no clero, chamado també "prima tonsura". Caiu em desuso, com a aprovação tácita da autoridade eclesiástica de Paulo VI, que suprimiu a prima tonsura, passando o ingresso no estado clerical a fazer-se pela ordenação diaconal.) No início do século XVIII, a igreja é já pequena para a quantidade de crentes que querem assistir à missa. Com autorização da Ordem de Santiago, é profundamente remodelada na década de 30 desse século (sob a orientação provável de João Antunes, arquitecto da Mesa da Consciência e Ordens, ou de seu colaborador), ganhando o aspecto actual, típico do barroco joanino. O terramoto de 1755 obrigou a várias remodelações.

Ao sair da igreja, os crentes levam com esta bensão de paisagem.

Parece que as pessoas ficaram cansadas por visitar a igreja. Na verdade, creio que estão apenas ganhando alento para descer uma escadaria que aí vem.

Do cimo da escadaria já se vê lá em baixo o autocarro à nossa espera.

Até já lá está muita gente à espera dos outros. Gente que chega primeiro.

Mas eu, antes de descer, ainda dou mais uma vista de olhos pela paisagem.

Aproveito para ver qual é o melhor caminho para descer.

Optei por vir por aqui para ver esta fonte. Fonte de Santa Luzia. Diz ali que é boa para os olhos. Mas os que vêm bem vandalizaram os azulejos. Nem estas pequenas coisas escapam à maldade de alguns.

Chegámos cá em baixo a aproveitamos para descansar da caminhada.

Ainda dá para olhar lá para cima apreciando a paisagem cá de baixo.

É o que também faz a Cidália.

E também nós os dois aproveitamos para registar o momento.

A rapaziada vai-se juntando olhando o crespúsculo que aí vem.

E agora são 3 horas de autocarro até Olhão. Por hoje está tudo visto. Vamos começando a pensar na próxima. Onde será? Ninguém sabe. Ainda é segredo.

CAMINHADA EM MONCARAPACHO, 17-10-2010:

MONCARAPACHO (Olhão), 17-10-2010 = Como hoje o calendário das Marchas nos mandava para Martim Longo e como não arranjei lugar no autocarro da Câmara vi-me obrigado a accionar o Plano B.

Eu sabia que em Moncarapacho se fazem muitas Marchas. Vejam lá que a Junta de Freguesia desta terra faz uma Marcha todos os segundos domingos de cada mês e a Casa do Povo faz outra no terceiro domingo. Não é uma fartura? E assim, como moramos em Olhão estamos pertinho.

É claro que estas Marchas ainda estão um pouco verdes. É, como se diz na gíria, uma Marcha caseira. Mas vale a pena vir porque não saímos de cá desiludidos, pelo contrário, eu fiquei maravilhado com a belíssima paisagem do percurso.

Saímos eram 9,15h. Estava marcada a saída para as 9h. Mas como é uma Marcha caseira, sai-se quando todos estiverem de acordo.

Ora vejam, não somos muitos mas fazemos uma moldura bonita.

Aqui já parecemos mais. Eu contei 32 pessoas.

O pelotão já se começa a separar.

Andámos por caminhos estreitos com muito arvoredo.

Vejam só como é bonita a paisagem.

Até os Figos-da-Índia ou de Pita (Opuntia ficus-indica) pareciam deliciosos.

Atravessámos uma ribeira seca, mas quando leva água passa-se por cima deste passadiço.

Hoje estava um dia maravilhoso. Cheio de sol. Mesmo bom para caminhar.

Apreciar as sombras.

A paisagem continua deslumbrante.

Muita pedra pelo caminho o que torna a passada difícil mas que massaga os pés.

No meio do matagal alguém despejou uns camiões de cimento para alizar o caminho.

Estamos a chegar ao cimo de uma difícil subida.

A paisagem já deixa toda a gente de boca aberta.

Digam lá se não é um espectáculo esta paisagem. É a recompensa do esforço na subida.

Até as árvores secas contribuem para um eco-sistema limpo e saudável.

Agora vamos descendo por caminhos estreitos com muros de pedra.

Vamos entrando numa zona mais habitada mas muito arborizada.

Os muros, as vedações de arame, a terra batida. Tudo cheira a campo.

Até as romãs se começam a apresentar mais vermelhas. (É provável que a romã seja originária das zonas montanhosas do Paquistão e do Irão. Esta árvore atingiu o Egipto há já 3000 anos. É uma das mais antigas plantas cultivadas. Pinturas em túmulos de cerca 2500 aC apresentam imagens de romã, como por exemplo no túmulo de Ramsés IV. Sekhmet, a deusa da guerra, descrita sob a forma de um leão, bebia regularmente sumo de romã vermelho-sangue para ganhar força, razão pela qual ela adquiriu o poder de conquistar os inimigos dos deuses e dos governantes. Nenhuma outra fruta é assunto de tantos mitos e histórias como a romã. Uma misteriosa pletora de sementes excepcionalmente organizadas está escondida dentro da forma redonda da romã. O fruto da romanzeira e o seu aroma são uma imagem de perfeição, o reflexo das infinitas oferendas de Deus. A sua bela flor é símbolo do amor, tanto espiritual como físico e, as inúmeras sementes simbolizam a fertilidade. Na Grécia, os noivos são regados com frutos secos de romã durante a cerimónia de casamento; se uma fruta se quebra e as sementes se libertam, é um prenuncio de boa sorte para os recém-casados. O Cristianismo coloca a romã como símbolo da virgindade de Maria; a sua flor é uma representação da chama do amor. A romã com uma cruz é um símbolo usado em torres de igreja. A romã é também um símbolo do amor cristão. Na maioria das vezes apresenta-se aberto, o que simboliza ‘dar aos outros’. Uma cruz nasce do fruto simbolizando o amor e libertação. Num passado distante, a planta foi amplamente difundida por todo o Mediterrâneo. A romã tornou-se muito importante para os costumes dos sírios e fenícios. Na mitologia grega é considerada um símbolo de fertilidade e foi atribuída a algumas deusas (Demeter, Perséfone, Afrodite, Atena). Alegadamente, Afrodite plantou-a em Chipre e Odisseu encontrou-a no palácio de um rei fenício. )

Muito mais haveria para dizer sobre a romã… mas a descida continua.

Até que surge outra subida, desta vez em alcatrão… o que facilita muito.

Mas também esta subida já nós conseguimos vencer.

Ora vejam se isto não é o Algarve profundo! É de tirar a respiração.

E como já dizia a minha avó: Para baixo todos os santos ajudam. Toca a descer mais uma vez.

Agora que já cá estamos em baixo vamos apreciando a planície. Uma nora abandonada é testemunho de riquezas antigas.

Embrenhamo-nos novamente pelo matagal.

Passando junto a pequenas propriedades de quem vive (ainda) da terra.

E vamos avançando sempre junto a um ribeiro muito fechado.

Estamos chegando à estrada. Aqui há quem siga pela estrada até à Casa do Povo.

Mas alguém nos disse que era mais bonito seguir em frente.

E realmente ainda havia uma surpresa. Este caminho empedrado que aqui se vê foi outrora uma estrada romana. Eles andaram por aqui. Há quem diga que o nome Moncarapacho vem dos romanos.

Querem saber a história? Aqui vai: Alguém que percebe disso escreveu assim: ( A explicação da origem de topónimo Moncarapacho, como acontece com muitos outros, tem andado sempre mais ou menos ligada à explicação das origens da povoação que baptiza. Até começos deste século, essa explicação era dada, mesmo por algumas pessoas com certas responsabilidades em estudo de tal natureza, com base apenas em puras lendas, das quais a que teve maior curso afirmava que no sítio da actual povoação havia primitivamente apenas um monte, habitado por uma mulher que trabalhava nos tecidos de empreita chamados capachos, que mandava vender, daí se chamava a este Monte dos Capachos e mais tarde Montecapacho por fim Moncarapacho. Depois, surgiu uma outra explicação, esta com maior aceitação erudita até há bem pouco tempo, a qual dizia que a primitiva povoação estava situada mais perto do que hoje do Serro de S. Miguel «naquela parte em que este serro é denominado Monte Escarpado» (designação, aliás, que nunca lhe foi dada, nem pelo povo, nem pelos seu eruditos).O nome do serro foi retirado da povoação, que no decorrer dos tempos se converteria em Moncarapacho. Depois de estudos efectuados em 1949 pelo Dr. J. Fernandes Mascaranhas, e pelos trabalhos deste ilustre investigador Moncarapachense publicado em 1962, pode concluir-se com certeza que a aldeia da actual freguesia de Moncarapacho, do concelho de Olhão, foi sempre onde hoje é, e nunca mais próxima de Serro de S. Miguel, e que o seu nome derivou do espanholismo, Carapacho, já no domínio Português do Algarve, ou do Latim Carpasius, se a povoação vem realmente do tempo dos Romanos, uma ou outra resulta da configuração de concha ou carapaça de caranguejo ou tartaruga (em espanhol carapacho ou carapatacho, em latim carpasius) que apresenta o Serro de S. Miguel na sua face voltada para a aldeia actual, e que é exactamente o que se vê do mar, como referência, orientação e guia aos navegadores, sendo, familiar já a fenícios, gregos, cartagineses e romanos e aos navegadores portugueses dos alvores das Conquistas e Descobertas, que possivelmente a conheciam por essa mesma designação.)

Caminhos estreitos, muros e sebes têm feito as delícias da nossa Caminhada.

Eu insisto na palavra Caminhada porque não vi ninguém a marchar nem a correr, mas toda a gente caminhava.

Os muros branquinhos, vê-se mesmo que estamos no Algarve.

Já viram bem a altura da vegetação?

E aqui termina esta bela Caminhada. Esperava-me a Apolónia que não foi connosco porque está mal de um joelho. Nem sabe o que perdeu. Mas aqui pode ver parte de uma das mais belas Caminhadas da minha vida.

MAMAMARATONA DE PORTIMÃO, 10-10,2010:

PORTIMÃO, 10-10-2010 = Hoje, o calendário apresentava-nos duas Marchas. Isto cada vez está mais democrático. Já se pode escolher onde devemos ir. É claro que tem as suas limitações mas enquanto houver duas há escolha. Além desta Marcha em Portimão havia outra em Faro denominada 1ª Maratona do Algarve, ou muito simplestente a 1ª Eco-Maratona do Mundo. Nesta primeira edição, que decorreu em Faro, a organização incluiu no programa mais uma prova de Meia-Maratona, uma Mini-Corrida (Fun Run) e a Maratona a dois, isto porque em 2010 está a assinalar-se o Ano Internacional da Biodiversiadade. Por isso a Maratona do Algarve quis associar-se a este espírito, apresentando-se como a primeira maratona em todo o mundo em que serão adoptadas todo o tipo de práticas que permitem compatibilizar a eficácia organizativa com a responsabilidade perante o ambiente e a sociedade.  

Mas atenção porque os velhos reformados com poucas posses ainda não podem escolher. A autarquia escolhe por nós. Como só têm um autocarro não podem ir a dois sítios diferentes. Quem tem transporte próprio já pode escolher. Agora o que eu não compreendo é que havendo uma Maratona no nosso quintal tenhamos que ir para Portimão. Bem sei que a Maratona de Portimão já tem nome feito e também era por uma boa causa. Mas será que ainda existe, entre Faro e Olhão, a tal rivalidade que nem sempre nos deixa ver direito? Além disso, estamos em crise. Ir a Faro era muito mais barato. Eu não reclamo nem quero saber a resposta. A minha única dor de cotovelo é não poder ir a todas. Paciência.

A profª Ana é quem nos atura nas caminhadas. Tem muita paciência e sabe ouvir os velhos.

O mapa do percurso é uma coisa que só se vê em Portimão e que muito nos ajuda a compreender o caminho. E ainda por cima a cores.

Como cidade turística que é até puzeram uma professora inglesa a dar o aquecimento. É preciso cuidar dos estrangeiros e esta gente não brinca em serviço. A professora era bilingue. Animava a malta tanto em portugês como em inglês.

Também o pessoal pulava animadamente.

A professora não nos deu um minuto de descanso.

Aquecimentos destes não temos todos os dias, por isso, aproveitámos.

Os balões, o sol e as 2500 pessoas faziam-nos acreditar numa boa Marcha.

Observem bem este Senhor. O Sr. António Silva tem sómente 88 anos e ainda brinca com estas coisas. Não dá inveja?

Depois vieram os discursos. Vá lá que foram rápidos. Discursou a Vereadora da Câmara e depois o Dr. Santos Pereira, Presidente da Associação Oncológica do Algarve, o grande entusiasta desta obra que ele fez andar para a frente. Há algumas décadas atrás ele foi o meu 1º Médico de Família.

Esta menina, do Centro de Recuperação e Investigação de Aves Selvagens, em Olhão, trouxe-nos uma águia para devolver à vida selvagem. Tendo sido baleada foi encontrada pelos escuteiros, que lhe deram o nome de Scout, que a entregaram em Olhão para ser tratada. Foi bonito ver como ela voou alto.

E está tudo a postos esperando a partida com os amarelos à frente, como de costume.

Saímos com 14 minutos de atrazo para variar.

E finalmente aí vão 2500 pessoas estrada fora.

Este ano acertaram melhor o percurso fazendo-nos dar uma volta maior.

Fomos até ao Largo Gil Eanes.

Depois pela Rua do Moinho e…

…a seguir pela Rua de São José.

Até que viemos dar à marginal junto do Ria Arade.

Seguimos ao longo dos restaurantes onde normalmente se comem belas sardinhadas.

E damos com esculturas em pedra. Neste caso um cavalo marinho.

Esculturas em pedra é o que não falta por aqui. O Calçadão é uma autêntica galeria de arte ao ar livre.

Íamos avançando mas um pouco desconfiados…

… é que o tempo escureceu e prometia chuva.

Mesmo assim ninguém desistiu porque…

… porque a paisagem era um espectáculo.

E quando chegámos aqui, perto do Clube Naval a chuva descarregou.

A sorte é que por aqui já havia alguns sítios onde as pessoas se podiam abrigar.

Esperámos uns cinco minutos e parou de chuver.

E toca de voltar para trás porque era precisamente aqui que tinhamos que dar a volta para regressarmos. E era aqui também que estava o posto de abastecimento que nos deu água e um pêro.

Embora o céu tenha este aspecto a verdade é que o sol abriu e foi uma alegria vê-lo.

O Coreto de Portimão. O que se sabe é que o original foi inaugurado a 25 de Julho de 1925, no âmbito das festas promovidas pela associação Glória ou Morte Portimonense, tendo sido demolido em 1971, quando já só existia a base.  E a 25 de Abril de 2010 foi de novo inaugurada a nova estrutura.E a diferença encontrada é no valor do custo do coreto. Há 84 anos, o coreto custou pouco mais do que 36 contos e hoje vai custar cerca de 232 mil euros.

Como o sol voltou a dar outro brilho ao andamento já pudemos ver melhor os pedregulhos…

… espalhados ao longo do Calçadão. Não deixam de ser curiosas. Nada mais.

Eram de muitas formas e feitios que nada dizem…

… aos ignorantes e iletrados como muitos de nós. (Nós, os velhos, temos muita dificuldade em compreender a arte moderna porque, para nós a arte tem que se compreender, o que não é o caso).

Finalmente chegámos ao fim do Calçadão. Depois de passarmos esta ponte de madeira passamos por debaixo da linha férrea…

… e seguimos por esta via, vendo-se ao fundo o nosso destino final.

A Apolónia lá vem, mais morta que viva. Hoje custou-lhe muito mas vai chegar ao fim.

E cá está o fim. Havia, para distribuir, medalhas, chocolates e não sei que mais mas apenas os primeiros viram alguma coisa. Os outros ficaram a olhar para o céu à espera de um milagre. E contavam com 10 mil.

A Apolónia foi para o autocarro porque tinha dores no joelho. Mas eu ainda fui dar umas voltas para ver o ambiente. Faziam-se sorteios de coisas inúteis.

Encontrei estes amigos de Albufeira que costumam espreitar neste blogue.

Enquanto o pessoal aproveitava o fresco da relva apesar de molhada.

Para o ano que vem há mais… se lá chegarmos. Não tenho a certeza se vamos a Martim Longo porque o autocarro só dá para 41 e para ir de boleia é muito longe.

O jornal, a água e o pêro foi tudo o que hoje rendeu.

O Coreto de Portimão:

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