MEMÓRIAS DE CRIANÇA NO DIA DA MÃE.

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Olhão, 4 de Maio de 2014.

Quando eu era criança gostava de olhar para a facilidade e sabedoria com que a minha mãe manejava este ferro de engomar. Agradava-me sobretudo quando ela escolhia no braseiro as melhores brasas para as colocar dentro dele com uma tenaz que manejava com facilidade. Nesse tempo, passar a ferro não era uma tarefa fácil. Além dos tecidos serem grosseiros e de má qualidade era preciso estar atenta ao esfriar das brasas para voltar a renová-las. Este ferro é do princípio do século XX e deve ter sido comprado com muita dificuldade porque a minha mãe casou sem enxoval, coisa que os pobres não sabiam o que era. Ela já se foi mas as recordações ainda por cá andam. 
Quem tem uma mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada, lá diz o ditado e, como eu não tive a sorte de a ter toda a vida, porque a vida me levou para bem longe dela é dela que tenho as maiores recordações e saudades. Naquele tempo ainda não havia ‘dia da mãe’ porque quem tinha a sorte de ter uma mãe, e uma mãe de ter um filho, todos os dias eram ‘dias da mãe’.

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