25 DE ABRIL? O QUE É?

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É o que pergunta a malta nova hoje em dia. O engraçado (sem ter graça) é que a malta velha também já pergunta o mesmo.
Eu fui educado no tempo da outra senhora. Tive uma educação diferente e rígida. Não podia sair do País, fui obrigado a fazer o serviço militar. Colocaram-me uma arma nas mãos e mandaram-me para os confins de África combater por algo que nem eu sabia o que era.
Quando se chagava aos 20 anos, todos os rapazes paravam na vida. Os sonhos, as ambições, os namoros, os casamentos, o trabalho tudo ficava em ‘banho-maria’, no mínimo por dois anos. E era se voltássemos vivos.
Valeu a pena? Claro que não! Porque durante dois anos estivemos numa prisão ao ar livre, numa terra desconhecida, com animais e pessoas desconhecidas e longe de tudo a que estávamos habituados. Por isso voltámos revoltados. Por isso continuamos revoltados.
Mas isto era antes do 25 de Abril.
Depois, quando os ‘capitães’ resolveram varrer a casa, tudo mudou. Ou melhor, nada mudou. O País veio para a rua e por momentos todos acreditámos que tudo ia mudar.
O Partido melhor preparado para a reação tomou conta da situação. Mas o tal partido não estava preparado para governar, nem sabia o que era governar porque toda a sua vida foi bom a contestar. O País não sabia governar em Liberdade. O excesso de Liberdade matou a Revolução. Os ‘capitães’ também não sabiam governar porque eram homens de armas. Fizeram aquilo que sabiam. O Povo não ajudava porque era inculto e analfabeto e estava faminto de Liberdade. Fizeram-se então muitas asneiras. Tantas, que ainda hoje não recuperámos e o Povo continua esperando.
Quarenta anos passados a malta nova não faz a mínima ideia do que foi o 25 de Abril, e apenas por uma única razão. Porque não viveram esse tempo.
Até nós, os velhos, chegamos a ter dúvidas de ter vivido o 25 de Abril.
Por sermos um País totalmente organizado numa completa desorganização ninguém pode esperar nada de nada.
Também eu, após o 25 de Abril fui obrigado a sair do País, porque os bons profissionais existentes foram todos postos de lado (em nome de uma economia mais aberta) e cada um teve que se amanhar. Por isso quase todos tiveram uma boa oportunidade lá fora, porque éramos bons no que fazíamos. E o País perdeu isso.
A esperança de uma vida melhor (o sonho de toda a gente) só era possível lá fora.
Quarenta anos passados a história repete-se. A malta nova tem que sair do País para poder seguir os seus sonhos. O tal sonho só é possível lá fora. O pior é ser o Governo a empurrá-los.
O 25 de Abril morreu, ou melhor, nunca existiu, embora muita gente ainda continue a alimentar esperanças. Creio até que nunca passou de um projeto, de um sonho, uma utopia (palavra cara que naquele tempo se usava muito sem ninguém saber o que significava) e, como todos os sonhos, terminam quando acordamos.
Uma coisa que o Homem tem e ao português não lhe falta, é Esperança.
Por isso, ainda há muita gente sentada, à espera.
Não é por acaso que ainda continuamos à espera do regresso de D. Sebastião.

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