MEMÓRIAS DE CRIANÇA NO DIA DO PAI.

Olhão.

Embora o meu pai fosse de Tavira, ele também foi obrigado a procurar melhor vida noutro local e assim foi parar à Vila da Chamusca, no Ribatejo. Empregou-se na ‘Persistente’ como tipógrafo-compositor numa profissão dura na altura que o viria a matar. Este relógio-despertador, do início do séc. XX, é que o tirava de madrugada da sua cama para começar os dias enfiado na tipografia onde trabalhava com portas e janelas fechadas (para não serem incomodados por quem passava na rua) e como as tintas naquele tempo eram bastante tóxicas, lá arranjou uma tuberculose que o atirou para a cova com apenas 33 anos, deixando uma esposa com 5 filhos, sendo eu o terceiro deles.

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O relógio ainda hoje trabalha, e bem, o que ainda hoje me faz lembrar o tique-taque durante as noites de criança. Foi a única coisa que me calhou em herança a meu pedido porque nunca me esqueci da primeira palavra que ele me ensinou: persistente. Era o nome da tipografia onde trabalhava.

Quem tem pai tem uma amigo para a vida.

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