CAMINHADA EM MONCARAPACHO, 17-10-2010:

MONCARAPACHO (Olhão), 17-10-2010 = Como hoje o calendário das Marchas nos mandava para Martim Longo e como não arranjei lugar no autocarro da Câmara vi-me obrigado a accionar o Plano B.

Eu sabia que em Moncarapacho se fazem muitas Marchas. Vejam lá que a Junta de Freguesia desta terra faz uma Marcha todos os segundos domingos de cada mês e a Casa do Povo faz outra no terceiro domingo. Não é uma fartura? E assim, como moramos em Olhão estamos pertinho.

É claro que estas Marchas ainda estão um pouco verdes. É, como se diz na gíria, uma Marcha caseira. Mas vale a pena vir porque não saímos de cá desiludidos, pelo contrário, eu fiquei maravilhado com a belíssima paisagem do percurso.

Saímos eram 9,15h. Estava marcada a saída para as 9h. Mas como é uma Marcha caseira, sai-se quando todos estiverem de acordo.

Ora vejam, não somos muitos mas fazemos uma moldura bonita.

Aqui já parecemos mais. Eu contei 32 pessoas.

O pelotão já se começa a separar.

Andámos por caminhos estreitos com muito arvoredo.

Vejam só como é bonita a paisagem.

Até os Figos-da-Índia ou de Pita (Opuntia ficus-indica) pareciam deliciosos.

Atravessámos uma ribeira seca, mas quando leva água passa-se por cima deste passadiço.

Hoje estava um dia maravilhoso. Cheio de sol. Mesmo bom para caminhar.

Apreciar as sombras.

A paisagem continua deslumbrante.

Muita pedra pelo caminho o que torna a passada difícil mas que massaga os pés.

No meio do matagal alguém despejou uns camiões de cimento para alizar o caminho.

Estamos a chegar ao cimo de uma difícil subida.

A paisagem já deixa toda a gente de boca aberta.

Digam lá se não é um espectáculo esta paisagem. É a recompensa do esforço na subida.

Até as árvores secas contribuem para um eco-sistema limpo e saudável.

Agora vamos descendo por caminhos estreitos com muros de pedra.

Vamos entrando numa zona mais habitada mas muito arborizada.

Os muros, as vedações de arame, a terra batida. Tudo cheira a campo.

Até as romãs se começam a apresentar mais vermelhas. (É provável que a romã seja originária das zonas montanhosas do Paquistão e do Irão. Esta árvore atingiu o Egipto há já 3000 anos. É uma das mais antigas plantas cultivadas. Pinturas em túmulos de cerca 2500 aC apresentam imagens de romã, como por exemplo no túmulo de Ramsés IV. Sekhmet, a deusa da guerra, descrita sob a forma de um leão, bebia regularmente sumo de romã vermelho-sangue para ganhar força, razão pela qual ela adquiriu o poder de conquistar os inimigos dos deuses e dos governantes. Nenhuma outra fruta é assunto de tantos mitos e histórias como a romã. Uma misteriosa pletora de sementes excepcionalmente organizadas está escondida dentro da forma redonda da romã. O fruto da romanzeira e o seu aroma são uma imagem de perfeição, o reflexo das infinitas oferendas de Deus. A sua bela flor é símbolo do amor, tanto espiritual como físico e, as inúmeras sementes simbolizam a fertilidade. Na Grécia, os noivos são regados com frutos secos de romã durante a cerimónia de casamento; se uma fruta se quebra e as sementes se libertam, é um prenuncio de boa sorte para os recém-casados. O Cristianismo coloca a romã como símbolo da virgindade de Maria; a sua flor é uma representação da chama do amor. A romã com uma cruz é um símbolo usado em torres de igreja. A romã é também um símbolo do amor cristão. Na maioria das vezes apresenta-se aberto, o que simboliza ‘dar aos outros’. Uma cruz nasce do fruto simbolizando o amor e libertação. Num passado distante, a planta foi amplamente difundida por todo o Mediterrâneo. A romã tornou-se muito importante para os costumes dos sírios e fenícios. Na mitologia grega é considerada um símbolo de fertilidade e foi atribuída a algumas deusas (Demeter, Perséfone, Afrodite, Atena). Alegadamente, Afrodite plantou-a em Chipre e Odisseu encontrou-a no palácio de um rei fenício. )

Muito mais haveria para dizer sobre a romã… mas a descida continua.

Até que surge outra subida, desta vez em alcatrão… o que facilita muito.

Mas também esta subida já nós conseguimos vencer.

Ora vejam se isto não é o Algarve profundo! É de tirar a respiração.

E como já dizia a minha avó: Para baixo todos os santos ajudam. Toca a descer mais uma vez.

Agora que já cá estamos em baixo vamos apreciando a planície. Uma nora abandonada é testemunho de riquezas antigas.

Embrenhamo-nos novamente pelo matagal.

Passando junto a pequenas propriedades de quem vive (ainda) da terra.

E vamos avançando sempre junto a um ribeiro muito fechado.

Estamos chegando à estrada. Aqui há quem siga pela estrada até à Casa do Povo.

Mas alguém nos disse que era mais bonito seguir em frente.

E realmente ainda havia uma surpresa. Este caminho empedrado que aqui se vê foi outrora uma estrada romana. Eles andaram por aqui. Há quem diga que o nome Moncarapacho vem dos romanos.

Querem saber a história? Aqui vai: Alguém que percebe disso escreveu assim: ( A explicação da origem de topónimo Moncarapacho, como acontece com muitos outros, tem andado sempre mais ou menos ligada à explicação das origens da povoação que baptiza. Até começos deste século, essa explicação era dada, mesmo por algumas pessoas com certas responsabilidades em estudo de tal natureza, com base apenas em puras lendas, das quais a que teve maior curso afirmava que no sítio da actual povoação havia primitivamente apenas um monte, habitado por uma mulher que trabalhava nos tecidos de empreita chamados capachos, que mandava vender, daí se chamava a este Monte dos Capachos e mais tarde Montecapacho por fim Moncarapacho. Depois, surgiu uma outra explicação, esta com maior aceitação erudita até há bem pouco tempo, a qual dizia que a primitiva povoação estava situada mais perto do que hoje do Serro de S. Miguel «naquela parte em que este serro é denominado Monte Escarpado» (designação, aliás, que nunca lhe foi dada, nem pelo povo, nem pelos seu eruditos).O nome do serro foi retirado da povoação, que no decorrer dos tempos se converteria em Moncarapacho. Depois de estudos efectuados em 1949 pelo Dr. J. Fernandes Mascaranhas, e pelos trabalhos deste ilustre investigador Moncarapachense publicado em 1962, pode concluir-se com certeza que a aldeia da actual freguesia de Moncarapacho, do concelho de Olhão, foi sempre onde hoje é, e nunca mais próxima de Serro de S. Miguel, e que o seu nome derivou do espanholismo, Carapacho, já no domínio Português do Algarve, ou do Latim Carpasius, se a povoação vem realmente do tempo dos Romanos, uma ou outra resulta da configuração de concha ou carapaça de caranguejo ou tartaruga (em espanhol carapacho ou carapatacho, em latim carpasius) que apresenta o Serro de S. Miguel na sua face voltada para a aldeia actual, e que é exactamente o que se vê do mar, como referência, orientação e guia aos navegadores, sendo, familiar já a fenícios, gregos, cartagineses e romanos e aos navegadores portugueses dos alvores das Conquistas e Descobertas, que possivelmente a conheciam por essa mesma designação.)

Caminhos estreitos, muros e sebes têm feito as delícias da nossa Caminhada.

Eu insisto na palavra Caminhada porque não vi ninguém a marchar nem a correr, mas toda a gente caminhava.

Os muros branquinhos, vê-se mesmo que estamos no Algarve.

Já viram bem a altura da vegetação?

E aqui termina esta bela Caminhada. Esperava-me a Apolónia que não foi connosco porque está mal de um joelho. Nem sabe o que perdeu. Mas aqui pode ver parte de uma das mais belas Caminhadas da minha vida.

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