MARCHA-CORRIDA EM ALTE, 3-10-2010:

ALTE (Loulé), 3-10-2010 = Hoje viemos até Alte, situada no concelho de Loulé entre a Serra de Monchique e a Serra do Caldeirão é conhecida como a aldeia mais típica e original de todo o Algarve. Como cada vez há mais pessoas a querer caminhar nem todos temos lugar no autocarro porque este, infelizmente, continua a ter apenas 40 lugares.

Quando cá chegámos ainda não havia muita gente.

O dia estava cinzento e prometia chuva, mas são são uns chuviscos que nos fazem desanimar. Já apanhámos grandes tempestades e chegámos ao fim.

Passado pouco tempo a moldura ía-se compondo. Cada vez havia mais gente.

E, enquanto não vinha mais gente, resolvi ir vasculhar os arredores.

Começei por este belo recanto. Paredes muito brancas, paralelepípedos e claro… buganvílias.

Alte está cercada por terrenos fertéis ao longo da Ribeira de Alte e um destino popular para excursões. Os lugares de interesse incluem as ruínas do castelo árabe, conquistada em 1248 por Dom Paio Peres Correia e a Igreja Matriz com a sua estrela manuelina.

Alguns consideram Alte , que já existia desde o período da ocupação romana por ser a vila mais típica do Algarve. Com o seu casario branco, janelas e fachadas afiadas com bordas coloridas, chaminés rendilhadas e ar penetrante de tranquilidade , as ruas do centro histórico de Alte mantêm muito de seu encanto original. A área ao redor da igreja é um encanto do Algarve real.

Voltando de novo ao local da concentração reparo que cada vez há mais gente.

E chegou a altura do aquecimento que coube à profª Ana que demonstrou uma extraordinária habilidade para se conseguir manter em cima do muro. Realmente o local não é o mais apropriado para se fazer uma concentração tanto mais que as pessoas não conseguiam abrir os braços e nem sequer estavam metade do habitual. Mas é o que há e já não é mau.

O engraçado é que assim que foi dada a partida, o sino da Igreja começou a dar as dez badaladas. Pontualidade serrana.

Viemos rente ao muro da Capela de São Luís e aqui vemos as traseiras. Já cá voltaremos.

Há sempre gente que gosta de embelezar as entradas das suas casas. Esta até é bonita e curiosa embora  demasiado ostensiva.

A área ao redor da Fonte é realmente bonita, com patos e gansos a desfrutar do sol na água que flui suavemente para baixo do morro.Talvez fazer um piquenique ou simplesmente desfrutar da tranquilidade que realmente é esse tipo de lugar, numa vila encantadora do Algarve. Aqui, há também o Passeio dos Poetas. Um pequeno Jardim com muitos painéis de azulejos que cantam as obras de Cândido Guerreiro (1871-1953) filho desta linda terra.

E metemos pé à terra. Quer isto dizer que aqui não há alcatrão, vamos mesmo pelo campo.

Grupo juntinho serra acima. Linda a paisagem.

Como se pode ver a chuva prometia, mas a malta continuava.

E grandinha que era a subida. E a Apolónia que não gosta nada de subir.

O raio da subida era mesmo comprida mas há que aguentar.

O meu segredo para subir é: não falar e respirar bem. A fala estorva a circulação da respiração. Há aqui neste grupo uma senhora que não se calou a caminhada toda. Todas as pessoas são diferentes. Provavelmente esta senhora não concordaria comigo.

Aqui o caminho é diferente. Embora mais estreito, é alcatroado o que alivia bastante a empedrada subida. Noutros tempos, retiravam-se as pedras dos campos aráveis para construir estes muros dando aos donos dos terrenos uma ilusão de segurança. O homem sempre gostou de murar o que é seu.

Lá em cima, depois de tanto subir temos esta recompensa. A vista é um espectáculo que enche o olho a toda a volta e nos deixa contentes pelo esforço empreendido.

E, como já diziam os antigos, para baixo todos os santos ajudam. Até esta menina que se enfadava a subir agora era vê-la como ria rampa abaixo.

Finalmente o posto de abastecimento. Já fazia falta a garrafinha d’água e o pêro fresquinho.

Depois do abastecimento virámos à direita e tivemos que gramar mais uma subida.

As alfarrobeiras estão tristes. Já ninguém cuida delas. Outrora, aqui no Algarve chegou a ser sinal de riqueza quem as tivesse. Dizia a tal senhora que não se calava que adorava sacudir os ramos para ver cair os frutos, e mostrava como se fazia,  porque, assim os animais tinham que comer. Pois é. O problema é que já nem os animais à solta, se vêm. Pelo falar e pela idade, saltava à vista a nostalgia do seu olhar.

Por muita nostalgia, por muita fome passada, por muita privação de liberdade, por muita crise que houve noutros tempos, nós, os velhos que somos hoje, sabemos com alguma satisfação que os nossos filhos e netos não vão passar o mesmo que nós. Porque as necessidades deles, hoje em dia, são a falta do telemóvel, do computador, da consola, etc.

A Apolónia já torce o nariz por mais uma subida. Devo dizer que ela tem ‘bicos de papagaio’, resmunga muito mas vem sempre e acaba sempre.

Pelos caminhos, há sempre uma ervinha que as pessoas querem apanhar. Para temperar a comida, para o tal chá, para a tal mézinha, etc. Tenho ouvido conversas de verdadeiras especialistas caseiras.

A paisagem torna-se mais densa o que normalmente quer dizer que nos aproximamos de uma povoação.

E não me engano porque viemos dar ao Anfiteatro e aqui encontámos um pequeno monumento a Camões. O engraçado até nem são os seus versos, porque isso todos conhecemos, mas sim as pedras colocadas umas em cima das outras que procuram, neste busto, dar uma imagem real da sua pessoa. Gostei de ver.

Já por aqui tinhamos passado no início da Caminhada mas devido ao aglomerado de pessoas quase nem reparámos na paisagem e agora, de volta, com mais tempo, apreciámos a beleza do local.

A Apolónia cumprimenta pessoas que têm visto o meu Blogue e que a conheceram logo.

 

Vamo-nos aproximando do final da Caminhada mas ainda há muito para ver.

ESCULTURA DE VITOR PICANÇO. Escultura em mármore branco e cinzento da autoria de Vitor Picanço. Simboliza a musa da ribeira de Alte "Naia", nome atribuído pelo poeta Emiliano da Costa. É simultaneamente uma homenagem à mulher altense, com relevo para as lavadeiras que neste local lavavam as suas roupas. Foi inaugurada em Abril de 2007.

Patos e gansos também são uma atracção turística e as delícias das crianças.

Nós aproveitámos para descansar e tirar o boneco para mais tarde recordar. Mas estava pingando, tanto prometeu que veio mesmo. Por isso alargámos o passo.

Viemos parar à Capela de São Luís. Esta Capela é do início do séc. XV e de estilo Barroco. Só possui uma nave, com cobertura de duas águas. No seu interior, de talha dourada existem 4 telas da vida de S. Luís, criação de um pintor de Alte do séc. XIII, que foram restauradas em 1990. Consertou-se então o retábulo da Capela-mor, tendo sido encontrado, na parede onde se encosta, uma pintura ao gosto renascentista, o que leva a pensar que este edifício foi construído em duas fases. Álvaro Mendes de Ribadeneyra, sexto senhor d’Alte terá mandado construir esta capela no inicício do séc. XV, "no sítio que foi achado o seu filho, Pêro Mendes, ainda menino folgando com 2 ursos que não lhe fizeram danos". (Arquivo da Casa d’Alte).

É só mais esta subida. Talvez seja a última.

Pois o fim da Caminhada era mesmo junto à Igreja Matriz que terá sido fundada nos finais do séc. XIII por Dª Bona, mulher de Garcia Mendes de Ribadeneyra segundo Senhor d’Alte e 1º Vidama do Algarve. Esta Igreja é consagrada a Nossa Senhora da Assunção. Esta foi um dos polos que estruturou o crescimento da aldeia de Alte, sofreu diversas transformações ao longo dos séculos e é hoje o edifício com maior interesse histórico, de grande valor arquitectónico e artístico devido à riqueza de alguns dos seus elementos. No seu exterior destacam-se o portal manuelino e dois óculos barrocos.

O interior possui três naves, duas sacristias, duas pias de água benta manuelinas, o altar-mor, onde está a Nossa Senhora da Assunção, o altar do Santíssimo Sacramento, o altar da Nossa Senhora do Rosário em talha barroca e seis altares laterais, dois na nave direita e quatro na esquerda. Esta Igreja sofreu grandes danos com o terramoto de 1755, tendo sido prontamente reparada. A última grande campanha de obras foi realizada em 1829, data que consta por cima do portal principal.

No final da Caminhada a Apolónia aproveita mais um abastecimento para aconchegar o estômago até chegar a casa.

E por hoje, água e maçãs foi a única coisa que se ganhou. Como eu sou contra os doces nas Caminhadas acho que isto foi mais do que suficiente. Se o autocarro esticar pode ser que a gente se veja em Portimão.

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