MARCHA-CORRIDA EM PORCHES (Lagoa), 26-9-2010:

PORCHES (Lagoa), 26-9-2010 = O Calendário Regional das Marchas-Corridas do Algarve mandou-nos hoje para esta localidade. E, como somos todos bem mandados cá viemos parar.
Como a Câmara Municipal de Olhão, esta semana, não nos disponibilizou o "pópó" tivemos que arranjar outra alternativa. O "bichinho" das Caminhadas já não admite que faltemos à chamada. E toca de chatear toda a família que tem carro para nos vir trazer. Eu andei toda a semana de volta do meu filho. Vá lá que consegui.
Quando cá chegámos já havia muita gente formando o tal "mar de gente" mas apesar da moldura ser bonita, notava-se a falta de muitas pessoas.
O dia estava óptimo, nem muito calor nem frio algum. Estava mesmo bom para caminhar.
Antes de qualquer caminhada e até mesmo antes do aquecimento há que pôr as conversas em dia.
A menina Susana faz muito bem o seu trabalhinho atendendo toda a gente. E o Sr. Jorge Lopes trata dos ‘bonecos’.  Durante as caminhadas só oiço dizer: Tenho que me ir pôr à frente do camisola amarela para ficar no retrato. Pode dizer-se que estas duas figuras são a alma destas caminhadas.
Estes quadrados pretos que se vêm na foto são máquinas de tirar café. Uma bela ideia para quem precisa de acordar.
E o pessoal continuava aumentando enquanto esperávamos pelo começo do aquecimento.
E toda a gente espera pelo sinal de partida. O aquecimento foi muito fraquinho. Falta aqui o Helder.
Até nós esperamos impacientes… já que o aquecimento não mexia.
E eis que finalmente começou o pessoal a andar. Uma partida um pouco desorganizada mas picífica.
E aí vai toda a gente ladeira acima. Está tudo cheio de força que até dá gosto de ver.
Apesar de não estar muita gente, eu diria, não mais de 400 pessoas. Enganei-me?
Passamos rente à Igreja Matriz. Erguida no séc. XVI, ficou práticamente arruinada com o terramoto de 1755, conservando, dos seus traços primitivos, a capela-mor, alvo de remodelações em 1882. Voltaremos a passar por aqui quase no final da caminhada.
A Apolónia já arranjou companhia para a conversa.
O pelotão vai começando a partir-se. As férias fazem mal a muita gente.
Deixámos o alcatrão e agora temos que comer o pó do campo.
A paisagem modifica-se. Já passámos por um pinhal e agora vamos passando sob os chaparros.
Porches deve ser a terra com maior número de Buganvílias por metro quadrado. Muitos e bonitos. E o curioso é que se consegue ver quase todas as cores que esta planta apresenta.
Finalmente a garrafinha de água. Já estava mais seco que um bacalhau. E ainda veio uma laranja.
Passando agora o Vale de Olival vamo-nos preparando para o sobe-e-desce.
No final deste muro à esquerda pode ver-se uma planta que vou apresentar de seguida.
Passou por nós uma senhora que nos disse que esta planta se chamava Arrelapas e que era boa para as verrugas. Não consegui encontrar nada nos dicionários com este nome mas num dizia que significava Aversão. O que não me admira nada porque foi exactamente o que eu senti assim que olhei para o fruto. Vejam só o que uma pessoa aprende andando pelo campo.
E começou o sobe e desce. É claro que para baixo todos os santos ajudam.
Nesta descida encontrei uma senhora que gritava dizendo que não gostava nada de descer. Preferia subir. Dizia também que vinha pensando na descida, todo o caminho. Normalmente, ninguém gosta de subir (eu, por exemplo). Ele há cada uma.
Digam lá se não é bom descer. É até divertido.
Mas também é bonito. Observem só o verde. Não é uma cor linda?
Aqui é que se vê bem o caminho ondulado e serpenteado. E como o pelotão está partido.
Mas o que começa também acaba. E aqui terminou a grande descida. Mas há mais.
Estão a ver o que eu disse das Buganvílias. São lindas.
Esta é uma Caminhada com secos e molhados. Os molhados, a água e as laranjas já passou. Mas agora está na hora dos secos. Fomos presenteados com uns deliciosos bolos secos. Eu não gosto de doces mas a Apolónia come os meus e os dela.
E que tal outra descida. Sem alcatrão e com uma sombra deliciosa.
Como tudo o que sobe também desce. Aqui temos a mesma regra. Se descemos vamos ter que subir.
E chegámos novamente à vila. É só cortar à direita.
E cá estamos novamente na Igreja Matriz. A Apolónia fez questão de ver a Igreja por dentro e nós lá fomos. Fachada com portal ao gosto neoclássico, sobre a qual se abre um janelão, encimado pela coroa real.
No interior, merece referência a Capela-Mor, com a abóbada de nervuras revestida a magníficos azulejos do sé. XVII e o retábulo do altar-mor em talha dourada onde figuram imagens do séc. XVIII. De fora pode ver-se um magnífico painel de azulejos referente a Nossa Senhora de Fátima.
E vamos percorrendo as ruas da vila descendo para o final.
                                                         Apreciando o casario com as cores próprias do Algarve. Por aqui não se vê um Graffiti. Felizmente.
E agora uma curiosidade. Porches é talvez a terra que mais chaminés típicas algarvias tem o Algarve. E não é que encontrei esta que quiz ser diferente. Tem um jogo de tubos que vira conforme sopra o vento de maneira que o fumo sai sempre a favor do vento. Curioso e engenhoso. As coisas que a gente aprende.
Mas daqui não saio sem uma chaminé típica de verdade. Creio que lhe chamam Chaminé de Boneca. Mas o que realmente me dá pena é que vou daqui e não consegui ver a tão famosa Chaminé Gigante. Dizem que é a mais alta do Algarve e ocupa dois andares numa simples casa de habitação.
Já agora, sinto que falta qualquer coisa nestas Caminhadas (eu insisto em chamar Caminhadas porque raramente se vê alguém correndo e muito menos marchando). Sinto que as Caminhadas, por enquanto, só estão viradas para o desporto o que é muito louvável e pelos vistos, muito apreciado. Mas dá-me muita pena verificar que se estão esquecendo de alguma coisa. Quanto a mim, acho que se estão esquecendo da Caminhada-Turismo. É isso mesmo. Já repararam que eu hoje fiquei sem ver a tal chaminé que é um ex-libris desta terra. Como fiquei sem ver outras tantas coisas noutras terras. Eu sei que me vão dizer que as Caminhadas são para caminhar. Eu sei. Mas isso também eu faço na minha rua e na minha terra. O Algarve é, por excelência, uma terra de Turísmo. Portanto, por que não juntar uma coisa com a outra. E não são precisos investimentos. Basta escolher os percursos pelos locais onde cada terra tem o seu melhor para mostrar. A gente nem precisava de entrar em lado nenhum. A gente só precisa de passar na rua e ver. A isto eu chamo Cultura. A Cultura a par da Educação e do Ensino devia ser aplicada ao Povo, de graça. Neste caso, Cultura gratuita é possível sem gastar mais dinheiro.
Estamos terminando e acho que todos gostaram. Veremos se conseguimos ir a Alte. Uma terra que eu não conheço.
Aqui apresento, como sempre, a colheita de hoje.
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