A FESTA DAS MARCHAS-CORRIDAS EM FARO:

6/6/2010 = Estamos em Faro, ou melhor, nas Gambelas, nos arredores de Faro, mais precisamente dentro da Universidade do Algarve, Campus de Gambelas. Este foi o local escolhido para se realizar, este ano, a festa de despedida das Marchas-Corrida. (A Universidade do Algarve, tal como existe neste momento, resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve e o Instituto Politécnico de Faro, por decretos de 1979. Em 1982 foi nomeado o primeiro reitor da Universidade do Algarve, o Prof. Doutor Gomes Guerreiro. A UAlg é, assim, uma instituição diferente das outras Universidades, dado coexistirem no seu seio Unidades Orgânicas de Ensino Superior Universitário e de Ensino Superior Politécnico.)

Como se pode ver pela foto melhor local era impossível. Um denso pinhal onde foram colocadas muitas mesas. Havia sombra que chegasse para todos, os terrenos em volta eram relvados o que tornava o ambiente mais fresco e relaxante.

A Apolónia e a Suzy Enes trataram de ocupar os seus lugares enquanto eu dava umas voltas para reconhecer as redondezas.

E vi que ainda não estávamos todos porque haviam muita gente que fez outros percursos e como é lógico chegariam mais tarde.

Mas ainda eram só 11h e o almoço só seria servida ao meio-dia. Depois de uma caminhada, uma sombra como esta já elas dali não saem.

De maneira que fui ver os jogos que entretinha a moçarada.

As moças, como é seu hábito, riem muito quando fazem qualquer coisa e andar dentro de sacos é motivo para isso.

Dois rapazes a jogar xadrez. Normalmente são os mais velhos que procuram o sossego do pensamento.

Jogos de meninas. Parece que ninguém estava interessada. O que não admira pois elas tinham muito mais coisas interessantes.

As mesas foram-se enchendo e no altifalante já íam adiantando um número de presenças. 1500 pessoas diziam. Mais tarde o número fixou-se em 2500 pessoas. Não admira, quando se trata de comer e ainda por cima de borla, o Zé Povinho não perde uma.

Estas são as Senhas que foram distribuídas a todas as pessoas que participaram nas diversas Marchas.

Porque sou português e conheço a desorganização organizada da minha gente confesso que tinha muitas dúvidas que tudo corresse bem. Felizmente enganei-me. Tudo correu bem e tenho conhecimentos suficientes para poder afirmar que melhor não podia ser. Durante 40 anos fui Chefe de Mesa, dos quais 15 foram passados em diversos paquetes de luxo e barcos de cruzeiros, no Mediterrâneo, nas Caraíbas, no Pacífico, na Austrália, no Japão e em tantos outros pontos deste velho planeta. Dar de comer a mais de 2 mil pessoas todos os dias era o meu dia-a-dia. Tanto organizava pic-nics numa praia deserta da costa mexicana do Pacífico, como nos luxuosos salões dos mais modernos paquetes. Atravessar o Canal do Panamá ou a torrar nas praias das Caraíbas as pessoas precisam sempre de comer. Por isso eu digo que sei do que falo.  E pelo que vi aqui neste pinhal da Universidade do Algarve eu, sinceramente, não fazia melhor.

Estive nesta fila e a partir do meio-dia (hora marcada para começar a servir) levei 10 minutos para levantar o meu tabuleiro e o da minha mulher. Enquanto esperava fui observando todo o ritual da preparação. De facto, o segredo do sucesso é só um. Uma boa organização. Foi o que eu vi e não é preciso dizer mais nada.

A prova máxima de que tudo corre bem é olhar para as pessoas. Era assim que nós nos barcos ‘apalpávamos’ o ambiente. Se o cliente está contente ele próprio faz a festa.

A seguir ao 25 de Abril de 1974, quando pela primeira vez entrei nos Estados Unidos da América já se fazia aquilo que a ASAE está agora fazendo em Portugal. Sempre fui e continuo a ser um adepto da ASAE porque conheço a bagunça que se fazia em toda a restauração em Portugal. Na América quando um passageiro escolhe um barco para passar as suas férias uma das coisas que primeiro faz é informar-se sobre a actuação das autoridades sanitárias nesse navio. Eles acreditam quase cegamente nas actuações dessas autoridades. Se observarmos esta fotografia vemos que os homens usam todos toucas na cabeça. Há uns anos atrás isto seria, para um homem, simplesmente ridiculo, para não dizer outra coisa.

O Lombo de Perú Assado com arroz solto e salada estava bom. Sem esquecer que se tratava de um serviço volante, melhor era impossível. Os algarvios gostam muito do arroz empapado coisa que eu detesto e este creio que satisfazia todos. A carne  de perú foi muito bem pensada, neste caso, porque é uma carne que todos comem bem e, acreditem que servir gregos e troianos não é fácil. Assim, contentam-se todos. A salada é outra admirável técnica de sedução. É fresca, é verde, é vermelha, desenjoa e também contenta toda a gente.

O Bacalhau à Brás é outra jogada de mestre. Por ser um prato mais compacto quando se começa a comer ainda está quente o que ajuda aquelas pessoas que não gostam de comida fria. Tem um risco, porque contém ovos e todos sabemos que no Verão as  salmonelas podem dar dores de cabeça, mas se for um serviço honesto e higiénico isso dificilmente acontece. Incluir salada neste prato é sempre uma boa opção não só pela sua frescura como pelo seu colorido. Eu estava muito interessado em provar os dois pratos para poder falar deles, e assim trouxe um de cada e depois dividi metade com a minha mulher que é a pessoa mais esquisita do mundo mas para surpresa minha ela não reclamou de nada e comeu tudo.  Quando começei a navegar uma das coisas que mais impressão me fazia é que todos os americanos faziam questão de provar todos os pratos. A bordo, as ementas são intermináveis por isso se pode imaginar a trabalheira que não era só para servir um passageiro. E cada empregado de mesa podia ter 20 passageiros por sua conta. Diziam eles que só provando acreditavam que estivesse bom. São assim os americanos mas os portugueses são diferentes. Numa coisa somos todos iguais. Todos gostamos de comer bem.

Quanto a bebidas havia muito por onde escolher e como nenhum de nós bebe álcool ou gaseificados optei por uma bebida que também não é meu costume tomar. Refrigerantes. Éra uma vez sem exemplo. Havia ainda águas, colas, 7ups e outras. A fruta era variada, havia bananas e peras e outras que não vi bem. Um pãozinho aceitável com muito bom aspecto mas eu só gosto de pão escuro, de qualquer forma comi porque nem sempre se pode comer só aquilo de que se gosta. E por falar em gostar deixem-me contar-lhes uma história. Em hotelaria, na América, os judeus são considerados o povo mais difícil do mundo. Exitem milheres de histórias de judeus com a esquisitice à mesa mas que só se contam entre profissionais do ramo, para não ferir o cliente. Mas o judeu também é consirerado um dos melhores clientes, só que jamais dá uma gratificação. Ou não fosse judeu. Certa vez a minha companhia de navegação organizou um cruzeiro ao Brasil só com judeus americanos de Nova Iorque que são os piores. Devido à minha paciência para lidar com eles eu fui escolhido para fazer parte desse cruzeiro. Eu recusei. Todos recusaram A paciência tem limites. O cruzeiro não se realizou por falta de pessoal adquado. Hoje, eu preferia aturar todos esses judeus do que a minha mulher à mesa. Tal é a esquisitice da Dona Apolónia.

Mudando de assunto quando cheguei com a comida à mesa já as variedades tinham começado. Estava actuando o Rancho Folclórico de Faro.

A profª Elsa, porque fazia parte da organização estava-se certificando de que tudo corria nos conformes. E ela é também a nossa professora de ginástica por isso tem sempre lugar nas nossas imagens.

Um Rancho Folclórico é sempre uma atração para os portugueses talvez porque os sons de uma concertina nos puxam para um misto de nostalgia e alegria.

Depois, tem a vestimenta de outros tempos. Aos velhos trás um pouco de nostalgia mas aos novos não sei. Que raio é que sentirão os mais novos?

Ainda gostava de saber o que é que passa pela cabeça dos rapazes mais novos em relação a um Rancho Folclórico. A roupa não lhes deve dizer nada, a música muito menos, a dança também não, os instrumentos musicais são da idade da pedra para eles. Serão as cachopas?

Só pode ser. Vejam bem como elas são jovens e graciosas. Mas, e elas? Como pensam?

Será que elas vão pelos vestidos? Duvido. Pela música? Talvez. Pela dança? Acredito. São jovens, gostam de pular. Pelos moços? É melhor ficarmos por aqui.

Enquanto o Rancho dança a grande maioria aproveita o fresco da relva.

Mas o Rancho não dá mostras de se cansar. Eles têm boa pedalada e como são novos não se cansam com duas tretas. (Alguns não são assim tão novos.)

Entretanto o cenário mudou. Apareceram os anfitriões.

Entrou em cena a Tuna Versus da Universidade do Algarve. Boa actuação de gente jovem para gente jovem e que os mais velhos também gostaram.

O microfone vai anunciando que as pessoas já vão em 2500 mas que há comida para todos e realmente não me apercebi de que alguém tenha ficado sem comer.

O pessoal de Olhão vai conversando com a profª Ana que controla as nossas gentes.

Mulher pensativa. Em que pensará? Onde vai colocar as flores? Ou na caristia da vida? Só ela sabe.

Mas a Apolónia eu sei no que pensa. Pensa no terraço que ficou por varrer e na arrumação que podia dar na casa. Só pensa em limpezas.

Outro pensativo? Deve estar só cansado.

Estas também estarão cansadas? Não. É que depois do almoço a preguiça dá para amolecer.

Mas há gente que nunca amolece. E agora com a moda da vovuzela ainda menos param.

Aqui está outra que não parou um segundo. Também tenho disto lá em casa.

E agora, senhoras e senhores, convosco o Grupo Musical de Santa Maria de Faro. Uma música mais lenta porque o pessoal está a ficar com vontade de dar uma soneca.

Só a Apolónia é que não dorme nunca. Se tiver conversa ainda menos.

Este grupo de camisolas azuis de onde é que serão? Já se vão encostando uns aos outros porque depois do almoço só apetece relaxar.

Aqui está outra que não pára nunca. A Suzy Enes quando começa a dançar ninguém a segura.

A Apolónia foi inspeccionar as redondezas. A ver se encontrava mais alguém para conversar.

Estes não gostam de misturas. Trouxeram tudo. Só confiam naquilo que trazem. E fazem muito bem. Gente prevenida.

Até as crianças começam a sossegar. Será que vai dormir no colo da avó. Bons sonhos.

Neste Grupo Musical cada homem tem um boné diferente. Adorei estes dois. Porque o da esquerda me faz lembrar o meu Ribatejo e o da direita todos os pobres usavam quando eu era criança.

Até as variedades foram muito bem escolhidas pela organização. Primeiro os que faziam mais barulho e por fim, quando a preguiça se começou a instalar vieram os mais lentos. Perfeito.

Reparem que até a plateia já está muito mais quieta.

O Grupo é muito curioso. Quatro mulheres com trajes diferentes.

E os homens todos com chapéus diferentes e também cada um com instrumentos vários.

As crianças alegram sempre qualquer festa e este menino quebrava um pouco a monotonia instalada.

Até eu já começo a sentir que estou melhor sentado. Já se vê menos gente porque até na saída das pessoas a organização se soube organizar. Começaram por chamar as pessoas das terras mais longe porque a viagem seria mais longa e para não sairem todos ao mesmo tempo fizeram-no por ordem decrescente de maneira que nós os de Olhão fomos os penúltimos a sermos chamados. Os últimos foram os de Faro porque estavam apenas a 5 minutos da cidade. Os meus parabéns à Divisão de Desporto e Juventude da Camara Municipal de Faro pela excelente organização deste evento porque sendo eu muito exigente desta vez não consegui fazer nenhum reparo. Coisa rara.

E já agora para terminar aqui ficam os despojos do dia de hoje. Água, laranjas e o habitual jornal desta feita com um suplemento sobre o Mundial de Futebol que aí vem.

E também uma camisola desta última Marcha, outra do Instituto do Desporto de Portugal e ainda um boné da Associação Portuguesa de Hemocromatose. Até Setembro.
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