PASSEIO A MOURA:

Eram 15,30h quando chegámos a Moura e levaram-nos até ao Largo da Mouraria onde iniciámos a nossa visita. A influência árabe é ainda visível nesta vila tranquila, rodeada de oliveiras e sobreiros, sobretudo nas ruas estreitas da Mouraria, de casas baixas e caiadas de branco e pelicurares chaminés.
Penetrámos por aqui adentro parecendo que estávamos noutro mundo tal era a brancura destas casas em ruas estreitas e ainda empedradas. Só é pena que estes fios pretos pregados em tudo o que é parede por todas as terras deste país estrague uma paisagem linda como esta.
No Largo da Mouraria e à sombra destas casitas lá fomos ouvindo as explicações de quem sabe.

(Durante a ocupação romana da Península Ibérica, chamar-se-ia Arucci ou Civitas Aruccitana Nova. As invasões muçulmanas renomearam-na para Al-Manijah. A designação actual de Moura surge ligada à Lenda da Moura Salúquia. Foi conquistada em 1166 pelos irmãos D. Pedro e D. Álvaro Rodrigues, só foi definitivamente conquistada em 1295 no reinado de D. Dinis. Recebeu foral de D. Dinis em 1295. D. Manuel I concedeu-lhe foral novo em 1512. Em 1554 recebeu o título de Notável Vila de Moura, das mãos de Dom João III de Portugal. A proximidade da fronteira espanhola fez com que nas suas cercanias se edificassem postos de vigia ou atalaias, colocados em pontos elevados estratégicos, constituídos por construções troncopiramidais de altura razoável e de difícil acesso, que foram postos à prova durante a Guerra da Restauração e a Guerra da Sucessão. Em 1707, o duque de Ossuna cercou Moura e só em 1709 é que se viu definitivamente livre do ocupante espanhol que antes de se retirar destruiu as fortificações. Moura foi elevada a cidade por lei de 1 de Fevereiro de 1988.Foi em Moura que viveu Bartolo, uma personagem importantíssima na história da cidade visto que liderou o exército que expulsou definitivamente os espanhóis aquando da sua ocupação.)

São curiosas estas chaminés. Demasiado largas e parecendo muito pesadas dão um aspecto de imponência muito maior do que as próprias casas.
(A original Capela de São João Baptista, existente já no início do século XIV, não apresentava um espaço interior muito maior do que a primitiva matriz, sendo necessário trasformar a Capela da Almas, edificada ao lado de S. João Baptista, na sacristia da nova Matriz, alargando assim o corpo da capela. 
Na fachada foi rasgado ao centro o portal principal, que ‘apresenta uma feição do Tardo-Gótico internacional, embora com tratamento português’. O conjunto apresenta um rico programa decorativo, formando por relevos de folhagens, boleados, colunas torsas e espiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. 

Do lado diretito da fachada foi construída a torre sineiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. que apresenta no segundo registo um balcão alpendrado com altar de gosto maneirista e inspiração serliana, mandado edificar no terceiro quartel do século XVI por Frei Luís Lopes, um dos curas da igreja. Embora tenha sido planeado no século XVI, este varandim só foi construído em 1610, tendo como finalidade servir de espaço à realização de celebrações escarísticas destinadas aos presos da cadeia local, situada em frente à Matriz.)  Depois fomos descendo até chegarmos junto deste chafariz:

O Chafariz de Santa Comba é obra do século XIX, com duas bicas, tendo a meio da fachada de mármore a imagem da Santa.
Como não podia deixar de ser lá encontro mais um filho bastardo. Nos tempos medievais os nobres de origem bastarda não tinham o direito de colocar os seus brasões familiares por cimas das suas portas principais como faziam todos os nobres de boa descendência. Só tinham direito a colocá-los nas esquinas das casas senhoriais para que todos vissem bem a sua condição social. Aqui está mais um.
A Igreja de S. Pedro data de 1674 segundo inscrição no seu portal. Esta antiga igreja da colegiada de S. Pedro do séc. XVII foi consolidada e restaurada em 12/12/1962 a março de 1964. Até meados dos anos 90 a igreja é utilizada exclusivamente como capela mortuária e em 17 de Dezembro de 2004 é inaugurada como Museu de Arte Sacra.
Ao lado da Igreja pode ver-se esta torre sineira muito interessante.
Um pouco mais à frente da Igreja de S. Pedro cortamos à esquerda e entramos nesta linda rua.
A rua é um espectáculo para a vista.
Toda ela é um autêntico jardim.
E o curioso é que todas as flores estão muito bem tratadas…
E apresentam uma agradável frescura.
Ouvi dizer que a autarquia distribui flores pelas casas que depois só têm que cuidar delas. Parece-me uma boa ideia porque os turistas gostam todos de ver ruas floridas.
Andando ao longo das ruas floridas viemos dar em frente à Igreja de São João Baptista.
(A original Capela de São João Baptista, existente já no início do século XIV, não apresentava um espaço interior muito maior do que a primitiva matriz, sendo necessário trasformar a Capela da Almas, edificada ao lado de S. João Baptista, na sacristia da nova Matriz, alargando assim o corpo da capela. 

Na fachada foi rasgado ao centro o portal principal, que ‘apresenta uma feição do Tardo-Gótico internacional, embora com tratamento português’. O conjunto apresenta um rico programa decorativo, formando por relevos de folhagens, boleados, colunas torsas e espiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. 

Do lado diretito da fachada foi construída a torre sineiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. que apresenta no segundo registo um balcão alpendrado com altar de gosto maneirista e inspiração serliana, mandado edificar no terceiro quartel do século XVI por Frei Luís Lopes, um dos curas da igreja. Embora tenha sido planeado no século XVI, este varandim só foi construído em 1610, tendo como finalidade servir de espaço à realização de celebrações escarísticas destinadas aos presos da cadeia local, situada em frente à Matriz.)  Vamos primeiro visitar o Castelo e depois já viremos visitar esta Igreja.

 O Chafariz das Três Bicas é uma bela obra barroca em mármore, coroada pelas armas de D. João V, sobre o qual se ergue a varanda do antigo palácio, actual biblioteca municipal, que está mesmo em frente à Igreja de São João Baptista.
Enquanto nos reunimos vamos olhando em redor descobrindo mais coisas interessantes para ver.
 
Como por exemplo, a entrada do Castelo. Entrando por aqui e subindo uma pequena rampa estamos dentro da fortificação, ou melhor, o que resta dela.
Começando logo a explorar as redondezas verifico que lá de cima do Castelo se vê o jardim lá em baixo. Já lá vamos.
Entretanto vamos ouvindo as histórias do Castelo explicadas por este funcionário da Câmara Municipal que tem andado connosco.
E sobre esta torre meio destruída ouvimos a história de uma moura que deu o nome à cidade.
A mesma torre vista do jardim. Torre de Salúquia do século XVI. Construção de perfil circular que, segundo a tradição popular, corresponde à torre de onde se teria lançado a derradeira alcaideça do período árabe, episódio que deu origem à lenda da moura Salúquia.
(A Torre de Salúquia é, contudo uma construção dos inícios do século XVI devendo datar das campanhas conduzidas por Francisco de Arruda. A estrutura da torre sofreu obras de consolidação em 1961.  A lenda conta a trágica história do casamento entre Salúquia, governadora de Moura, e o príncipe Brafma, senhor de Aroche.
O príncipe dirigia-se para Moura, onde devia desposar Salúquia, quando foi surpreendido por uma emboscada dos cavaleiros cristãos. Vencidos e mortos os mouros, os cristãos envergaram as suas roupas e dirigiram-se para Moura, fazendo-se passar pela comitiva do casamento. Salúquia mandou-lhes abrir as portas mas dando pelo engano lançou-se das muralhas do castelo com as chaves da fortaleza na mão. A lenda encontra-se perpetuada nas armas da cidade, que apresentam Salúquia caída junto à torre do castelo.)
Vista do Castelo de Moura vendo-se lá ao fundo o rio Ardila que vai desaguar no Guadiana na bacia da Barragem do Alqueva.
A Torre de Menagem do Castelo de Moura.
Continuamos passeando dentro do Castelo de Moura.
Damos a volta dentro do Castelo vendo que ainda há muita coisa por fazer embora recentes escavações tenham posto a descoberto estes caminhos empedrados ainda em muito bom estado.
Seria iniciado, por D. Ângela de Moura, (ainda lá estão as suas armas) em 1562, o convento feminino de São Domingos, no interior da cerca, sobre as fundações da antiga mesquita. Aqui funcionou a Roda dos Enjeitados.
(As rodas eram cilindros giratórios com uma grande cavidade lateral que se colocavam junto às portarias dos conventos. As rodas existiam sobretudo nos mosteiros de clausura mas também em alguns conventos. Inicialmente serviam de meio de comunicação entre o interior e o exterior do convento. Na abertura lateral, eram colocados objectos pelas pessoas que se encontravam no exterior do convento. Após a colocação do objecto, aquele que se encontrava no exterior tocava uma sineta e a irmã "rodeira", no interior do convento, aí fazia girar a roda, retirando de seguida os objectos aí colocados.
Mais tarde começaram a colocar crianças enjeitadas ou fruto de ligações "inconvenientes". Estes "filhos de ninguém" eram, muitas vezes, filhos de raparigas pobres, fruto de relações proibidas, ou mesmo crianças encontradas por eremitas que as recolhiam e as educavam até as colocarem na Roda. Por vezes as mães dos enjeitados deixavam algumas marcas identificativas (fitinhas, pequenos bordados com monogramas, medalhinhas), a fim de, um dia mais tarde, as poderem recuperar. Quando atingiam a idade de aprendizagem, as crianças eram transferidas para a Casa Pia, uma instituição de acolhimento que as educava e preparava para a vida adulta.
De tanto ser usada, a roda acabou por se tornar legítima chegando a ser oficializada nos finais do século XVIII e a receber a designação de Roda dos Expostos ou dos Enjeitados. O intendente geral da Polícia do Reino, Pina Manique, reconheceu oficialmente a instituição da roda através da circular de 24 de Maio de 1783, com o objectivo de pôr fim aos infanticídios e acabar com o horroroso comércio ilegal de crianças portuguesas na raia, onde os espanhóis as vinham comprar. A Roda dos Enjeitados passou a existir em todas as terras, vindo a perder a sua importância e uso com o advento do Liberalismo em Portugal, na primeira metade do século XIX.)
E voltamos à Igreja de S. João Baptista. Vamos entrar.
Este é o interior da nave principal.
Porque tem muitos azulejos chamou a minha atenção. Não são bonitos?
Bonitos e antigos.
Tem vários altares e paredes cobertas de alto a baixo.
A estrutura do tecto que mais parece uma teia de aranha é realmente curiosa.
Este é o altar principal. A iluminação das janelas com o reflexo dos azulejos é perfeita.
E agora vamos até ao Jardim Doutor Santiago.

O estabelecimento termal localiza-se na entrada do Jardim do Dr. Santiago, servindo de portaria a este jardim municipal. Consta de dois edifícios idênticos, com frentes em varandim corrido. Só se encontra aberto o banho do lado esquerdo, outrora destinado ao sexo feminino, com cinco quartos de banho (de belas banheiras em mármore), servindo um deles para banhos de higiene.         

 A mina de água ainda se pode ver e escorre .

Este antigo carro de rega foi utilizado pelos serviços camarários entre 1937 a 1972 em exposição neste jardim.
Também neste jardim se pode apreciar ainda este relógio de sol.
E como estamos numas termas água é coisa que, por enquanto, não falta para jorrar neste chafariz.
Neste cantinho do jardim ainda podemos ver um fresquinho parque de merendas.
E um coreto é coisa que no passado não podia faltar. Agora já só servem para embelezar a paisagem mas eu ainda me lembro do tempo em que, lá na minha terra, que também tem um, toda a gente muito gostava de ouvir a banda filarmónica lá dos sítios.
E como o passeio está a terminar, aqui deixamos o testemunho da nossa presença para mais tarde recordarmos.
E para terminar ainda fomos ver este Museu de como se fazia o azeite antigamente. Apesar de eu já caminhar para velho, tenho quase 68, gosto muito de ver um bom Museu mas como não sou saudosista gosto muito mais de visitar uma boa fábrico moderna em plena laboração, coisa que pouco se faz. Saber como se faz hoje o azeite também é muito importante quanto mais não seja para ficarmos descansados ao consumi-lo, ou para não termos ideias erradas acerca da sua fabricação e consumo.
Adorámos o passeio e só tivemos pena de não termos parado na Barragem do Alqueva que devida à sua grandeza merecia pelo menos 5 minutos de paragem.

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