MARCHA-PASSEIO EM MONCARAPACHO:

Olhão, 9 de Maio de 2010.
Juntámo-nos todos no Largo da Estação, em Olhão,  onde o autocarro da Câmara Municipal nos levaria a Moncarapacho para fazermos parte de uma Marcha-Passeio nesta localidade. Eram 8,32h quando saímos.
11 minutos depois estavamos em Moncarapacho, na Praça Major João Xavier Castanheda, local da concentração. Quando aqui chegámos ainda estava muito pouca gente.
Pelo que ainda deu tempo para poupar energias apreciando o ar da manhã.
Mas o pelotão foi engrossando e enquanto as pessoas íam chegando eu aproveitei para fazer um reconhecimento às redondezas, como sempre faço.
Subi a Rua da Misericórdia e vim dar a esta praça onde está o busto de Antero Nobre. Estava junto da Igreja, portanto o centro da vila.
E pelo que diz esta placa na parede da Igreja já é muito antiga a paróquia desta terra.
Entrei e, eu que não sou católico, mas gosto de ver os templos antigos, fiquei muito surpeendido com as colunas  e os arcos muito trabalhados embora na parte de baixo se notasse uma profunda degradação talvez porque as pessoas mexem. Até os candelabros ficam aqui muito bem.
Quando entro numa igreja a primeira coisa que faço é procurar os azulejos porque é o que eu mais gosto e para mim igreja sem azulejos não tem lá muita graça. Foi o que fiz aqui e vejam lá se não é bastante agradável este cantinho onde está a pia baptismal, se bem que o vitral da janela é lindo e dá muita luz para o interior. E reparem que as paredes não precisam de mais nada.
Já aqui neste cubículo o caso é diferente. Existe uma janela mais pequena mas longa o que parece dar menos luz pelo que a cor cor azulejos forrando toda a parede e tecto têm a particularidade de expandir a luz por toda a sala de uma forma muito homogénea.
A frente da Igreja está num local de difícil visão e para tirar uma fotografia inteira é uma autêntica ginástica, mas parece que consegui. Os elementos romano-góticos nos cunhais da rectaguarda e as nervuras de algumas abóbadas indicam a origem medieval. O seu portal principal é considerado como uma das mais belas obras de arte renascença (séc. XIV) do Algarve. Este portal é dominado pelo grupo escultórico da Anunciação da Virgem e as imagens dos apóstolos São Pedro e São Paulo. No interior merecem uma referência especial as pinturas das capelas das Almas, do Calvário e de Santo António e o núcleo de imagens dos séculos XVII e XVIII, com destaque para as de Nossa Senhora do Rosário e do Senhor da Paciência.
Vista a Igreja vou regressando e olhando as casas cujas fachadas vão sendo recuperadas o que dá um lindíssimo aspecto à vila. (Pequena vila típica do barrocal algarvio, por entre colinas suaves, onde vicejam hortas e pomares e não falta a presença das figueiras, amendoeiras e romanzeiras. As suas ruas conservam ainda algumas casas representativas da arquitectura burguesa do séc. XIX e início do séc. XX, sendo muito influenciadas pelos traços urbanos da vizinha cidade de Tavira, a cujo Termo (concelho) pertenceu até 1826. No entanto, Moncarapacho já existia em 1368 (data de uma carta de El-Rei D. Fernando I, onde o nome da aldeia é citado) e passou a sede de freguesia em 1471. Moncarapacho é conhecida por manter festejos de Carnaval que são dos mais antigos do Algarve.)
Voltando para baixo reparo noutra igreja mas esta está fechada pelo que não pude ver nada e também não tinha nenhuma identificação mas vim depois a saber que se tratava da Igreja da Misericórdia. (Também vim a saber que para a visitar será necessário solicitar aos funcionários da Igreja Matriz a permissão porque tem reduzido interesse arquitectónico mas, no retábulo do altar-mor, encontram-se seis telas de pintura maneirista , finais do séc. XVI, representando cenas da vida de Cristo.)
 
Chego mesmo a tempo de começarmos os aquecimentos. O Helder encarrega-se de comandar a tropa. É o que ele mais gosta de fazer.
E foi dada a partida. Desta vez saímos a horas para variar. E como começou o horário de verão saímos eram 9,30h.
Começámos por andar dentro da vila por ruas muito apertadas.
A águia saúda os caminhantes. Lá para o fim do dia serão os caminhantes a saudar a águia visto que o Benfica ganhará o Campeonato deste ano.
O primeiro quilómetro foi sempre assim, por caminhos um bocado estreitos e como estava muita gente ainda parecia mais estreito.
A partir daqui já entrámos em campo aberto e havia um pouco mais de espaço.
Aqui já se nota o bom piso da estrada.
Também é notória a timidez do leão que esta época andou muito ofuscado. Mas a sua imponência ainda mete respeito. Melhores dias virão.
Continuamos por boa estrada e as mulheres vão contentes por isso, mas não será por muito tempo.
Aqui deixamos a estrada e entramos nos caminhos de terra batida por esses campos fora. Outras sensações.
E cá estamos em terra batida. Agora vai ser mais difícil andar.
É preciso olhar para o chão e ver onde pôr os pés. Atravessar esta ‘piscina’ não foi fácil.
Caminhos fechados, quase temos que ir em fila indiana, mas a paisagem embora fechada era agradável.
Eu vou aproveitando para observar as plantas do barrocal e esta é a primeira vez que lhe vejo as flores este ano.
Agora o matagal é muito denso por isso temos que prestar a atenção à flora já que a fauna quase não existe.
Uma coisa que eu acho muito estranho e me faz muita confusão é que não consigo ver uma lagartixa já que lagartos nem devo pensar neles. Quando eu era novo esta bicharada saltava por todos os lados e às vezes até nos pregavam grandes sustos. Será que ainda existem?
Nem sequer se houve um pardal. O silêncio é total só quebrado pelo vento ou os gritinhos das mulheres.
E três quilómetros já estão no papo. Apesar de ser no campo caminha-se bem, sem problemas.
E aqui temos uma pequena subida. Felizmente que hoje quase não existiram subidas. Estamos em terrenos quase planos.
As madressilvas também já começaram a florir e fazem grandes e bonitas latadas nos muros dos campos.
Temos aqui algo de belo que a natureza nos oferece. Plantas que sobrevivem em pequenos buracos como nesta pedra. Lá para os países da Ásia oriental existe uma arte que consiste em imitar a natureza. Chama-se Kusamono que tenta recriar situações como esta. E às vezes são tão pequeninas que nos parece impossivel que tal coisa exista.
E andando e conversando já vamos no quarto quilómetro.
Neste local foi montado um posto de abastecimento com laranjas e água que já estavam a fazer falta. Neste mesmo local de seu a separação do percurso grande e do pequeno. Nós vamos sempre pelo pequeno por diversas razões de que um dia explicarei.
Estas amarelinhas que parecem giestas agradam a vista dos caminhantes.
Esta beleza branquinha não sei o nome mas é bonita e não se vê com facilidade.
Será que é uma Coronilla Valentina? Que interessa! É bonita e chega.
Também não sei o nome desta. Os nomes são sempre difíceis. Vale mais apreciar a suas beleza.
Depois de uma grande recta em estrada alcatroada devemos estar perto do fim.
Ainda falta apreciar as chaminés. Eu sempre tenho o olho nelas. Hoje não vi muitas mas estas chamaram-me a atenção.
E no final da recta temos que parar para dar passagem a um pelotão de ciclistas que fazem como nós. Andam.
E finalmente vamos entrar na vila. Como é domingo de manhã, as ruas estão vazias.
Mas antes de terminarmos ainda tenho que apreciar estes batentes, que aqui no Algarve chamam ‘manitas’ e está-se mesmo a ver porquê. É uma porta das antigas e bem conservada. Já não há muitas. Dentro de mais alguns anos apenas restarão estas fotografias. Por isso vale a pena aqui as mostrar.
Já se vê a torre da igreja. Estamos mesmo no final.
E chegámos ao fim. Agora já só queremos sentar. E aqui fica o registo da nossa presença.
Mas o Helder não deixa a gente respirar. Ainda é preciso fazer os alongamentos. E depois é que vamos para casa.
Cá temos os despojos do dia. Vá lá que esta semana consegui arranjar jornal.
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