PASSEIO A ÉVORA:

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Olhão, 15/Abril/2010 = Eram 7,00h da manhã quando saímos do Largo da Estação em direcção a Évora para um passeio organizado pela Junta de Freguesia de Olhão. Saímos um bocado apreensivos quanto ao tempo mas felizmente tivemos sorte visto que apanhámos chuva durante o percurso de ida e também no de volta mas durante o tempo que estivemos em Évora não chuveu e até fez sol.
Chegámos a Beja às 8,26h para esticar as pernas e outras necessidades aproveitando o enorme parque de estacionamente do Continente e saímos em direcção a Évora às 9,00h.
Chegámos a Évora às 10,05h e como o autocarro não pode andar pela maioria das ruas da cidade este ficou estacionado num enorme Largo fora das muralhas com o nome de Rossio de S. Brás. Tinha todo o aspecto de Largo da Feira cá do sítio embora também sirva de Parque de Estacionamento.
Depois tivemos que ir a pé até ao Centro. Como viemos sentados durante tanto tempo, andar a pé até parecia uma boa opcção. E lá vamos ladeira acima pela Rua da República.
Na terceira rua à esquerda eu sabia que havia por ali uma Igreja que valia a pena ver.

A Igreja da Graça ou Convento de Nossa Senhora da Graça (popularmente chamado Convento da Graça ou Meninos da Graça), é um importante monumento religioso renascentista da cidade de Évora, situando-se no Largo da Graça, na freguesia da Sé e S. Pedro. Este mosteiro, dos frades eremitas calçados de Santo Agostinho, foi fundado em 1511, tendo sido projectado pelo arquitecto da Casa Real Miguel de Arruda. O edifício é um belo exemplar do mais puro estilo renascentista, tendo nos acrotérios da fachada as famosas figuras atlantes a quem o povo de Évora chama desde há séculos, os Meninos da Graça. Sofrendo o golpe da extinção das ordens religiosas, no ano de 1834, o Convento da Graça foi nacionalizado e transformado em Quartel. Entrou então em grande ruína, perdendo-se grande parte dos seus valores sumptuários, o que constituiu uma enorme perda para o acervo artístico de Évora. Muitos dos altares, imagens e sinos da igreja foram transferidos para a Igreja do convento de S. Francisco, então já paroquial de S. Pedro (em cuja freguesia se situava o arruinado Convento da Graça).Está classificado pelo IPPAR como Monumento Nacional desde 1910 e Património Mundial da UNESCO desde 2001.A bela capela da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos da cidade de Évora, em mármores coloridos e embutidos, que situava no claustro, foi, em boa hora, transferida para a Igreja do Espírito Santo. O estado calamitoso de ruina atingiu o ponto máximo em 1884, com o desabamento da abóbada da igreja, perdendo-se os seus magníficos painés de azulejo (que representavam cenas da vida de Santo Agostinho). O edifício veio a ser restaurado só na segunda metade do século XX, conservando (o exterior e algumas dependências conventuais, como o clautro e o refeitório) as linhas da arte renascentista que o tornam num dos mais belos monumentos eborenses. Presentemente serve de Messe de Oficiais da guarnição de Évora, sendo a Igreja a Capelania da Região Militar Sul.

Como se pode ver estas figuras curiosas no cimo da Igreja são realmente invulgares e era coisa que eu queria ver.Os "Meninos da Graça", são quatro curiosas figuras de Atlantes – estes dois (no lado direito) e mais outros dois (no lado esquerdo) que animam de maneira especial o frontão da Igreja da Graça de Évora.Quanto ao aspecto, de meninos não têm nada.
Estava visto o que eu queria e a minha curiosidade estava feita. E como o grupo já devia ir longe tive que correr um pouco para os apanhar e estrámos juntos na Praça de Giraldo, o centro da cidade.

Fomos até ao Posto de Turismo onde uma menina nos veio explicar e acompanhar a visita pelo centro e até ao Templo de Diana. O edifício que se vê ao fundo onde agora está o Banco de Portugal eram… 
Estes são (eram) os antigos Paços do Concelho de Évora, na Praça do Giraldo (chamada Praça Grande até ao século XIX), construídos no reinado de Afonso V (século XV) e depois restaurados pelo rei João II em 1481 e pelo rei Manuel I em 1519, "tão encantadores na sua varanda de esbeltas colunas dóricas de mármore branco de Estremoz, nas janelas manuelino-mouriscas e nos coruchéus, rodeados na base, como é vulgar em Évora, por um diadema de ameias chanfradas" (palavras de Raul Proença).
A documentação existente permite confirmar que vários reis portugueses estiveram sentados naquela varanda, entre os quais João III, Cardeal D. Henrique e Sebastião.
No final do século XIX, a Câmara Municipal mudou-se para a Praça do Sertório, e este edifício – que hoje seria, sem dúvida, um sério candidato a edifício mais bonito da lindíssima praça – ficou devoluto, tal como o contíguo edifício da cadeia quinhentista.

Entretanto eu girava o corpo e via tudo em meu redor. Chamou-me a atenção esta enfiada de casas com as arcadas de estilo árabe por baixo.
Enfiámos então pela Rua 5 de Outubro apreciando as lojas de artigos de artesanato que os turistas tanto gostam e nós também embora seja só para ver… porque não temos posses para mais.
No cimo da rua aparece-nos a Catedral com toda a sua imponência. Tão alta num local tão apertado que mal dá para tirar uma foto de corpo inteiro. A Sé de Évora é a maior Catedral medieval do País ". Fundada em 1186 e consagrada em 1204, a Sé Catedral de Évora, dedicada a Maria Santa, é um incomparável exemplar da arquitectura romano-gótica, marcado por três naves majestosas.
A um primitivo Templo construido entre 1186 e os Primeiros anos do Século XIII, sucedeu-se o grandioso monumento que hoje existe, essencialmente resultado de duas notáveis campanhas da Baixa idade Média.
Tem planta de Estilo Românico, estrutura com Góticas e Decoração, Estilo Bem Visível nas abóbadas e arcos ogivais. O portal dos é um dos mais impressionantes exemplares góticos portugueses. É ladeado por Estátuas dos apóstolos, da Autoria de Mestre Pêro, das Esculturas também do autor do claustro e da capela do Fundador, espaço funerário do bispo D. Pedro IV, que encomendou estes rabalhos.
Nos Séculos XV e XVI, a catedral recebeu grandes melhoramentos, datando dessa época o coro-alto, o púlpito, o baptistério e o arco da capela de Nossa Senhora da Piedade, Também conhecida por Capela do Esporão, exemplar raro de Arquitetura Híbrida palteresca, datado de 1529.
Nos claustros, de cerca de 1325, há estátuas dos Evangelistas em cada canto. O claustro, construído por odem do Bispo D. Pedro I,  É um belo exemplar gótico, com rosáceas enriquecido diversas decorações. É ainda enobrecido pela Capela Funerária do Bispo D. Pedro (Fundador do claustro), cujo túmulo gótico ainda não subsiste centro da mesma. Foram colocados recentemente na ala sul do claustro os túmulos dos Arcebispos de Évora falecidos no século XX.
É só virar a esquina e estamos na praça com Templo de Diana. O Templo Romano de Évora (vulgarmente chamado de Templo de Diana), construído no início do século I. Durante muito tempo julgou-se tratar de um templo dedicado a Diana, estudos posteriores demonstraram tratar-se de santuário consagrado ao imperador.

Localizado no Largo Conde de Vila Flor, encontra-se rodeado pela Sé de Évora, pelo Tribunal da Inquisição, pela Igreja e Convento dos Lóios, pela Biblioteca Pública e pelo Museu.

Entretanto, as explicações de quem sabe, foram-nos transmitidas por estes dois jovens por quem viemos a saber muito mais sobre este monumento.

A cidade de Évora foi a sede do comandante romano Quintus Sertorius em 80-72 aC, e por muito tempo permaneceu como um centro militar romana importante. Mais tarde, tomou o nome Liberalitas Julia por causa de privilégios concedidos por Júlio César. Este templo, que teria sido um dos diversos pontos da cidade, foi construído no século 2 dC. Apesar de tradicionalmente associado com a deusa Diana, não há nenhuma evidência real para isso. Uma alternativa provável é Júpiter, O equivalente romano de Zeus.O templo deve sua sobrevivência a construção sólida – que resistiu ao grande terramoto de 1755 – e sua utilidade para fins diferentes ao longo da Idade Média. Entre outras funções, o templo foi como um local de execução durante a Inquisição e um matadouro, até 1870.

Do Templo viemos andando pelo Jardim de Diana até chegarmos a este parapeito de onde se avista esta paisagem do casario.
Voltámos para trás e continuámos apreciando tudo em nosso redor. Vejamos quem foi o homem da estátua:
Dr. Francisco Barahona (1843-1905). Destacado benemérito da cidade de Évora, algum tempo após a sua morte, em 25 de Janeiro de 1905, foi criada uma comissão para a preservação da sua memória, através da realização de um busto, a colocar em local nobre da cidade. Em 25 de Janeiro de 1908, com grande participação da população, foi inaugurado o monumento, da autoria do escultor Simões de Almeida (sobrinho) e do arquitecto Alfredo Costa Campos. Além do busto, o monumento integra, como símbolo principal, a figura de Liberalitas Júlia, personificação da designação romana de Évora. Nele se lê: Ao / Dr. Barahona / por / Subscrição Pública / 1908; e ÉVORA RECONHECIDA.
De acordo com a edição comemorativa do centésimo aniversário da morte de Francisco Barahona, CME 2005, «Milhares de pessoas contribuíram para esta subscrição pública, desde o rei D. Carlos até aos mais humildes habitantes de Évora. Foi, igualmente, avultado o número de operários da construção civil que se inscreveram com dias de trabalho. (…) O monumento foi descerrado por Augusto Eduardo Nunes [Arcebispo de Évora], que terminou o seu discurso do seguinte modo: – Cumpriste o vosso dever! Obrigado, eborenses.»
A centralidade que este monumento ocupa no Jardim de Diana não é, como se constata, fruto de simples opções estéticas, mas representa o reconhecimento e a intenção de perpetuação da memória de uma personalidade a quem a cidade muito deve – além das muitas acções de beneficência, deve-se à intervenção de Francisco Barahona a restauração da Ermida de S. Brás, a reparação do Aqueduto da Água da Prata, a construção do Mercado e do Balneário, a fundação da banda dos Amadores de Música Eborense, a fundação do jornal Notícias de Évora, doação da sua colecção de estatuária ao Museu de Évora e um contributo decisivo para a edificação do Teatro Garcia de Resende, entre outras iniciativas de apoio mecenático.
Voltámos a passar junto ao Templo e Pousada dos Loios:

Anteriormente, o Mosteiro dos Monges Lóios, este edifício histórico é agora um dos mais populares das Pousadas de Portugal. Um documento vivo da história do Português, é no centro de uma das mais fascinantes cidades em Portugal e um dos poucos a ser designada como património mundial pela UNESCO. O ano de 2000 as antigas ruínas de um templo romano, literalmente, na porta da frente da pousada. Inaugurado em 1965, tem 32 quartos e uma pequena piscina. É conhecido por seu restaurante.

Agora que já sabemos quem foi o Dr. Francisco Barahona, é tempo de continuar o passeio.
Voltamos a passar junto ao Templo, admirando mais uma vez as suas pesadas pedras, vamos andando e conversando.
Um monumento destes, que mais parece um jogo de puzle por montar, requer mais do que uma fotografia.
E é aqui que o casal Valentim (o João e a Apolónia) resolvem deixar marcada a sua presença nesta cidade.
Aqui todos se reuniram para continuarem a ouvir as histórias da Catedral de Évora.
Ficámos a saber que aquelas estátuas em redor da porta representam os 12 apóstolos.
E apreciando antigas arquitecturas devidamente recuperadas preparamo-nos para iniciar o caminho de volta.
Descendo novamente pela Rua 5 de Outubro. Uma das princiopais regras dos passeios devia ser nunca passar duas vezes pelo mesmo caminho. Podiamos utilizar outro caminho aproveitando outras coisas para ver. É tudo uma questão de organização.
Como chegámos novamente à Praça de Giraldo enfiámos pela Rua Romão Ramalho descendo sempre.
E viemos sair na Praça 1º de Maio para ver a Igreja de S. Francisco. Há um papel lá dentro que reza assim: "Logo à entrada, junto da Pia Baptismal, está a sepultura do comandante da Ala dos Namorados, Mem Rodrigues de Vasconcelos. A igreja tem apenas uma Nave em 7 (sete) tramos, seis dos quais ocupados por capelas laterais, e um com o Transepto. Comprimento exterior 66,20m. Comprimento interior 55,70m. Largura exterior 34,70m. Largura interior 20m. Altura da nave 24m. Como reacção ao luxo no séc. XII, os Franciscanos, Dominicanos e Agostinhos procuram construir igrejas com um plano de três naves da mesma altura ou uma nave para o sacerdote ser visto no cerimonial litúrgico. Começam a abolir os arcobantes, os deambulatórios, torres, vitrais, e tudo o que denotasse poderes e riqueza. Teve seu início nos princípios do séc. XII. A abóbada com 12,80m de lançamento, que cobre a nave de 24 metros de altura. No reinado de D. João II e D. Manuel se construiu o adro da entrada, coberto, que abriga o magnífico portal geminado de mármore branco e rasgaram o grande janelão. Este adro não corresponde à entrada da Igreja, porque havia só dois óculos e duas janelas ojivais – frestas – postas a descoberto nos restauros de 1937. Sobre o pórtico germinado estão três grandes símbolos: O Escudo Nacional – o Pelicano (D. João II) – e a Esfera (D. Manuel).(Ver fotografia da entrada, em baixo). Consta que a primitiva porta da Igreja está entaipada junto da sala das Reuniões da Ordem Terceira. Com normal observação, notam-se alguns elementos decorativos como: Cruz de Cristo, cordoamento, esfera armilar, manifestando aproximação para o Estilo Manuelina. Paredes laterais 20m de altura. Grossura 0,70 metros."
Antes de entrar na Igreja, chama-me a atenção estas 6 curiosas chaminés. É que são todas diferentes.
Estes são os três grandes síbolos na entrada de que falámos acima na descrição da igreja.
E este é o seu interior. Nota-se que foi inicialmente construída sem riquezas e ostentações mas que as gerações futuras não se esquivaram a acrescentar alguma.
Estes são os únicos azulejos que aqui vi, não sei se há mais mas estes até são bonitos.
Aqui já se nota alguma ostentação de riqueza. Basta olhar para o tecto.
Depois de vizitada a Igreja voltámos a fazer o mesmo caminho de regresso até à Praça de Giraldo e depois andámos perdidos por ruas e ruelas procurando o restaurante para almoçar. Foi um belo exercício que serviu para abrir o apetite.
Enquanto andavamos perdidos eu vou procurando desanuviar apreciando os edifícios antigos. Não é bonito este brasão? Alguém mais viu. Não me parece. A minha vantagem é que eu entretenho-me com tudo. Enquanto a Apolónia resmunga sempre eu vou ‘clicando’. Já agora devo acrescentar que antigamente alguns brasões de famílias nobres eram colocados nas esquinas das casas senhoriais. A razão de ser era discriminatória quando se tratava de um filho bastardo. Um filho legítimo tinha o direito de colocar o seu brasão por cima da porta principal mas um filho bastardo teria que se contentar com as esquinas. E assim toda a gente ficava a saber a sua condição. Outros tempos.
Em Évora há muitas ruelas assim. Tão iguais e tão diferentes. Há sempre tanta coisa para ver. Quanto mais não seja até os candeeiros são diferentes e bonitos.
E porque trazia o nariz no ar foi fácil dar com esta placa toda em ferro forjado. Finalmente tinhamos encontrado o restaurante.
Que afinal era uma Adega com um aspecto muito tradicional.
Logo à entrada adorei este lavatório. Muito original. Uma barra de sabão aul e branco ficava ali melhor mas certamente a ASAE não acharia muita graça.
Os presuntos pendurados dão um ar muito espanholado mas como nós temos a mania de imitar os estrangeiros, provavelmente você deve estar com vontade de dizer que eu devia era estar calado.
Mas vêm como há imaginação até nas coisas mais simples. Como rolhas de cortiça se faz um belo cortinado. Quem reparou?
Esta sala está melhor. Já não se vêm estrangeiradas. Até os clientes são nacionais.
Que o diga a Apolónia, prontinha para atacar as azeitonas salgadissímas. O pessoal gosta do que faz mal. Deixai-os comer.
Ora cá está o aperitivo. Pãozinho caseiro, por sinal muito saboroso. As azeitonas que não gostei porque estavam demasiado salgadas. Mas eu tenho desculpa por não gostar. É que sou hipertenso. A água gostei porque é só o que bebo. O jarro do vinho tinto também lá estava mas eu nunca gostei de vinho e é só por isso que não bebo.
A sopinha de espinafres estava uma delícia e com a ‘galga’ que eu vinha escorregou goela a baixo que foi uma maravilha.
Aqui é que a porca torceu o rabo. O lombo de porco, a salada e o puré de batata estavam divinais. Nada a reclamar. O problema é que nós somos estrangeiros no Alentejo. Não conhecemos a realidade gastronómica do Alentejo. Esta é que é a verdade. No Alentejo tudo o que é moído, para eles é MIGADO. Daí a palavra Migas que eles utilizam muito bem. Eu fui durante 40 anos Chefe de Mesa e era especialista na tradução de Ementas em 6 línguas e sabia isto muito bem mas mesmo assim também me deixei levar e da forma como a Ementa estava escrita acreditei mesmo que ía provar aquilo que nós chamamos uma Açorda. Em hotelaria, isto é um erro crasso. Uma Ementa escrita para não alentejanos teria que se especificar MIGAS DE BATATAS. Já uma Ementa escrita por alentejanos será apenas MIGAS. Eles têm razão. Nós é que somos ignorantes. Mas como ninguém é obrigado a ser doutorado todos comeram, gostaram e ainda acharam graça.
Parece que a Sericaia também estava boa. Eu nunca como doces porque também nunca gostei mas a Apolónia comeu o dela e a minha parte sempre caladinha (coisa rara). Até aqui os alentejanos são diferentes. Serviram a Sericaia com mel e uma fruta confitada. Tornaram a sobremesa muito mais calórica mas agradou muito mais porque a nossa vista não viu só o doce, mas três coisas diferentes. As pessoas gostam de ver fartura.
Já sei que me vão dizer que não gosto de nada. Mas não é verdade. Eu nasci menino de rua e fui criado na Casa Pia numa época muito difícil. Não tive infância e não fui habituado a muita coisa que ainda hoje não me faz falta.
E regressámos novamente à Praça de Giraldo. Quantas vezes já viemos aqui? Já nem me lembro. Logo por azar nosso o fontanário estava em remodelação e foi menos uma coisa que não vimos. (Alguns dizem que o nome da praça – Giraldo – vem do bandido Geraldo que, em nome de D. Afonso Henriques, defendeu a cidade aos mouros em 1165). Quanto àquela Igreja que se vê lá ao Fundo: a Igreja de Santo Antão. Eu entrei lá dentro, não sou católico mas gosto de as ver por dentro e por fora. Há sempre muita coisa interessante para ver. E o curioso nesta é que eu nunca tinha visto em igrejas, um papel dizendo: quem quizer fotografar tem que pagar 0,50 cêntimos. Eu nunca gostei de pagar nem em Museus nem em Igrejas e muito menos em Monumentos. Eu entendo que a cultura, a par da saúde e da educação deviam ser grátis. Ao cobrarem dinheiro ao cidadão estão a contribuir para que ele vire as costas à cultura. É tão simples como isto. Vão-me dizer que a manutenção custa dinheiro. Claro que custa. Toda a gente sabe disso. Mas a cultura não pode ser obrigada. Tem que se aprender a apreciar livremente. É um investimento a longo prazo. Por isso os museus estão todos às moscas.
E temos aqui um belo exemplo. Neste edifício está instalado o Museu de Artesanato do Distrito de Évora. Tive que pagar 1 euro para lá entrar. Excepcionalmente paguei porque vinha em grupo. Eu teria ganho muito mais se tivesse ficado cá fora porque o edifício é muito mais bonito e interessante do que o próprio museu. Devia ser o cantrário. Ao entrar não havia um único prospecto que me ajudasse a compreender o museu. Havia apenas um livro que custava 10 euros. Porque será? Em contrapartida havia montes de folhetos alusivos a tudo o que dizia respeito a Santiago do Cacém, e nada sobre as outras terras que fazem parte do Distrito de Évora. Porque será?
Uma coisa que me chamou muito a atenção foi um cartaz à entrada onde tinha anunciadas uma série de proibições entre elas tirar fotografias. Quem quizesse fotografar teria que desligar o flash. As empregadas do Museu corriam constantemente atrás das pessoas que estavam fotografando com flash. Acabei prestando mais atenção ao corropio das empregadas do que ver o museu. E o que vi não me agradou nada. Uma perseguição constante às pessoas.
A Apolónia não se apercebeu de nada, pois estava muito interessada em ver miniaturas.
Ao sairmos do Museu muita gente queria ir comprar pão caseiro e outros artigos da terra. Como não era o nosso caso para não ter que esperar por eles fomos andando e entrámos no Jardim Público por sinal muito agradável e com alguma coisa para ver. O edifício que vemos atrás de nós é o…
"PALÁCIO DE D. MANUEL – Época de construção: Século XV. Alterado e ampliado no século XX. Arquitectos: Martim Lourenço, Diogo de Arruda e Pero de Trilho. Símbolo de função real de Évora, está situado nas imediações do convento franciscano, tendo crescido à custa desse mesmo convento, no qual decorreram importantes eventos históricos. Do grandioso palácio, resta apenas este pavilhão, denominado Galeria das Damas onde elementos característicos do tardo-gótico de influência mudejar se aliam a elementos renascentistas. Sofreu um devastador incêndio em 1916. Foi restaurado em 1943 e actualmente destina-se, sobretudo, a eventos culturais."
Como por exemplo certas flores lindissimas como esta que nem sequer sei o nome mas que eram duma árvore.
Ou então este bonito Coreto no meio do Jardim e junto ao Palácio de D. Manuel. Inaugurado em 20 de Maio de 1888 para concertos de música é uma obra em ferro fundido e foi feito em Évora.
E o que me dizem destas Glicinias que nesta altura do ano são um espectáculo. E havia muitas por aqui.
Éste é o Largo do Rossio de S. Brás onde ficou o autocarro e portanto para aqui nos dirigimos.
Monumento aos mortos da 1ª Grande Guerra.  (A Câmara Municipal decidiu que o monumento deveria ser colocado na Avenida Barahona.
Inaugurado com grande solenidade em 4 de Junho de 1933 pelo então Presidente da República, Óscar Fragoso Carmona, Este monumento tem onze metros de altura, encimado  por uma figura alada em bronze simbolizando Vitória, sobrepujando um plinto de granito regional.)
Neste mesmo Largo, mas lá mais ao fundo pode ver-se:
O Convento de Santa Clara de Évora, foi fundado pelo bispo D. Vasco Perdigão (1440-63), em 1452. O Bispo desempenhou um papel fundamental no apoio a esta casa conventual, desenvolvendo-se as obras num curto espaço de tempo, até 1564, data em que se consagrou a igreja. Na igreja de uma só nave, capela-mor dos meados de século XVI, e revestimentos de azulejos policromos do século XVII, há sobretudo a apreciar os restos de pintura, infelizmente, bastante deteriorada. Definitivamente extinto em 1903, por morte da última freira apenas nesta data, aqui se instalaram várias unidades militares até 1936, data em que parte do convento ruiu.
Restaurado e reconstruído pela DGEMN, passou em 1951 para as mãos do Ministério da Educação, que aqui sediou a Escola Comercial e Industrial de Évora, e actualmente a Escola EB23 de Santa Clara.
E com estas lindas flores, cuja árvore estava mesmo junto ao autocarro, encerro esta viagem. Foi um óptimo passeio e essencialmente fizemos aquilo que mais gostamos. Passear. Até à próxima.

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