MARCHA-PASSEIO DE ALCOUTIM:

28/FEV/2010 – Eram 8 horas da manhã quando saímos do Largo da Estação de Olhão em direcção a Alcoutim onde chegámos 1 hora e 20 minutos depois. Vamos no autocarro da Câmara para participar numa Marcha-Passeio a realizar nesta localidade.

Nesta praça que parece ser o centro da vila começámos a tomar conhecimento de que havia uma bonita paisagem para ver. Normalmente, as Marchas-Passeios, têm como concentração locais muito isolados do centro das povoações. Eu sei que há muita gente que defende que nós vamos (e só) para caminhar. Mas não só. Nós, (pelo menos eu) também vamos para apreciar as paisagens, apreciar os monumentos, apreciar as igrejas (eu nem sequer sou católico), apreciar os jardins, as ruas estreitas, praças, largos, monumentos, etc. etc. Como diz o povo: Os olhos comem primeiro.

Felizmente, nesta vila, houve o bom gosto de colocar a concentração num locar de rara beleza. Até se consegue ver Espanha do lado de lá do rio Guadiana.

O pessoal foi chegando e cada um se preparou (primeiro) para apreciar a paisagem. Apesar do tempo instável eu sabia que só ía chover de tarde e assim foi (a NET dá muito jeito).

Haverá local mais bonito para se fazer uma concentração?

Quem é que pode ficar indiferente a tanta beleza.

Enquanto o pessoal se ía cumprimentando à medida que íam chegando eu tinha que fazer o que sempre faço. Reconhecer o território. Assim, aí vou eu ladeira acima até ao Castelo. Passei por este apertado mas bonito jardim e só parei lá em cima.

A vista, lá de cima, é espectacular. A Igreja Matriz imponente no meio do casario, os iates no rio e os moínhos de vento lá ao fundo em terras de Espanha.

O Castelo estava fechado. Era Domingo. Que mania que agora têm de manter tudo fechado. Nunca compreendi muito bem porque é que se fecha tudo ao Domingo que é quando as pessoas mais passeiam. Longe vai o tempo em que se viajava por todo o País e estava sempre tudo aberto. Até as Igrejas.

Agora há que descer e aí venho eu por ruas estreitas.

E venho dar a esta praça que até tem um forno de cozer pão e segundo me disseram até funciona.

Ora aqui está o mata-bicho. Uma fatia de bolo e um copo de chá. Toda a gente adora o bolinho mas eu não vou nessa. Não costumo comer açúcar e acho que os caminhantes também não deviam comer. São demasiadas calorias. Mas o povo só gosta do que faz mal.

E chegou a hora do aquecimento. Teve que ser o Helder, como de costume a animar a malta.

Chegou a hora da partida e aí vai a malta ladeira acima. Alguém mete medo dizendo que são 3 kms a subir. Não me pareceu tanto mas lá que custou a subir, custou.

Ainda dentro da vila vamos apreciando o que há para ver como esta estátua de mármore que não sei o que representa porque não havia tempo para procurar qualquer informação.

E como se pode ver a subida era mesmo a subir. Mas a malta não desarma. Enche-se os pulmões de ar que sempre dá um empurrãozinho.

Cá temos outra estátua de um guarda. Deve representar a guarda da fronteira.

E chegámos onde eu queria. Há muito que queria vir aqui só para ver os painéis de azulejos mas vejo que afinal havia muito mais para ver. Só os painéis de azulejos são 31 e consegui fotografá-los todos. Adoro azulejos. Fui criado num sítio onde hoje é o Museu do Azulejo. O Asilo Maria Pia da Casa Pia de Lisboa.

O Mural de Azulejos conta a História e Etnografia de Alcoutim. Todos os azulejos são lindos e dignos de serem apreciados mas para mim este que representa o Contrabando é o meu preferido. Como é lógico não os posso apresentar aqui todos porque VOCÊ deve ir lá observá-los pessoalmente. Verá que não se arrepende.

Mudando de assunto vejam só a surpresa. Os gritos das mulheres chamou-me a atenção e fui ver o que se passava. Apenas uma infeliz cobra que atravessou a estrada no sítio errado à hora errada. Por falar nisso, não são só as pessoas que morrem na estrada. Alguém contabiliza quanto animais morrem nas nossas estradas?

Finalmente. A laranjinha e a garrafinha de água. Já estava mesmo a precisar. Também nunca compreendi porque é que nos dão a água só no meio ou no final da caminhada quando elas fazem falta é DURANTE.

Aqui acontece algo inédito (para mim) que só tenho 20 caminhadas. Como devem reparar nesta foto, umas pessoas vão para lá e outras vêm para cá. Quase no final obrigaram-nos a fazer 500 metros para lá e outros 500 de volta pela mesma estrada para irmos buscar um pão com chouriço e o Jornal O Algarve. Toda a gente protestava  por ter de fazer o mesmo percurso duas vezes. E se não fosse pelo pão com chouriço tenho quase a certeza que quase ninguém ía.

Na verdade, a mim não me incomodou nada. A paisagem era bonita como se pode ver em baixo e depois as pessoas refilam por tudo. Também é uma forma de aliviar a tensão.

A Apolónia já está servida. Um pãozinho com chouriço e o jornal. Há muitas Câmaras que não dão nada. E a malta refila. Estou em crer que alguns só cá vêm pelo que recebem.

Ainda há muitas árvores floridas mas só nalguns sítios. E este pedaço de 500 metros para cada lado foi o mais florido do percurso. Só por isso, valeu a pena.

Ora digam lá se não são lindas. Esta foto deu um bonito papel de parede para o fundo do ecrã do meu computador.

Mas ainda há mais. Não dá gosto andar pelos campos tão bonitos?

É um mar de flores nesta altura do ano e se não fosse o tempo chuvoso seria muito mais.

Já viram que até as simples ‘azedas’ dão um espectáculo à paisagem?

Vejam só a imponência do castelo. Noutros tempos mantinha os espanhóis para lá do Guadiana.

Agora vamos entrando na vila novamente. Deixamos o campo e vamos voltar a apreciar a paisagem urbana.

As ruas estreitas são uma constante nesta paisagem urbana. E chegámos ao fim de 4 kms. Foi uma caminhada muito fácil se tirarmos a subida inicial.

Como a Igreja Matriz estava ali perto, e normalmente nunca temos tempo para ver igrejas, resolvemos dar uma espreitadela. Não sou católico mas gosto muito de ver o que elas têm dentro. Esta deixou-me um pouco desiludido porque não tinha azulejos. Uma igreja sem azulejos nem parece uma igreja.

E como de costume aqui fica o registo da nossa presença nesta caminhada.

Antes de virmos embora ainda tivemos que passar por cima da ponte para apanhar o autocarro e reparámos que este ano não vai faltar a água.

E não termino sem apresentar os despojos desta caminhada: bolos, água, laranjs, pão com chouriço, o Jornal O Algarve e costumo encher os bolsos com as amêndoas secas que ainda vou encontrando nas árvores à beira da estrada.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: