BOMBAIM (Índia):

The Gateway of India

BOMBAIM (Índia) – Bombaim ou Mumbai é a capital do estado de Maharashtra e a maior cidade da Índia com uma população de 13 milhões de habitantes. Situada na Ilha de Salsete, na desembocadura do rio Ulhas, ao largo da costa ocidental da Índia, numa região litoral chamada Concão. A maior parte da cidade está ao nível do mar. A elevação média vai dos 10 a 15 metros. Bombaim tem uma área de 468 km². A sua região metropolitana é a sexta maior do mundo, com 20 milhões. A cidade possui um porto natural profundo pelo qual passa metade do tráfego de passageiros da Índia e grande quantidade de carga. Acredita-se que o actual nome do local deriva da deusa adorada no templo de Mumbadevi, um dos mais antigos da ilha construído pela população nativa, encontrado pelos portugueses à sua chegada, que o deixaram intacto. Acredita-se que a primeira referência europeia à ilha de Bombaim foi feita por Diogo Barbosa em 1516, designando-a Benamajambu. Mas o primeiro escritor português que se referiu ao local como Bombaim foi Gaspar Correia que chegou à Índia em 1512, nas suas ‘Lendas da Índia’, cuja escrita começou por essa altura, sendo secretário do Vice-Rei Afonso de Albuquerque. Nesse mesmo século, a grafia parece ter evoluído para Mombayn (1525) e depois para Mombaim (1563). J.P. Machado refere uma explicação alternativa para o nome, sem bases científicas, segundo a qual Bombaim seria uma ‘corruptela’ do português Bom Baía ou Boa Bahía. Esta confusão teria levado os ingleses, pouco sabedores de português a suporem a presença dessa palavra no topónimo, pelo que o português Bombaim se transformou no inglês Bombay. Em 11 de Maio de 1661, o tratado de casamento de Carlos II de Inglaterra e Catarina de Bragança, filha de D. João IV de Portugal, colocou as ilhas na posse do Império Britânico como dote de Catarina. Em 1995, o governo local repudiou a versão oficial inglesa da cidade (Bombay) em favor da forma oficial marata, transcrita como Mumbai. Bombaim é um lugar onde é fácil morrer, mas não é possível, nem por um segundo, nesta cidade de constante pulsação, que assalta os sentidos, esquecer que estamos vivos. Bombaim gera mais de um terço do total de impostos arrecadados pelo governo nacional e abriga também vastas  somas de riqueza ilegalmente obtida. A cidade recebe 40% dos voos internacionais destinados à Índia. Em Bombaim fica Bollywood, onde centenas de filmes são produzidos a cada ano, com números musicais ostentando canções sentimentais e chuva de estúdio que faz com que os saris se colem aos corpos voluptuosos das actrizes. Em termos de volume bruto de produção, Bollywood supera em muito Hollywood. Os alugueres dos bairros mais procurados da cidade superam os de Munique, Nova York ou Londres. Restaurantes de classe mundial servem interpretações indianas da ‘alta cozinha’, incluindo pratos como Lagosta em Molho de Azeitonas, acompanhadas por Arroz com Caril. Mas Bombaim também ostenta a dúbia distinção de abrigar as maiores favelas e cortiços da Ásia, os quais abrigam, segundo estatísticas do governo, 60% dos moradores, e um terço destes não têm saneamento básico. Os pobres da cidade vêm crescendo a cada dia à medida que milhares de moradores das regiões rurais migram para a cidade grande, onde dormem nas calçadas enquanto esperam por uma vida melhor, nesse porto de esperança. Eles enviam as suas crianças para locais estratégicos, designados pelo Clube dos Mendigos, uma organização que cuida das necessidades dos mendigos locais, e as forçam a ganhar a vida como pedintes. Alguns dos melhores locais, segundo o clube, são as dezenas de clínicas de emagrecimento ou consultórios de cirurgiões plásticos procurados pelos ricos, o que talvez os leve a sentir um pouco de culpa e a dar algumas rupias de esmola. A taxa de alfabetização de Bombaim ultrapassa os 86%, maior do que a média nacional. Por aqui passei várias vezes nas minhas constantes viagens aéreas entre a Europa e a Austrália. Foi aqui que provei o Caril pela primeira vez e dei dois saltos na cadeira porque não era o Caril que estava picante, mas sim algo verde parecido com salsa picada com que polvilhavam o Caril e que vim a saber depois que era apenas um pimento verde muito picante. Para os praticantes do hinduísmo, as vacas são sagradas. Se uma vaca decidir percorrer uma das movimentadas ruas da cidade, os condutores apenas se desviam, cuidando para não ferir o animal. Os muçulmanos, por seu lado, estão proibidos de tocar em carne de porco. Os ‘jains’, cuja doutrina proíbe que se cause sofrimento a qualquer criatura viva, incluindo minhocas, usam as mãos, e não ferramentas, para colher batatas. Os ‘parsis’, que seguem o culto do profeta Zoroastro, dependem de abutres para eliminar os restos mortais dos membros do culto nas suas chamadas ‘torres do silêncio’. Há leis que regulamentam o espaço mínimo necessário a transportar mulas, búfalos e cabritos em vagões de comboios, e as violações são passíveis de punição sob o código disciplinar da ferrovia estatal. De facto, Bombaim parece oferecer protecção a todas as espécies de criaturas, excepto uma: os seres humanos.

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